terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Dayli Log - Lisboa enfim ...

... depois de uma "fantástica" viagem em que fui apanhado "em cheio" pelos problemas de controlo aéreo em Espanha, pois vim via Madrid. Consegui chegar 31 horas depois do previsto com muita confusão pelo meio com inúmeras horas de aeroporto num embarca, não embarca que dá cabo da cabeça a um santo. Foi sem duvida mais uma viagem "fantástica" e que exemplifica bem ao que nós "pagantes" estamos sujeitos nos dias que correm, à luz de direitos e liberdades mal explicados !!!! Agora vou aproveitar o tempo para rever os amigos e usufruir das "minhas pessoas". Regresso a Cape Town no início de Janeiro para partir para a próxima etapa a 08 Jan. com destino a Salvador com passagem por Sta Helena. Entretanto desejo-vos umas Boas e Santas Festas. Cuidem-se

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Dayli Log - RSA 09

O dia amanheceu com chuva (uma novidade, provavelmente para eu não estranhar), as malas estão feitas e eu estou a caminho. Nestes últimos dias aproveitei para fazer um  bocadinho de turismo e visitámos a Robben Island uma ilha frente a Cape Town que era uma prisão de alta segurança e por onde passaram todos os presos políticos. É hoje um monumento à luta pela liberdade seja ela qual for, independente da cor. Os guias são ex-prisioneiros sendo um sítio onde é importante ir, bem arranjado e bem apresentado onde as constantes referências à democracia e aos "nossos líderes" me tenham feito alguma confusão. Entretanto os trabalhos no barco estão indo bem encaminhados, vai ter uma nova genoa, a antiga não tem arranjo, o aparelho vai ser afinado, o bimini foi reparado e o motor, gerador e dessalinizador vão ter manutenção e no início de Janeiro irá estar tudo pronto pois o chefe do estaleiro, que fica encarregue de velar pelo barco, assim o garantiu. Agora vou de viagem. Beijinhos e abraços de Cape Town

domingo, 28 de novembro de 2010

Dayli Log - RSA 08

O tempo aqui em Cape Town continua uma miséria. Vento e frio com fartura. Na Quinta Feira houve um ligeiro intervalo que deu para tirar as velas e reposicionar o barco - contra os ventos predominantes que são bastante fortes e com cabos de amarração novos - o que era absolutamente necessário para que os trabalhos seguintes pudessem ser feitos. Assim, as velas foram medidas e Segunda Feira terei um orçamento, o aparelho foi verificado e está tudo em perfeito estado, necessitando apenas de uma afinaçäo que irá ser feita - está um bocadinho folgado. Foi importante esta verificação pois no Eowyn - que já tinha sido verificado em Reunion - foram descobertos 3 brandais do diamante desfiados e que vão ser substituidos tendo já o mastro retirado - uma avaria bem grave. No Thor tudo o que tinha previsto está bem planeado e encaminhado e estará tudo pronto a tempo e horas, podendo ir para Lisboa descansado. Durante o fim de semana ainda deu para um bocadinho de turismo com uma visita a "adegas' na região com prova de vinhos de belissima qualidade e a preços incríveis. E pronto de Cape Town é tudo. Cuidem-se. 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Dayli Log - RSA 07

Eram 12:30 de 23Nov quando o Thor entrou no porto de Cape Town, na marina do Royal Cape Yacht Club. As coisas passaram-se muito mais depressa do que o planeado face a uma boa corrente a empurrar e a um bom vento de Sudeste, tendo chegado exactamente na altura em que o vento refrescou bruscamente para intensidades acima dos 30 nós tornando a entrada na marina bastante complicada, até porque o espaço de manobra é muito apertado. Com um bocadinho de jeito e uma boa dose de sorte correu tudo bem e o Thor entrou direitinho no espaço que lhe destinaram ao lado do Eowyn que estava quase petrificado com medo que eu lhe acertasse. Pronto, já cá estamos e esta jornada está concluída e foi, sem duvida, das mais duras e difíceis desde que tudo isto começou. O Jack já foi para casa feliz e contente com um pólo do Thor e umas centenas de milhas no seu bonito Log Book. Agora vamos tratar deste barco que precisa de alguma manutenção preventiva a nível do motor, gerador, dessalinizador, hélice e de algumas pequenas reparações interiores e exteriores resultantes do uso intenso a que tem sido sujeito. A nível das velas vai levar, provavelmente uma genoa nova da North Sails, a genoa rasgada dificilmente terá arranjo de tão danificada que está, e a vela do mastro afinal também tem uma costura danificada mas é pouca coisa. O aparelho vai ser sujeito a uma inspecção completa, oferta da Admiral Marine Inssurance a todos os participantes do WARC sejam ou não clientes. Tudo isto deveria ser feito antes de ir para Lisboa, só que esta ventania, que os locais dizem ser normal - a Cidade do Cabo é conhecida por ter sempre muito vento e, talvez por isso ter tantos acontecimentos importantes no mundo da vela - e que vai durar até 6º feira o que impede até lá que o barco vá a seco, que se mexa nas velas, que alguém suba ao mastro, etc. Vamos ver como isto se vai resolver de forma a que em Janeiro esteja tudo impecável. Vou pelo menos poder descansar e talvez fazer um bocadinho de turismo. Entretanto como não há internet por aqui vai ser difícil actualizar convenientemente o blogue o que possivelmente só será feito  em Lisboa. De Cape Town beijinhos e abraços.

Dayli Log - RSA 06

Afinal a tal directa a Cape Town confirmou-se. Estamos a cerca de 70 milhas de chegada com bom tempo, bom mar e a boa disposição de mais uma jornada que está "quase" a concluir-se. Ontem 2º Feira 22 de Novembro pelas 18:15 hora local (16:15 em Lisboa) o Thor dobrou (e esta hem) o Cabo das Agulhas o ponto mais a Sul do continente africano tendo atingido o ponto de maior latitude Sul. A partir de agora é sempre a subir, e também se despediu do Oceano Indico (uff até que enfim) regressando ao Atlântico, não bem ao nosso mas aparentado. O Indico despediu-se com um swell grosso e rijo e até mesmo ao finzinho foi um osso duro de roer. Foi um dia bom com um céu azul ensolarado mas frio, muito frio, a temperatura durante o dia não ultrapassou os 19º e durante a noite vai para os 12º com a água do mar nos 14º. Um frio de rachar resultante de uma latitude muito Sul, mais de 34º. Também dentro de um par de horas passaremos pelo "nosso" Cabo da Boa Esperança - há por aqui tanta coisa que tem a vêr connosco, com a nossa saga e que não soubemos preservar - que será mais um ponto marcante nesta viagem e já são tantos. Do Thor VI de novo no Atlântico, a caminho de Cape Town over and out. Cuidem-se.

domingo, 21 de novembro de 2010

Dayli Log - RSA 05

O homem põe e a meteo dispõe! A boa previsão para irmos directamente para Cape Town alterou-se e um Sudoeste fresco aparecido no fim da tarde de 6º Feira levou-nos a entrar em Porth Elizabeth para passar a noite. Aproveitámos para retirar os restos da genoa e montar a outra mais pequena, meter combustível e pelo meio dia de Sábado saímos inicialmente com algum Sudoeste pela proa mas que rapidamente desapareceu deixando-nos no meio de uma enorme calmaria. É confortável mas andamos pouco para as nossas necessidades sendo que o nosso planeamento apontava (novamente) para uma directa a Cape Town, situação que neste momento não será muito possível pois "parece" que vai entrar um Sudoeste razoávelmente fresco, o que nos vai obrigar a "esconder" em Moossel Bay, mas a situação está muito variável. Para já estamos a cerca de 90 milhas de Moossel Bay a fazer cerca de 6 nós com alguma corrente pela frente. Entretanto julgo que o sistema automático de posição não estará a funcionar bem - estamos em vésperas da partida do ARC 2010 de las Palmas com 250 concorrentes pelo que os homens do mailasail não devem ter mãos a medir - pelo que envio a posição manualmente. E é pena que isto esteja a acontecer pois pelo meus registos no troço de Durban para Porth Elizabeth das 08:00 de 5º Feira às 08:00 de 6º Feira teremos feito mais de 220 milhas em resultado das ventanias todas e da corrente das Agulhas. É um "fantástico" valor - vi sempre dois dígitos no mostrador - que gostaria de ver confirmado por fonte exterior. Uma experiência unica!! Mas agora vamos tentar chegar tão longe e tão depressa quanto possível. Beijinhos e abraços.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dayli Log - RSA 04

Partimos de Durban na 4ª feira cerca das 14:00 num dia chuvoso e logo que o Noroeste rodou, ou parecia ter rodado dentro do porto, pois quando chegámos cá fora ainda não tinha rodado e com o mar também pela frente, começou a "porrada". E foi pancadaria até meio da noite pois tinhamos de chegar à batimétrica dos 200 metros onde deveriamos encontrar a "agulhas current". Quando a encontrámos era fraquinha, mas pelo menos abrimos do vento e do mar e as coisas acalmaram e foi assim até de manhã. Quando o sol nasceu, por pouco tempo pois as nuvens carregaram, o vento rodou para Nordeste, como previsto, e começou a refrescar. A meio do dia já andava pelos 25 nós e durante a tarde estabilizou nos 35/40 nós. Tudo isto estava previsto, talvez com menos intensidade no vento, e era uma situação para durar até meio da noite acalmando depois. E assim foi, mas aguentar este vento e o mar que ele provocou foi mais um "dia fantástico" e, como se isso não fosse bastante, a meio da tarde, no seguimento de uma "surfadela" de algumas centenas de metros, a genoa - no 3º rizo - vazou e quando encheu "explodiu" literalmente tendo-se transformado num monte de trapos. Mais de 25.000 milhas, 40 nós de vento e mar grosso devem explicar o sucedido! Arranquei o motor e, como um mal nunca vem só, o impeller "deu o berro" com o ruido caracteristico de um escape molhado a trabalhar em seco. Ou seja de um momento para o outro tenho a genoa rasgada, o motor parado sem arrefecimento, vento com 40 nós e vagas de assustar! O meu parceiro nem percebia o que se estava a passar. A grande experiência que diz ter deve ser em barcos nalguma feira popular - não sabia o que era um impeller - mas é um tipo divertido. Mas 10 minutos depois a genoa, ou que resta dela, estava enrolada, o impeller substituido, o motor a trabalhar e nós a prosseguir o nosso caminho. A calma reinstalou-se. Entretanto durante quase todo o dia fomos acompanhádos por centenas de golfinhos - nunca tinha visto tantos - e traziam com eles um "display team" que nos brindou com um espectáculo magnifico de saltos acrobáticos. Um espanto! Depois com a noite o vento foi acalmando e o mar também e hoje estamos com um sol magnífico a cerca de 30 milhas de Port Elizabeth com destino Cape Town - temos uma boa previsão meteo - onde estimamos chegar na 2º feira durante a tarde. Eu bem tinha palpitado que este troço nos iria dar água pela barba. Da costa Este da África do Sul Thor VI over and out.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Dayli Log - RSA 03

Richard Bay e o Zululand Yacht Club, onde fomos excelentemente recebidos, já ficaram para trás. Partimos a 14 Nov. ao fim da tarde de um dia chuvoso, e fizemos cerca de 100 milhas em 15 horas tendo chegado a Durban de manhã bem cedo depois de uma noite bem mexida, com o vento a andar sempre pelos 10/15 nós, mas com mareta atravessada o barco esteve sempre bastante desconfortável. Que o diga o meu novo parceiro que meia hora depois de sairmos de Richard Bay (eu bem me parecia que o gaz se lhe acabava depressa!) já estava inoperante e só recuperou já estávamos quase aqui em Durban. E aí desatou a explicar mas como ele também diz que é um excelente cozinheiro ... só não consegue ir ao interior do barco a navegar! Enfim, como é só até Cape Town, tenho um "entertainer" a bordo. Agora estamos na Durban Marina, onde fomos novamente muito bem recebidos, num local bem posicionado na cidade, a segunda cidade da África do Sul com 3 milhões de pessoas onde os gradeamentos nas portas e janelas são um indicador de como se vive por aqui. O planeamento aponta para uma saída amanhã ao fim da manhã tentando chegar a Moossel Bay lá para Sábado (são cerca de 650 milhas), descansar aí um dia ou dois e depois fazer o troço final para Cape Town no início da próxima semana. Thor VI over and out. 

sábado, 13 de novembro de 2010

Dayli Log - RSA 02

Continuamos em Richard Bay mas vamos sair amanhã para Durban num pequeno salto de cerca de 100 milhas. Devemos ficar em Durban até 3ª feira e depois seguir para mais um "salto" até East London ou Port Elizabeth. Pelo menos é isto que as previsões aconselham, agora, porque as variações são permanentes e é preciso ter cuidado. As cerca de 950 milhas até Cape Town vão-nos dar água pela barba. Entretanto o problema da balsa está resolvido e já a tenho instalada, assim como também já tenho um novo parceiro. É um inglês de 68 (!) anos, "financial controler" reformado, vivendo na África do Sul em permanência há cerca de 1 ano, fala não sei quantas línguas inclusive espanhol, tendo feito este troço num barco do último WARC. Este ano telefonou para o World Cruising Club a oferecer-se para participar e ... tocou-me a mim até Cape Town e, parece que irá fazer o troço para Salvador no Kalioppe com o Emílio. O homem tem um "gaz" tremendo, talvez até em demasia mas isto passa-lhe (!). E pronto estão as novidades actualizadas e nós estamos prontos para partir. Cuidem-se

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

JSB 04

Foram só 5.000 milhas, mas, para mim, 5.000 milhas são mesmo muitas milhas !!! Chegados à África do Sul, deixo para trás o Oceano Índico e dois meses de uma experiencia única. Pelos relatos que me foram feitos pelo Rui e pelas tripulações de outros barcos, a travessia do Índico foi a etapa mais difícil e complicada desde que começou este WordArc. Saímos das Cocos Islands sob a ameaça de “gales” e fortes depressões desviando a nossa rota para sul, navegámos oito dias seguidos com ventos constantes a rondar e a passar os 30 nós, cavalgámos ondas que faziam desaparecer o horizonte, apanhámos, na última etapa, correntes contrárias que nos fizeram andar a passo de caracol, sofremos com previsões quase catastróficas das condições que iríamos enfrentar. Para mim, contudo, e por incrível que pareça, foi uma aventura que decorreu com alguma tranquilidade. E a explicação é simples: o Thor VI é um barco bem equipado, compacto, forte e fiável e o Rui Soares é um Skipper seguro que inspira confiança. Tivémos também momentos de descanso e lazer e a oportunidade de conhecer novas terras e novas gentes com as paragens na Maurícia e na Reunião. Tenho pena de não continuar e, sendo a primeira vez que ponho os pés em África, custa-me não poder aproveitar para ver alguma coisa das tantas que esta terra tem para mostrar. Mas, a vida continua e tenho que voltar à minha actividade profissional. No entanto, saio daqui com forças renovadas, com a certeza de ter aprendido muito sobre navegação, vela e mar e ... estou pronto para outra. E até me parece que, quando chegar a Lisboa, a crise já terá passado e os impostos terão baixado.

Dayli Log - RSA 01

Muita chuva, muito vento e frio (quem diria que estamos em África) têm sido uma constante nestes dias. Depois de uma noite bem dormida as coisas começam a retomar a normalidade, o sítio onde estamos é bom,  com bom apoio, bastante barato (e esta hem?) e as pessoas são bastante simpáticas. Aproveitámos o dia para uma consulta para aquisição da balsa que o Indico levou e para um reconhecimento da zona. No início da noite houve  o "prizegiving" desta ultima etapa que o Thor VI ganhou, novamente. Fiquei bastante satisfeito pois foi uma etapa bem dura e exigente em todos os aspectos desde a navegação até à táctica. Foi um grande desafio de que nos saímos bastante bem.  Entretanto o João está de regresso a Lisboa e eu vou ter de arranjar quem me acompanhe no trajecto para Cape Town, mas este assunto também está bem encaminhado e será resolvido muito rapidamente recorrendo a voluntários locais, ainda por cima num barco "vencedor". Vou ficar aqui por Richard Bay até ao fim da semana (entretanto devo resolver o problema da balsa) e a partir do início da próxima semana e logo que o tempo se componha sairei para Cape Town directo ou com escala depende da meteorologia. Estou a caminho de casa! Cuidem-se.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dayli Log - Reunion/Richard Bay 10

Eram 08:55 hora do barco (06:55 locais e 04:55 em Lisboa) quando o Thor cruzou a linha de chegada no fim de mais uma "noite fantástica" e de um dos troços mais complicados que enfrentámos até agora. Ontem depois de enviar o post e como prevíramos o vento foi aumentando progressivamente e cerca das 9 da noite tínhamos 35/37 nós de vento e um mar muito grosso. Até à 01:30 da manhã foi sempre a aviar com o barco a fazer acima dos 8.5/9 nós numa luta desenfreada com o mar. Esta é sempre uma situação complicada e apesar de termos passado por isto por mais que uma vez é sempre com muito respeito que tenho de enfrentar esta situação. 35 nós de vento é muito vento mas tenho de repetir aquilo que julgo já aqui disse, o Moody é um grande barco! Depois da 01:30 o vento repentinamente acalmou para os 25 nós e apesar do ainda ter continuado "trapalhão" o pior já tinha passado e tínhamos ultrapassado mais um grande desafio. Até de manhã foi assim num andamento rapidinho até meia dúzia de milhas da chegada onde o vento se "apagou" completamente e foi a passo de caracol que terminamos esta etapa e praticamente nos despedimos do Indico. Ainda falta chegar a Cape Town mas é em "free cruising", quando quisermos e como quisermos. Afinal e numa nota final as piores previsões do australiano não se confirmaram e a única coisa que conseguiu foi dar-me cabo da cabeça durante todo o troço com faz e desfaz planeamento. O João despediu-se em beleza com mais uma noite fantástica regressando a Lisboa depois de amanhã já que os dois meses de que dispunha já se foram. Brevemente teremos aqui as suas impressões desta aventura. Foi um bom companheiro! 

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Dayli Log-Reunion/Richard Bay 09

As previsões chegadas esta manhã apontam para um agravamento do tempo em Richard Bay na noite de 3ª para 4ª feira com "heavy rain" e "chuva pesada" em África dá para aprender a nadar. Portanto face a isto novo planeamento foi feito e, tendo em conta uma pequena janela de tempo para entrar em Richard Bay decidimos avançar com uma aproximação a Norte até à costa e depois descer até ao porto evitando a zona de maior turbulência. Neste momento estamos a cerca de 40 milhas da costa e a 70 de Richard Bay com chegada prevista no início da manhã com ventos na casa dos 20/25 nós e mar algo trapalhão. Vai ser mais uma "noite fantástica". Até amanhã

domingo, 7 de novembro de 2010

Dayli Log-Reunion/Richard Bay 08

Estou a aprender a fazer o Thor andar devagar pois faltam cerca de 200 milhas para Richard Bay e antes da tarde de 3ª feira (12 UTC) não é aconselhável passar das 100 milhas em aproximação pelo que a chegada está para 4ª feira de manhã. Mas hoje as coisas estão diferentes pois o vento anda na casa dos 20 nós e o mar encrespou-se naturalmente ou seja, acabou-se o sossego voltaram os saltos e os tombos e vai ser assim nas próximas 48 horas. Este troço está a tornar-se chato!

sábado, 6 de novembro de 2010

Dayli Log-Reunion/Richard Bay 07

Uma semana de mar mais cerca de 145 milhas nas ultimas 24 horas e necessidade de reduzir drásticamente o andamento pois a nossa chegada prevista a Richard Bay para 3º feira de manhã coincide com a chegada de nova frente fria com ventos muito fortes. Assim aguenta o mais fraco e já hoje passámos o dia a andar devagarinho (está um tempo magnífico) e assim vai continuar até termos a certeza da altura segura para definitivamente rumarmos a Richard Bay. As previsões meteo para este tipo de situação são bastante precisas e portanto só precisamos de ter paciência e esperar a altura certa de avançar. Até lá cuidem-se.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dayli Log-Reunion/Richard Bay 06

Ontem voltámos a fazer mais de 150 milhas à vela o que nos deu algum descanso porque o combustível que temos não dá para ir até ao fim a motor, mas como nos ultimos 3 dias foi um sempre a aviar de vela, estamos bem. Até porque hoje as coisas, quer eu dizer o vento e o mar, voltaram a acalmar e a meio da tarde não dava sequer para fazer andar o barco. Não fora o Yanmar e ficávamos aqui. Entretanto hoje o nascer do sol - um grande disco de fogo num céu vermelho e limpo mas com uma ténue neblina - "disse-me" que estamos a chegar a África. Eu já vi estes sinais! E eu que volta não volta "caí" em África volto a África e agora num barco à vela! A vida dá cada volta, meus amigos! Mas de curiosidade em curiosidade descobri hoje que na carta electrónica Navionics Gold desta zona e sobre o território de Moçambique está escrito isto em letras gordas "Portuguese East Africa"!! E esta hem? Amanhá há mais. Tenham um bom fim de semana.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Dayli Log-Reunion/Richard Bay 05

Cerca de 150 milhas em 24 horas foi o resultado das acelerações durante o dia de ontem. E não foram mais porque no "chat" das 21 horas (trocamos informações às 9 e às 21 horas diariamente em SSB) o previsor privado do Lady Lisa (quem pode pode) transmitiu-lhe um "gales warning" (aviso de vento muito forte, para os menos entendidos nestas coisas) para a noite e numa área onde nós iamos entrar daí a 2 horas. Perante estas informação decidimos reduzir o pano para o mínimo o que trouxe o andamento do barco para pouco mais de 4 nós e aguentar. Na realidade o vento andou toda a noite entre os 28 e os 35 nós mas não mais do que isso e isto apanhámos durante vários dias na travessia para as Maurícias. Durante a madrugada perguntei a um tanker que passou perto (é muito intenso o trafego nesta zona, o AIS não descansa) se havia algum "gale warning" pois, não havia e o resultado foi termos andado muito pouco durante a noite e termos sido massacrados por um mar grosso provocado pelo vento. Foi mais uma "noite fantástica"! De manhã retomámos a normalidade aproveitando o vento acima dos 20 nós e voltámos a andar depressinha até aos 45E onde como estava previsto o vento caiu para os 12/15 nós e o mar acalmou,finalmente. As previsões apontam para que estes parâmetros se mantenham durante os próximos dias sendo que há uma frente fria que no Sábado vai estar a 100 milhas de Richard Bay com ventos e ondas fortes na zona da corrente das agulhas e, ninguém de bom senso se mete numa área destas. Nós devemos lá chegar na 2º Feira em sossego espero eu e atracar em Richard Bay na 3º Feira. Fiquem bem.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Um homem bom deixou-nos

Depois de uma terrível doença e de muito sofrimento o pai da Ana (a patroa do Thor VI) acabou de falecer. 
Aos 83 anos e depois de uma vida dura com sucessos e insucessos um HOMEM BOM deixou-nos. 
O mundo fica mais pobre. Que bons ventos o acompanhem.

Dayli Log - Reunion/Richard Bay 04

Como tinha previsto ontem as "coisas" melhoraram mas pouco já que nas ultimas 24 horas fizemos 117  milhas. Uma miséria! Mas como não há mal que sempre dure, hoje tudo é diferente o vento rodou e refrescou imenso de tal forma que está nos 25/30 nós, o mar alterou-se mas a mareta está na popa e a corrente Sul do Equador finalmente mostrou-se e estamos a andar desde as primeiras horas da manhã que nem loucos - picos de 10 nós são frequentes - vamos ver o resultado disto amanhã. É disto que o povo gosta minha gente. Estamos a passar a Sul de Madagascar deixando a estibordo um waypoint que a organização determinou (26ª 00´S 047ª 00´ E) por questões de segurança já que não é muito aconselhável passar muito perto do extremo Sul da Ilha pelas condições do mar e actividade de pesca. Entretanto mesmo com estas condições o João conseguiu fazer um lauto almoço com mais um pedaço do dourado. Hoje foi dourado de caldeirada e estava absolutamente fantástico, e ainda há peixe. Cuidem-se.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dayli Log - Reunion/Richard Bay 03

Como tinha previsto o dia de aniversário acabou por ficar marcado como o dia mais lento desde que saímos de Lisboa, o dia em que o Thor fez menos milhas em 24 horas. Ficou-se pelas 112 milhas, um desconsolo total mas com 8/10 nós de vento, uma mareta de 1,5 mts contra e ainda uma corrente contra e mareado a uma bolina cerrada nada havia a fazer. Andar à vela também é assim. Hoje as coisas melhoraram um pouco, o vento rodou para Sul, refrescou ligeiramente, o mar acalmou e está quase flat e a unica que se mantem é uma correntezinha contra que não está a ajudar nada. Por este andar chegamos a Richard Bay lá para 9 e não a 8 como tinha previsto. Mas o grande acontecimento do dia foi pôr a linha da pesca na água, por sugestão do João, e com uma amostra nova porque a minha preferida está toda mordiscada e tem o anzol torcido de uma ultima valente dentada. Pois não é que um belo dourado ou mahi-mahi se enfeitiçou com ela e zás vai uma dentada. E pronto tramou-se apesar de ter dado alguma luta até o conseguir trazer ao deck do Thor. Não foi fácil até porque o bicho tinha aí uns 20 kilos e estava cheio de vida. Depois o João armou-se de uma valente faca e tirou-lhe uns belos lombos que já deram para o almoço e há muito peixe para mais umas quantas refeições. Mais uma experiência na estadia do João que agora está a dar voltas à cabeça para arranjar receitas a condizer com a qualidade do animal. E está feito mais um dia nesta travessia para a África do Sul. Devagar se vai ao longe, é verdade mas demora muito tempo. Cuidem-se

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A explicação

Desculpem por ir em inglês. É a explicação para o mau tempo na travessia Cocos/Mauricias.
Having recently completed the Cocos Island to Reunion crossing, I thought you may be interested to know that the rough weather you encountered was just the start of what is turning into an early and active cyclone season. Since your passage a category 1 cyclone formed then died midway between Cocos and Mauritius. And now we have Category 2C Anggrek threatening Cocos Islands with the prospects being that it will be Category 3 by the time it gets close to the islands. Cocos rarely experiences cyclones of this intensity. The current warning indicates the winds around Anggrek are likely to average near 80 knots with gusts to 115 knots close to the time the cyclone is due to pass by Cocos Islands - around this time tomorrow. So it is very good that you are all safely heading across towards Richards Bay at the moment. The reason for this abnormally early and active cyclone season is that the Indian Ocean Dipole ( a large scale oscillation of the ocean and atmosphere) is in a phase that produces abnormally warm water in the region from Cocos Islands across to Sumatra where these cyclones first form. Fortunately this same pattern keeps the Mozambique Channel quiet at this time of the year.

Dayli Log - Especial Aniversário

Faz hoje 1 ano que o Thor VI largou amarras do Porto de Recreio de Oeiras pelas 11H00 da manhã. Um  no depois estamos em pleno Oceano Indico a 250 milhas do extremo sul de Madagascar a caminho de Richard Bay na África do Sul. Tem sido um dia lento com tudo contra, o vento (pouco) o mar e a corrente e se nas ultimas 24 horas não fizemos mais de 123 milhas hoje deverá ser bem pior. Mas não há nada a fazer senão esperar que as condições mudem. Foi portanto um dia de aniversário bem aborrecido e pouco confortável - esta mareta dá com o Thor em maluco - mas para trás ficam, para já, umas belas recordações e a certeza de uma experiência extraordinariamente enriquecedora sobre todos os aspectos. E se a 01 Nov 2009 o log. do barco marcava 5.283 milhas, hoje marca 27.829 milhas ou seja neste ultimo ano fizemos 22.546 milhas das quais 19.059 só neste ano de 2010. Mas ainda faltam um par delas! Aproveito para agradecer o apoio que todos vós de uma maneira ou de outra me têm dado. Bem hajam.

domingo, 31 de outubro de 2010

Dayli Log - Reunion/Richard Bay 02

Cerca de 130 milhas foi a distância percorrida nas primeiras 24 horas. Pouco para o que estamos habituados mas o vento está muto fraco não ultrapassando os 10 nós. E hoje também não foi melhor foi um dia muito calmo de vento e de mar. Ainda conseguimos andar um bom par de horas à vela mas devagar, muito devagar. Mas como diz o ditado que devagar se vai longe assim nós esperamos chegar "longe" isto é a Richard Bay, talvez não tão depressa como julgávamos. Como já devem ter reparado (?) o visual do blog foi mudado e foi acrescentada uma "figura". E quem é esta figura ? Não é o Asterix, nem o Obelix nem nunhum desses artistas menores mas sim o Thor, sim o "próprio" o deus do martelo (e lá está ele à mão de semear) e do raio numa mão e na outra, uma cerveja porque é uma versão moderna e actualizada. E pronto agora que estão informados não chamem nomes ao Sr. Cuidem-se

sábado, 30 de outubro de 2010

Dayli Log - Reunion/Richard Bay 01

Já aqui vamos mar fora depois de uma partida menos má com uma boia de desmarcação que deu alguma luta. Depois metemos o parasailor durante toda a tarde e mesmo assim andamos pouco porque o vento está fraco. Ao fim da tarde o vento rodou mais para NW com 10/12 nós o que com o pano todo nos dá uns 6 nózitos o que não é muito mas é o que se pode arranjar. Cuidem-se

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Dayli Log - Reunion 02

Amanhã vamos embora. Esperam-nos cerca de 1350 milhas com pouco vento nos 2 primeiros dias algum mar desencontrado a acreditar nas previsões e assim, lá para 8/9 de Novembro devemos chegar a Richard Bay. Para trás fica uma ilha (mais uma!) bonita, francesa nos hábitos e nos preços, com um toque de "k´reole" que lhe dá um "sabor" especial e bem interessante. Se quiserem saber mais usem http://iledelareunion.net/ A tripulação do Thor volta aos padrões normais comigo e com o João, já que a Zeca Sã da Bandeira regressa hoje a Lisboa. Foi pouco tempo mas foi uma excelente companhia e que julgo que se divertiu imenso mas teremos aqui, dentro de algum tempo as suas impressões. O Thor está pronto com praticamente tudo a 100% até o comando com fio do piloto automático que estava avariado desde a Austrália foi arranjado (por esta eu não esperava mas um habilidoso conseguiu descobrir o problema e reparou-o). E pronto da Ilha da Reunião beijinhos e abraços. Nós vamos dando notícias. 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Dayli Log - Reunion 01

A grande novidade (ou não?), foi mais um aviso de Tsunami (e vão 3). Esta noite cerca das 4 da manhã fomos despertados pelos elementos dos "customs" com um aviso de tsunami provocado por um terramoto ao largo de Sumatra. A cena do costume, preparar o barco para sair de imediato - tirar as bandeirinhas e todos os adereços, fixar o dinghy, etc - e esperar que alguém explicasse melhor o que se estava a passar. Até ao momento em que estou a escrever (cerca das 11:00 locais) não há mais informação das autoridades locais que se limitam a desaconselhar as saídas para o mar, estranho porque se há sitio seguro é no mar e não numa pequena marina !! Entretanto e logo que tivemos acesso à net confirmámos que houve um tsunami, que foi sentido ligeiramente nos Cocos Keeling, mas que o aviso de tsunami foi cancelado há muito. Por aqui tudo continua na mesma, enfim coisas que não se entendem, mas como o importante (parece) são as greves ... está tudo bem. Nós por cá continuamos metidos numa marina longe de tudo (foi preciso alugar um carro) e esperamos ter oportunidade de conhecer um bocadinho melhor deste "recanto" da Europa. Sim porque isto aqui é França ou parece ! e pela quantidade de investimentos comparticipados pela EU até deve ser mais Europa que muitos sítios que nós conhecemos. Coisas da política que a razão desconhece!!! Cuidem-se.

domingo, 24 de outubro de 2010

Dayli Log - Maurícias/Reunion

Afinal antes de partirmos e na manhã de Sábado assistimos a uma cerimónia de benção da frota. Foi um momento fantástico pois na mesma mesa estavam sentados um representante da igreja católica, um muçulmano, um hindu, um chinês e um judeu e cada um deles fez a sua reza e a sua benção. Foi um momento marcante em toda esta viagem, um exemplo de diversidade e aceitação da diferença. Foi uma forma bonita de sairmos das Maurícias. E saímos, com a tripulação reforçada e em estilo com uma partida excelente "a cavalo" do Wild Tigres" e do Grand Filou, pouco depois subimos o parasailor e durante um par de horas foi divertido, depois e repentinamente o vento rodou e depois desapareceu e durante cerca de 1 hora andámos aos papeis, a seguir o vento voltou, aumentou e foi um fartote toda a noite com andamentos entre os 7 e os 8 nós. Com isto chegámos às 08:42 locais, cansados porque o Indico continua um "ossinho" difícil de roer com uma "mareta" muito desconfortável, moendo-nos o corpinho e durinha para o piloto automático. E ainda faltam um pouco mais de 2 mil milhas para deixarmos o Indico para trás e também para o intervalo que todos já desejamos e que vou aproveitar para ir a casa recarregar baterias e ver as "minhas pessoas" e os meus "rapazes pequenos". Há quase um ano que ando nisto, por vezes deito o barco pelos olhos e está na altura de fazer um "brake" e respirar outros ares e o mês de Dezembro vai ser para isso. O barco vai ficar em Cape Town e eu vou voar para Lisboa regressando nos primeiros dias de Janeiro. Novo ano vida velha pois nessa altura ainda faltam um par de milhares de milhas para regressar a Lisboa. Cuidem-se que nós vamos explorar um bocadinho esta ilha.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Dayli Log - Maurícias 03

Estão no fim estas férias. Na realidade têm sido uns dias de verdadeiro "dolce farniente", de algum turismo - afinal as Maurícias têm mais para ver do que se esperava - bons petiscos e muito descanso. Mas está no fim, amanhã partimos para Reunião, um saltinho de 130 milhas numa magnífica noite de luar com previsões de pouco vento, planeando chegar na manhã de Domingo. Até lá beijinhos e abraços.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Dayli Log - Maurícias 02

Há já uma semana que aqui estamos atracados praticamente no meio de um centro comercial.
Tmos tido um "descanso activo", ou seja temos um ritmo de vida calmo e sereno sem horas, com excelentes e lautos almoços e jantares, mas aproveitando o tempo para manutenção e reparações porque o barco chegou com alguns pequenos problemas que foi preciso resolver. E hoje, uma semana depois está tudo resolvido, limpo, verificado e pronto para ir para o mar novamente. Entretanto chegou a Zeca Sá da Bandeira, a mulher do João, que nos dá o prazer da sua companhia até Reunião para onde partiremos no Sábado 23 Out. num "saltinho" de 130 milhas. Nos próximos dias viramos mais turistas e iremos explorar um bocadinho desta ilha.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dayli Log - Maurícias 01

Localizada na costa Sudoeste do Oceano Índico, aproximadamente a 230 kms da Ilha Reunião e a 860 kms de Madagáscar, Maurícias tem uma área de 1.872 kms quadrados com um planalto central que sobe até aos 600 metros acima do nível do mar e 330 kms de costa. De origem vulcânica é a segunda maior ilha do Arquipélago Mascarenhas protegida do mar pelo terceiro maior recife e coral do mundo. O clima é moderado tendo a parte central de ilha uma temperatura média durante o dia de 20º em Agosto e 26º em Fevereiro e ao nível do mar as temperaturas são 3 a 5º superiores ao planalto central com as costa Oeste e Norte normalmente mais quentes que a zona Sul e Este. Seja no século 10º ou 21º a ilha Maurícias continua sendo a pérola do Oceano Indico, "Dina Mozarre" ou "Dinarobin" a ilha de prata era como os primeiros navegadores árabes lhe chamaram quando a descobriram no século 10º. Em 1505 quando os portugueses e Pedro de Mascarenhas - que deu o nome ao arquipélago - redescobriram a ilha chamaram-lhe "Cob Island". Depois de nós, portugueses, a ilha foi sucessivamente Holandesa (1598/1710), Francesa (1715/1810) e entregue pelo tratado de Paris aos Ingleses em 1814 até que as Maurícias se tornaram independentes a 12 de Março de 1968 com a republica a ser proclamada em 12 Março de 1992. A forma de governo é uma democracia parlamentar copiada de Westminster com 62 deputados eleitos por 5 anos por sufrágio universal. Nas Maurícias  existem vários grupos étnicos de diferentes origens, indianos, a grande maioria, africanos, europeus e chineses numa mescla de culturas, tradições e línguas. Hoje a língua oficial é o creolo apesar da maior parte da população ser francófona e do inglês ser a língua oficial administrativa. Maurícias evoluiu  de um estado em desenvolvimento para um país industrializado onde o sector terciário se expandiu neste início  do 21º século. Se durante muito tempo a cultura da cana de açúcar foi a base principal da economia, a industria têxtil, os serviços financeiros e as novas tecnologias têm-se desenvolvido e assumido um papel mais importante mas o turismo é, cada vez mais, o pilar da economia das Maurícias. A capital é Port Louis com um ar moderno e multirracial onde coexistem o templo hindu, a mesquita o pagode e a catedral e Caudan Marina, onde estamos amarrados, é uma original utilização de uma frente de água com os barcos "quase" dentro de um moderno centro comercial. Original e agradável.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

JSB 03

A GRANDE TRAVESSIA. O último dia nas Cocos islands, um Domingo, foi passado na West Island para onde fomos num ferry que, excepcionalmente nos foi buscar ao sítio onde os barcos estavam ancorados. Oportunidade para ir ao supermercado fazer os últimos aprovisionamentos para a próxima etapa, ir à internet no escritório do turismo local que estava aberto só por nossa causa e seguir para um barbecue onde nos serviram uma carne fantástica, australiana, grelhada nas brazas mas metida dentro de uns vulgaríssimos pães de hambúrguer, fazendo-me pensar que não há nada melhor que o pão alentejano. E depois disto, e como se não estivéssemos de barriga cheia, tivemos a oportunidade de participar numa festa da comunidade local, chamada “cheese & wine festival”. Muito animada, com alguns cheeses e muito wine e música ao vivo desempenhada por um conjunto de três aborígenes, daqueles mesmo muito feios, que depois de uma música muito interessante que falava das suas origens e da sua vertente animista (the winds are my spirit and the waters reflect my dreams…) com uma dança adequada a acompanhar, nos surpreenderam com um reportório de músicas completíssimo que pôs toda a gente a dançar e a pular. Tudo muito animado porque cada um tinha um cartão que lhe dava direito a dez bebidas… eu só bebi três mas houve quem as bebesse todas e mais algumas o que fez com que o regresso aos barcos tivesse sido uma viagem muito divertida. Tudo isto se passa ao ar livre, apenas com umas tendas de pano por cima das nossas cabeças, e no meio de fortíssimas chuvadas tropicais. E como estamos mesmo num clima tropical, era ver as crianças da comunidade a saltarem para a chuva, divertidíssimas, encharcadíssimas, com os pais, embevecidos e protegidos debaixo das tendas… Isto passava-se na véspera da nossa partida. Chegámos ao barco pelas 18,30, já noite, e, como eu tinha deixado a janela da minha cabine meio aberta, porque de manhã estava bom tempo, tinha tudo ensopado pelas chuvadas que tinham caído durante o dia. E no dia seguinte partimos para a etapa das 2.350 milhas náuticas (cerca de 5.000 Kms) até à Ilha Maurícia. E aqui, o Índico fez-me pagar caro a minha ousadia de o desafiar. Apanhei a etapa mais difícil que o Thor VI encontrou desde a sua saída de Lisboa no ano passado. Tivémos oito dias (8) seguidos com um vento superior a 30 nós (+50Kms/h) com ondas de 4 a 6 metros e, nalgumas vezes o vento ainda passou os 35 nós e chegou aos 40, com alguma chuva pelo meio… Uma experiencia fantástica. Já tinha tido anteriormente o prazer de apanhar algumas horas de vento constante e certinho que fazia o meu barco andar veloz e ligeiro ao longo da nossa costa. Mas oito dias seguidos, sem interrupção!!! Apanhámos então os alíseos do hemisfério sul, do quadrante Sueste que nos entravam quase pela poupa arrasada, acompanhados de uma ondulação também pela alheta de bombordo e de uma vaga incerta e inconstante que nos proporcionou uma média fantástica de mais cerca de 170 milhas por dia, mas uma mareação desconfortável, difícil e cansativa. Depois o vento baixou um bocadinho, primeiro para os 25 e depois para os 20 nós e só no último dia, precisamente aquele em que estamos desejosos de chegar, é que caiu obrigando-nos a uma últimas horas de motor. E assim passaram 14 dias. No meio disto tudo, navegámos, dormimos, cozinhámos e estabelecemos uma rotina que fazia passar os dias. E há tempo para tudo, para ler, para pensar, para fortalecer recordações, para ver uma vida que começou há tanto tempo mas que continua, para estabelecer novos horizontes pessoais. Mas foi uma travessia heróica!! Não há dúvida que a principal razão que me levou a entrar nesta aventura é mesmo válida: aproveitar uma oportunidade que, decerto, não voltaria a ter. A primeira impressão da Maurícia é boa. Muito movimento, muita gente, quase todos indianos mas com hábitos ocidentais bem patentes e enraizados e um aspecto de terra desenvolvida e pujante com muita actividade. Mas isto é só uma primeira impressão. Depois contarei mais. Saudades a todos

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 15

Pronto, esta já está. O Thor atracou na Caudan Marina cerca das 15:30 de 11 Out. - 14 dias e 8 horas desde a saída de Cocos Keeling para fazer cerca de 2450 milhas - depois de uma noite muito lenta por opção própria porque o barco estava a bater muito e de uma aproximação a Port Louis contra a corrente mas a desfrutar a costa Norte das Maurícias onde avistámos uma baleia. Depoias foram as formalidades normais com alguma rapidez e simplicidade, diga-se, um grande almoço em terra em conjunto com os Kalliope e um jantar com os Eowyns. Não fazemos as coisas por menos! A roupa está a lavar, o barco está praticamente seco e vamos descansar que bem precisamos. Eu, pelo menos sinto-me extremamente cansado. Beijinhos e abraços.

domingo, 10 de outubro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 14

Digo-vos que o Indico é mesmo duro de roer. Estamos no ultimo dia, o vento de SE estava a cair, o mar a acalmar e tudo apontava para um final calmo e sossegado. Pois era, mas esta madrugada o vento virou a SW por causa de um vale depressionário que passa pelas Maurícias - isto diz o australiano que é perito em prognósticos no fim do jogo e que explicou logo o que se está a passar, mas não previu coisa nenhuma - e o resultado foi passar a navegar em bolina folgada e com o mar pela frente e partido. Resultado o Thor está a andar muito bem mas com muita "porradinha" (!) que era o que nos estava a fazer falta. Com isto tudo temos uma chegada prevista amanhã no fim da manhã. De resto o tempo até nem está mau, com um céu azul completamente limpo e uma visibilidade infinda. E nós estamos bem ainda que algo ansiosos de chegar pois tem sido uma travessia bastante dura. Agora faltam cerca de 100 milhas e as Maurícias são já ali.

sábado, 9 de outubro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 13

E porque hoje é Sabado nós continuamos rumo a Port Louis nas Maurícias, agora a faltarem já menos de 300 milhas. Hoje de manhã passámos a cerca de 20 milhas a Norte de Rodrigues Island uma das 3 ilhas - Rodrigues, Maurícias e Reunion - a que nós portugueses chamámos Ilhas Mascarenhas. É mais um sinal de tantos de como os portugueses foram importantes nestas áreas que cruzámos recentemente. No entanto, hoje e por estas bandas a nossa bandeira ou o país só é reconhecido e por alguns, por causa de um artista da bola! É pena. O dia amanheceu chuvoso com uma chuva miudinha que tem alternado com as boas abertas, o vento amainou para os 15/20 nós o que dá ao Thor uma velocidade, com o pano todo, de 6,5/7 nós e o mar também se acalmou acabando por estar um dia bem agradável. Assim fizemos ligeiramente mais de 160 milhas nas ultimas 24 horas o que é bem bom. Entretanto o Miguel Oliveira (meridiano 10/Wilma) mandou-me um mail com as médias do Thor nos primeiros dias de Outubro. E vejam só - 01Out/7,7 nós; 02Out/7,3 nós; 04Out/7,4; 05Out/7,0; 06out/6,8. Daqui ressalta a média atingida a 01 Out que fica para mim como um dia louco, particularmente a noite de 30 para 01 com um vento e um mar fortíssimo e com o Thor a voar por cima daquilo tudo. Devo confessar que pela primeira vez na minha vida vesti colete de salvação, pois a noite estava muito escura, o barco ia muito depressa e todo rizado e batia e saltava sem se saber em quê. Errado dizem daí os mais puristas da coisa e com razão porque o colete é para ser usado sempre e não só em situações limites, mas eu também não sou perfeito. Façam o que eu digo e não o que eu faço! Entretanto o Miguel também deu um palpite para o ETA mas aí enganou-se porque estamos a andar mais que a média em que se baseou e a manterem-se as condições - os barcos da frente estão a apanhar zero nós de vento - devemos atingir a ponta Norte das Maurícias lá para 2ª Feira de manhã e Port Louis a meio do dia. Até lá aproveitem bem o fim de semana.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 12

Voltou o rebanho grande de carneiros! Depois de uma madrugada radical o dia amanheceu meio cinzento mas progressivamente foi limpando e ficou um dia de sol lindo mas, com vento, muito vento e mar a condizer e particularmente partido e desordenado. Com isto o Thor anda que se farta mas abana muitíssimo tornando a viagem extremamente cansativa. Temos desligado o piloto automático e levado o barco à mão na tentativa de assim controlar melhor os solavancos, o que dá resultado, e também para poupar o PA que não tem feito outra coisa senão trabalhar e ainda vou precisar muito dele! De pesca nada! Ontem ainda houve um ameaço pois já ao fim da tarde houve "algo" que fez disparar o carreto, depois largou, quando eu julguei que se tinha partido, voltou a "esticar" e largou novamente. Quando recuperei a amostra nada se tinha partido, estava tudo completo mas o anzol estava torcido parece que por um alicate. E esta hem? Mas se não há peixe há carne e tivemos ao almoço uma excelente carne à jardineira fruto da habilidade e do equilíbrio do João na cozinha. Um sucesso ! E pronto as previsões são de abrandamento do vento - mas já ouvi isto não sei quantas vezes - o que não era preciso, porque bom bom é que o Indico se acalme e nos deixe andar depressa e descansados porque as Maurícias são já ali.

Dayli Log - Cocos/Maurícias 11

E o Indico veio cobrar as taxas ! Esta madrugada fomos atingidos por um forte aguaceiro (squall) e depois de uma onda maior ter caído na popa verificámos que a boia que aí estava fora arrancada e estava presa pela retinida e que a balsa, com suporte e tudo, fora arrancada da balaustrada e desaparecera. Pois foi, o Indíco veio cobrar portagem pela nossa passagem e como não havia mais nada levou a balsa. Entretanto a boia foi recuperada e não houve mais estragos. O tempo continua incerto e instável com o mar a engrossar particularmente durante a passagem dos "squall" e andam por aqui uns quantos. E com isto tudo já faltam menos de 500 milhas. Com calma lá chegaremos.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 10

Mais cerca de 165 milhas e aí vai o Thor a caminho de Port Louis. E hoje já fizemos 59 milhas em 8 horas fruto de umas acelerações que uns "squals" que por aqui andam, nos deram. E trabalho também porque vinhamos com o pano todo em cima e de repente toma lá mais de 30 nós e foi preciso deitar mão à coisa senão tinhamos material estragado. O tempo está incerto com vento muito variável e alguma instabilidade. Correu tudo bem, sem problemas, mas ainda levámos uns borrifos. Entretanto o barco continua a secar e está quase mas há muito trabalhinho a fazer quando chegarmos. O gerador também não quer colaborar - julgo que a culpa é minha que devo ter metido oleo a mais - e um indicador visual de vento que estava no topo do mastro desapareceu, julgo que o vento o levou. Entretanto a amostra passou o dia todo na água, mas nada ! Aliás o Indico aqui tem muito pouca vida, não se vêem aves e até os peixes voadores só se vêem muito esporadicamente. Ontem 06Out foi "vencida" outra efeméride, pois fez 1 (um) ano que deixei de fumar. E esta hem! E pronto por hoje é tudo. Beijinhos a abraços

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 09

Mais um dia ou menos um dia? Uma coisa e outra, já que é mais um dia que aqui andamos - e vão 10 - e é menos um dia que falta para o destino e serão 5 segundo os meus cálculos baseados nas previsões que recebi hoje. Se as coisas se mantiverem - vento, mar, correntes - e continuarmos a fazer 150/160 milhas por dia deveremos chegar a Port Louis dia 11Out, 2º Feira ao fim da tarde princípio da noite. Está quase ! Entretanto hoje foi dia de barco aberto tentando que o solzinho - sim porque é fraquito - seque o interior do barco. Os resultados não são famosos mas com mais 2 ou 3 dias assim ainda chegamos às Maurícias com o barco seco. E também de verificação ao gerador que teve uns soluços da última vez que trabalhou - e tem sido muito - tendo detectado o nível do óleo baixo o que com os balanços que o barco sofre pode ter originado os soluços. Foram regularizados todos os níveis e para já fica assim, até porque não é fácil trabalhar na locker com o barco aos sacões.Foi testado e trabalhou normalmente. Para animar o espírito e passar o tempo resolvemos por a amostra na água. A minha preferida e que tem tido tanto sucesso mas, pelo menos por agora, nada aconteceu. Amanhã também é dia e gostava que o João conseguisse "agarrar" um peixe. Esperem pelos próximos capítulos. Cuidem-se

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 08

E ao nono dia as coisas começaram a acalmar. O dia amanheceu lindo com céu azul, vento na casa dos 20 nós e um mar bastante mais calmo, ainda não de senhora (ou de Almirante?) mas para lá caminha. Já deu para abrir os albóis sem o risco da entrada de uma golfada de água, o que melhorou o ambiente interior do barco - que está uma lástima - e até almoçámos ervilhas com ovos escalfados e bacon, fruto da habilidade do João que está um verdadeiro artista. Tudo isto melhorou o nosso estado de espírito e já não era sem tempo! As singraduras mantêm-se nas cerca de 170 milhas/dia e com isto tudo faltam (só!) cerca de 900 milhas mas com este bom tempo é num instante que chegamos a Port Louis. Mais notícias nos próximos capítulos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 07

Há uma semana que aqui andamos e outra ainda nos espera até chegarmos às Maurícias. O dia amanheceu com chuva de uma série de aguaceiros que por aqui andavam, depois o Sol, meio envergonhado, lá afastou as nuvens e um céu azul encheu o nosso dia. Do vento é que não há melhoras, antes pelo contrário, está mais agreste quase sempre acima dos 30 nós e do mar então nem se fala. O Indico está completamente partido, trapalhão com ondas enormes, rendilhado de espuma branca - aí chamamos-lhe "carneirinhos" mas aqui devem ser carneiros ou bodes velhos pela força que apresentam - que se não fosse estarmos aqui metidos no meio até podia ser bonito. Assim há que aguentar e continuar com as nossas rotinas - hoje almoçámos esparguete com molho de marisco, com o João a fazer milagres nesta cozinha esvoaçante - a andar bem, fizemos 60 milhas das 09 às 17 horas e a esperar que as coisas melhorem para ter algum sossego. Talvez quando chegarmos às Maurícias, quem sabe. Beijinhos e abraços.

domingo, 3 de outubro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 06

Na frente do Indico nada de novo. O Sol já aparece com mais frequência, a chuva limita-se a um chuvisco ou outro e o vento está ligeiramente mais forte ou pelo menos com picos mais altos. E o mar está de acordo com o vento, claro, trapalhão, bruto, de um azul frio com ondas, vagas e coisas parecidas vindas de todo o lado e enormes. O Thor parece uma casca de noz mas reage lindamente, progredindo muito bem. Estou só com a genoa grande com um rizo e continuamos a fazer cerca de 170 milhas/dia o que, a continuar, nos vai levar a Port Louis lá para 11 quando o meu planeamento apontava para 12. Bem bom! E no meio disto tudo vão 2 "seniores" (gosto desta palavra) tentando equilibrar-se e agarrar-se o melhor possível, o que não é fácil de todo. No entanto o João continua a conseguir cozinhar no meio deste desequilíbrio permanente! A frota continua muito espalhada, não há ninguém ao alcanse do VHF (20 milhas) e os barcos da frente que estão a cerca de 500 milhas das Maurícias já reportam grande melhoria no mar e diminuição do vento, ou seja isto vai melhorar!! E pronto espero que tenham tido um grande fim de semana. Novos desenvolvimentos nos próximos capítulos se este computador conseguir ficar quieto um bocadinho. Thor VI over and out

sábado, 2 de outubro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 05

6º dia de viagem e as previsões confirmam-se, estamos já livres da zona de baixas tropicais e portanto passou a chuva e as trovoadas (que nunca vimos!) mas mantém-se o vento, agora originado numa enorme alta que está lá para os 30S. Isto ou é das baixas ou das altas mas bom nunca está, parece! Na realidade estes "trade winds" estão na casa dos 30 nós para cima e como correm uma enorme superfície do Indico provocam um swell (ondulação, mareta) muito forte. Portanto continuamos num embalanço bruto - e pelos vistos vamos continuar mais uns dias e nem me arrisco a dizer quantos - mas como contrapartida andamos que nos fartamos. Nas ultimas 24 horas fizemos mais de 180 milhas e hoje em 9 horas já fizemos 72 milhas. É obra mas não imaginam o que é viver no barco com esta situação ou p.e. escrever no computador, mas lá vamos andando e julgo que quando o mar estiver flat vamos enjoar! E pronto por hoje é tudo. Cuidem-se

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 04

Nós cá continuamos e parece (!) que o pior já passou. Nas últimas 36 horas a chuva praticamente desapareceu, ontem até o vento amainou, e hoje durante a tarde até um raiozinho de Sol apareceu e umas nesgas de céu azul se vislumbraram. Nada de especial mas já foi um bom indício. Hoje o vento também refrescou um pouco em intensidade, tem andado na casa dos 30 nós e em temperatura que caiu significativamente, prova que deixámos de estar debaixo das "tropical lows" e que estamos já a latitudes bem altas (17S). O mar continua bastante grosso resultado do vento que se faz sentir mas o Thor que não se dá mal nestas condições saltita de onda em onda e bem depressinha - nas ultimas 24 horas fizemos mais de 170 milhas e hoje vai pelo mesmo caminho, o que confirma o que eu li, uma travessia rápida mas dura - e nós temos que aguentar o que tem acontecido até sem grandes problemas, as rotinas estão instaladas agora é deixar andar. Até o João tem conseguido cozinhar numa cozinha baloiçante e com resultados excelentes. Um espectáculo! Pelo que oiço os lamentos são gerais, toda a gente a queixar-se do tempo e do mar e há mesmo algumas avarias. A frota está espalhada por mais de 300 milhas e hoje de manhã toda a gente estava com mais de 30 nós de vento, é obra. As previsões apontam para uma melhoria durante o fim de semana com abaixamento do vento e do mar - o pobre do Indico está mesmo trapalhão - e um bocadinho de Sol, que nós tanto precisamos para secar isto tudo que por aqui anda. Do meio do Indico beijinhos e abraços

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 03

Chuva, chuva e mais chuva, com vento acima dos 30 nós e um Indico grosso, muito grosso é a fotografia das últimas 36 horas. O barco, as almofadas, os colchões, a nossa roupa estão encharcadas, ou molhadas ou na melhor das hipóteses húmidas. Uma verdadeira lástima e nem sei quantos dias de Sol vão ser precisos para secar isto tudo. Entretanto já estamos mais ou menos apontados às Maurícias e nos 16º 30´ S pelo que vamos ainda escorregar um bocadinho mais até aos 17º S que foi o conselho do "bruxo" da meteorologia para fugir já nem sei de quê porque não podiamos apanhar pior tempo que este. E parece que isto se vai manter mais 2/3 dias. Com esta ventania toda o Thor parece voar por cima destas montanhas de água - como nunca tinha visto, ao vivo e a cores - e fez cerca de 170 milhas nas últimas 24 horas, à nossa custa que andamos para aqui aos tombos e quase nem comer conseguimos porque não há condições para nada.O Indico está a ser um osso duro de roer! Eu palpitava-me uma travessia difícil, mas não tanto. Haja paciência!! Cuidem-se.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 02

A primeira noite foi uma noite e peras. Muito vento, muito mar, muitos saltos, alguma chuva e com isto tudo fizemos cerca de 175 milhas nas últimas 24 horas (07:30/07:30). Foi andar bem depressinha e durante a noite chegámos aos 9 nós empurrados por 40 nós de vento de um enorme aguaceiro. Depois desta adrenalina reduzi pano para podermos descansar porque o barco estava muito desconfortável, que o diga o João que como ainda não está completamente "marinizado" sofre mais com estes desconfortos. Eu, que já devo ter escamas e guelras, na opinião do meu querido "marujinho", resisto melhor a isto tudo . Mas tudo se passou bem e durante a manhã o tempo melhorou bastante, mas agravou-se durante a tarde quando voltou a chuva. O vento baixou e a nossa velocidade tem andado pelo 6,5/7 nós. E assim se está a passar o 2º dia desta maratona. Este tempo deverá durar mais 2 dias, melhorando depois logo que passemos esta área de instabilidade. Do meio do Indico beijinhos e abraços.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Dayli Log - Cocos/Maurícias 01

Eram 06:45 da manhã quando levantámos ferro e às 07:30 estávamos a sair da lagoa de Cocos Keeling Island. Finalmente digo eu que não tenho desta paragem muito boas recordações. Senão recordemos, foi o motor do fora de borda que me ia "lixando" (desculpem o termo mas ...") , foi a vigarice com a história do combustível, foi a chegada com uma chuva torrencial, um vento forte e um ferro a não querer agarrar, foi um reabastecimento de víveres complicado, uma meteorologia muito instável até por estar cerca da zona de convergência tropical e ontem Domingo para acabar saímos do barco de manhã com um dia de sol, para West Island onde havia um BBQ e um "wine and cheese festival". Correu tudo muito bem, boa comida, muito muito vinho e uma tarde inteira de chuva torrencial. Resultado disto tudo, quando regressámos de ferry havia uma bebedeira quase generalizada e com sorte ninguém se aleijou e quando chegámos à ilha os dinghys estavam completamente cheios de água. Foi giro!! Nós, depois de vazar o dinghy lá chegámos ao barco e tivemos a surpresa desagradável de ter o barco todo encharcado, particularmente a cabine da proa. Tinhamos deixado quase tudo aberto e o resultado foi uma desgraça. Foi deitar mãos à obra e tentar limpar o mais possível para arranjar sitio para descansar, principalmente o João. Estávamos nisto quando sentimos um embate. Algo tinha batido no Thor, saltámos lá para fora e o Thor estava encostado à proa do catamaran "Destiny". Tinhamos garrado ! Como ou porquê não sei, não ouvi nenhum ruido, nem senti nenhum balanço, simplesmente o barco deslizou cerca de 50 mts até se encostar ao outro. Não houve danos apenas o susto e a perplexidade da situação. Depois disto foi reposicionar o barco, comer uma bela sopa que o João tinha feito e tentar descansar porque queriamos sair bem cedo, finalmente. Hoje logo aos primeiros alvores ala que se faz tarde, estou farto de Cocos Keeling! Temos andado bem depressa sempre acima dos 7 nós empurrados por um vento entre os 20 e os 30 nós com um mar muito trapalhão e dificil e com aguaceiros uns
atrás dos outros. Não tem sido um dia fácil mas pelo menos já estamos a mais de 50 milhas de Cocos apontados a Sul como o nosso "weather man" aconselha para fugir a uma área de grande instabilidade que está na rota directa. E pronto, com o Thor aos saltos e aos tombos cá vamos a caminho das Maurícias.

domingo, 26 de setembro de 2010

Dayli Log - Cocos 05

Está quase no fim esta estadia aqui em Cocos Keeling. Ontem Sábado as previsões recebidas do nosso "weather man" lançaram a confusão na frota, o pobre do homem não tem acertado uma e agora veio com uma previsão com termos pouco técnicos que alarmou tudo e todos. Se fosse eu a pagar-lhe já estava despedido! O resultado foi que o Tucanon, o Drammer e o Eowyn largaram a toda a pressa - o Eowyn finalmente vai chegar antes do Thor às Maurícias - e mais três americanos saíram hoje de manhã. Pedi apoio às "minhas pessoas de confiança" em Lisboa e as coisas estão mais claras (obrigado Rija) e assim vamos sair hoje à noite junto com o Kallioppe. A partida formal que era para ser amanhã às 10 horas foi anulada e assim cada um sai quando quiser. Nós vamos sair com o Kallioppe, os outros vão sair amanhã e assim quando perdermos o Kallioppe seremos apanhados pela restante frota e andaremos mais ou menos acompanhados. Por causa da actividade na zona de convergência tropical - a responsável por isto tudo - vamos navegar com rumo mais a Sul do que o rumo directo para nos afastarmos desta instabilidade e depois lá pelos 15º/16º Sul rumaremos então directo a Port Louis. E pronto de Cocos Keeling e com o reabastecimento final em curso beijinhos e abraços. 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dayli Log - Cocos 04

Hoje fomos visitar a outra ponta da lagoa, a West Island, indo de dinghy (que continua a trabalhar bem) até à Home Island e depois de ferry (cerca de meia hora) até à outra ilha. Igual mas maior é o que há a dizer, até tem um aeroporto com voos 2 vezes por semana para a Austrália, 3 hotéis/motéis ou parecidos com isso com algum turismo interno dos maluquinhos do kit-surf e windsurf. Aqui ninguém faz nada porque o governo australiana paga para eles estarem aqui, portanto é essa ocupação. Nos diversos placards espalhados pela povoação são inumeras as ofertas de cursos de formação ou especialização só para ocupar o tempo e justificar mais algum subsídio. É assim a vida nestes paraísos do fim do mundo. Regressámos a meio da tarde e no trajecto de dinghy e já quase aqui a chegar veio uma carga de água das valentes e pronto ficou o duche da tarde tomado, Entretanto à noite nós, os Kallioppe e os Eowyns resolvemos fazer um BBQ aqui na praia. Como choveu quase todo o dia, a madeira está molhada e foi uma carga de trabalhos para conseguir fazer lume, mas como não somos de zessem desistir tanto andámos que lá conseguimos que as brasas se fizessem e a noite foi muito agradável que acabou, mais uma vez, corridos para os barcos por um aguaceiro. Amanhã
6ª Feira há o skippers briefing, no Sábado as formalidades de check out e o reabastecimento final, no Domingo uma festa de despedida local (para nos levarem mais uns $, julgo eu que estou pelos cabelos com australianos) e 2ª Feira aí vamos nós para umas longas 2300 milhas. Até lá beijinhos e abraços

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dayli Log - Cocos 03

Amanheceu a chover e durante toda a manhã foi assim. Uma miséria ! Entretanto o barco foi reabastecido de diesel, por um pequeno bicasco que transporta um depósito de 1000 lts e que vai de barco em barco entregando combustível. Tudo muito bonito e bem feito mas ... a 3,12 dólares o litro (americanos ou australianos, tanto faz mas o câmbio é igual e é para quem quer) ou seja um pequeno assalto à mão desarmada. Eu comprei um chapéu australiano tipo "crocodile dundee" para o sol, mas levo também daqui uns barretes australianos para o Inverno !! Cuidem-se com australianos !!! Depois o tempo melhorou e durante a tarde resolvemos ir a Home Island, de dinghy - depois de um banho de wd40, de umas sopradelas e de uns abanões voltou a funcionar direitinho - juntamente com os Eowyns e com o vhf portátil porque sorte tem-se uma vez e não se pode abusar! Afinal na ilha há um ATM que funciona no Post Office - não lhe chamo "correios" porque me pareceu ser mais do que isso, até vende roupa - há um restaurante que estava fechado mas abriu para nos fazer 5 hamburguers (!) e um supermercado que tem quase tudo o que faz falta. Mas é uma pequena sociedade (120 pessoas) muçulmana muito tradicional que nos trataram com muita simpatia. Alguns, porque outros ignoraram-nos! Fizemos algumas compras de primeira necessidade e regressámos em bem tendo terminado a tarde banhando-nos na praia aqui em frente com uma água nos 30º. Foi um excelente fim de dia. Beijinhos e abraços

Dayli Log - Cocos 02

Cocos Keeling é um pequeno atol com cerca de 14 kms quadrados de área pertencendo desde Novembro de 1978 à Australia. É um grupo de 27 ilhas de coral que formam 2 atol. O atol do Norte é uma simples ilha desabitada o North Keeling Island National Park e o atol principal, em forma de ferradura circundando uma lagoa com 25 ilhas das quais só 2 são habitadas, a Home, com cerca de 600 habitantes e a West Island com 120 habitantes. Nestas 2 ilhas existem um conjunto de serviços mínimos e são como tal uma gota no Oceano a 500 milhas das ilhas de Sumatra e Java, a 1250 milhas a NW de Perth, a 450 milhas de Christmas Island e a mais de 2000 milhas das Maurícias, Ontem quando chegámos alguém me desejou "bem vindo ao paraíso" o que não me pareceu lá muito tendo em conta o vento e a chuva que se fazia sentir. Hoje pela manhã as coisa já tinham outro aspecto e na realidade estamos fundeados numa típica ilha de atol, ou seja uma água duma transparência e inexplicável com variados tons de verde de acordo com a profundidade e uma fauna muito "friendly", ou seja uns pequenos tubarões de ponta negra que muito curiosos por aqui andam, à volta do barco. Já vi disto em pleno Pacífico Sul - Tuamotos e por aí fora - e não esperava voltar a encontrar esta situação em pleno Indico. Enfim não é o paraíso mas parece!Durante a manhã foram as formalidades normais a que já estamos habituados e depois resolvemos ir, de dinghy, a Home Island que é a ilha habitada mais próxima e que está a cerca de 1,5 milhas. Fomos sozinhos, o que não foi boa ideia e quando estávamos quase a chegar o motor do dinghy parou e nunca mais arrancou, os remos partiram-se e a corrente estava forte. Mas algum tempo depois acabámos por ser recuperados por um barco de pescadores locais que viram os nossos sinais e nos foram ajudar a regressar ao barco já que a Home Island ... fica para outro dia. Enfim está tudo bem quando acaba bem, mas foi uma situação complicada face às correntes que se faziam sentir. Mais um episódio "bom" desta aventura. 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dayli Log - Cocos 01

Eram 22 horas e 35 minutos quando o Thor VI cruzou a Finishing Line colocada no exterior da lagoa de Cocos Keeling. Depois foi uma aproximação muito cuidadosa e com ajuda de barcos já fundeados, até ao ancoradoro na Direction Island. Cerca da meia noite estava tudo acabado, depois de por três vezes o ferro não ter agarrado. E isto quer dizer que tive de recolher, por três vezes, vários metros de corrente à mão, o que como exercício de fim de noite não é lá muito agradável, mas foi o que se arranjou. Aliás foi um dia péssimo que amanheceu com um tremendo aguaceiro que encharcou tudo, mas a chuva continuou durante todo o dia e mesmo quando das manobras do ferro agora à noite, chovia. Junto com a chuva, vento bastante forte que se faz andar o Thor também irrita o Indico que fica duma forma que não se pode aturar. Mas já está. Esta primeira tirada Indico adentro está concluída agora vamos descansar e preparar o barco para a grande tirada desta fase. Daqui até às Mauricias serão 2.300 milhas, é obra. Beijinhos e abraços

JSB 02

Cocos Keeling Island. 7 dias de viagem e a sensação é a de um instante !!! Tem sido uma experiência fantástica, para mim, "marinheiro de água doce", se comparado com as 17.000 milhas que o Rui já fez antes da minha entrada. Claro que os primeiros dois dias foram de adaptação a um ritmo diferente e a um balancear que eu julgava conhecer. Digamos que estive dois dias para decidir se haveria de enjoar ou não até que me decidi pelo não e, a partir daí, tem corrido tudo às mil maravilhas. Monótono? Nem por isso. Mesmo o meu quarto de vigia nocturno, as 2 às 6 da manhã, observando velas, rumo, estrelas, nuvens, lua e aguaceiros tem dado também para observar a vida, o mundo, a família. tudo menos o Sócrates e os impostos e a crise. Da cozinha, acho melhor não falar, porque tem estado a meu cargo e, balança muito. Chegámos às Ilhas Cocos no meio de um aguaceiro fortíssimo, com ventos de 25 nós, com um ferro que teimava em não unhar, a ver imensos tubarõezinhos à volta do barco e a ouvir os outros barcos, que já cá estavam, a dizer-nos pelo VHF "welcome to paradise". Mas quando amanheceu, verificamos que estamos mesmo num sítio lindo. Vamos agora ficar aqui uma semaninha explorando esta maravilha e, entretanto, vamos dando notícias. Não há rede de telemóveis, para ir à Internet teremos de ir a outra ilha pelo que o meu contacto com a família também está reduzido mas, "pas de nouvelles, bonnes nouvelles". Beijinhos a todos
JSB

domingo, 19 de setembro de 2010

Dayli Log - Bali/Cocos 06

Mais um dia cinzentão, com alguma chuva e um vento que abana mais o Thor do que o faz andar. Mas as boas notícias é que só faltam um pouco mais de 160 milhas, ou seja amanhã lá pelas 22 horas daqui (mais 7 horas do que aí) deveremos fundear na Direction Island das Cocos Keeling. Para alem disso pouco mais temos a acrescentar pois, felizmente tudo corre bem connosco e num troço onde não faltam problemas um pouco por todo o lado, o A Lady rasgou o parasailor, o Tucanon rasgou a vela grande, o Chessie perdeu o spinnaker, no Eowyn desde a sanita entupida ao fogão avariado, ao cabo da meia do assimétrico partido, pouco mais lhe aconteceu !! Aqui pelo Thor vai tudo calmo, sem problemas a fazer cerca de 150 milhas/dia. Lá na frente e bem à frente vai o Destiny que finalmente mostra como anda um catamaran bom. Tem, desde Darwin, um skipper profissional o Thomas - um bom amigo e que é o homem dos parasailors - que mostrou como um multicasco anda ou pode andar. E pronto do Thor VI em aproximação a Cocos Keeling é tudo. Cuidem-se

sábado, 18 de setembro de 2010

Dayli Log - Bali/Cocos 05

Hoje foi um dia cinzento, com céu encoberto, alguma chuva que começou a meio da madrugada um vento na casa dos 20 nós e por vezes mais, na proximidade dos aguaceiros e um Indico chateado e trapalhão que faz o Thor andar aos tombos e aos saltos, mas o João fez o almoço na mesma! A meio da tarde o vento amainou e o mar também mas a chuvinha tipo "molha tolos" continua e os andamentos do Thor reflectem isso mesmo. E se ontem ainda fizemos mais de 150 milhas, hoje os valores vão ser mais baixos mas nós cá continuamos com uma excelente disposição apesar de um cockpit molhado não ser o lugar mais agradável do mundo. A previsão de chegada a Cocos, estamos a pouco mais de 300 milhas, aponta para 2ª Feira no início da noite. Até lá cuidem-se que nós vamos dando notícias

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dayli Log - Bali/Cocos 04

"V. estão ao ataque" acusam-nos os nossos amigos do Eowyn, a quem parece que tudo corre mal, com a utilização intensiva do "parasail". Na realidade foi mais um dia inteiro de "parasail" e com alguns problemas já que uma alanta se soltou - por se ter desfeito o terminal - e foram uns minutos de alguma confusão até se ter posto ordem "na coisa". O resultado foi uma descida apressada do parasail e quando foi relançado foram descoberto dois pequenos rasgões. Novamente a vela para baixo, reparados os danos e novamente para cima. Tudo isto deu-nos uma prática excelente de sobe e desce "parasailors", mas foi uma canseira. Depois tudo estabilizou e foi um ver se te avias a andar. Dai o pobre do Eowyn se "queixar" que nós estamos ao ataque pois a distância entre nós aumentou para valores que deixam o Graham doente. Apanharam com um aguaceiro que os atirou muito para Sul e ainda por cima a sanita entupio-se, e só tem uma. Há dias em que não se pode sair de casa. Nós por aqui tudo corre bem, as velocidades aumentaram - fizemos cerca de 150 milhas nas ultimas 24 horas - hoje durante o dia andámos bastante bem e agora no início da noite "apareceu" - vindo não sei de onde - um Nordeste com cerca de 20 nós que nos está a fazer andar muitíssimo bem. OThor gosta destas coisas e nós divertimo-nos muito! Por este andar estimamos chegar a Cocos na próxima 3º Feira de manhã. Beijinhos e abraços

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Dayli Log - Bali/Cocos 03

Amanhã 6ª feira atingiremos o ponto de não retorno, ou seja a partir daí estaremos mais perto de Cocos que de Bali. O tempo continua calmo, com um Indico muito pacífico e se não fosse o "parasailor", que passa o dia montado no topo do mastro, nunca mais saíamos daqui. Nas ultimas 24 horas fizemos ligeiramente menos que 140 milhas e hoje talvez seja um pouco melhor mas depende da noite. Nas próximas 48 horas atravessaremos a frente de convergência tropical que não está muito activa mas pode dar um aguaceiro ou outro, o que até nem era mau porque está muito calor. Assim sendo, cuidem-se que nós vamos dando notícias

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Dayli Log - Bali/Cocos o2

Com quase 60 horas de viagem continuamos em ritmo bastante lento, que o
vento não dá para mais. Nas ultimas 24 horas fizemos cerca de 134 milhas e
hoje apesar de ter-mos passado dia com o "parasailor" em cima não faziamos
mais de 4/5 nós para um vento aparente de 5/6 nós. Tudo muito lento e a meio
da tarde tivemos mesmo de recorrer ao Yanmar para sairmos daqui. Mas a vela
é assim mesmo e isto estava nas previsões. A adaptação do João continua sem
problemas (é uma mais valia na cozinha!) e nós vamos continuar a levar o
Thor até Cocos. Beijinhos e abraços.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dayli log - Bali/Cocos - 01

E aqui vamos nós a caminho de Cocos Island. Depois de uma partida suave com
pouco vento, uma tarde bem despachada com mais vento do que o previsto e uma
noite serena com alguns "encontros" com pesqueiros e com um "parceiro" nosso
que andava por aqui distraido. O João está em "on job teraining" com uma
excelente adaptação, ao barco, ao Indico e às noites tropicais do Thor VI.
Cuidem-se.

domingo, 12 de setembro de 2010

Do Thor VI

O Thor está pronto para partir para Cocos com a nova tripulação desejando sair da Indonésia. Os pequenos problemas que tinha estão quase todos resolvidos. Assim a genoa grande foi reparada tendo sido substituída a banda de protecção UV - por um preço anormalmente elevado e ainda tive de agradecer por o senhor ter tido tempo para o fazer - o comando do piloto automático (com fios) foi reparada uma avaria no botão de correcções de 1 grau para a esquerda - na realidade paguei como tal mas, quando o liguei ... está na mesma! - a estação do VHF do poço que tinha deixado de funcionar foi substituida por um novo equipamento que o João Sá da Bandeira trouxe de Lisboa, por empenhamento do Eng. João Arriaga e colaboração da Nautel, a quem daqui endereço os meus agradecimentos. Das 2 antenas que existem no topo do mastro, VHF e AIS, esta ultima desapareceu julgo que por colisão com alguma ave - já tinha assistido a umas "avezinhas" a tentarem depenicar nos topos das antenas, vá lá saber-se porquê - tentei substitui-la por uma de emergência  de que disponho, mas as fichas de ligação não são compatíveis, pelo que fica assimn por mais uns tempos. Entretanto todo o barco levou uma limpeza à séria estando com muito bom aspecto. Estamos prontos, abastecidos e briefados para mais uma tirada com cerca de 1150 milhas, agora com responsabilidades acrescidas porque o Thor acabou de venceu o grupo na tirada Darwin/Bali - os resultados saíram ontem à noite. As previsões apontam para pouco vento e alguns aguaceiros e trovoadas o que, a confirmar-se dará para uma chegada a Cocos lá para 22 de Setembro. Mas nós vamos dando notícias. Beijinhos e abraços. Cuidem-se.

Da frota

Para os mais interessados nestas coisas nauticas aí vai um ponto de situação. A frota do WARC 2010/2011 está reduzida a 20 barcos, 16 monocascos e 4 multicascos. O Ciao, Ronia, Dreamcatcher, Skylark e Lisa ficam por esta zona, uns temporariamente outros definitivamente, pelo menos os barcos que vão ser postos à venda. Entretanto integraram-se na frota o Tzigana (Jeanneau SO 54DS) com bandeira Inglesa, o Drammer (Contest 50CS) de bandeira Holandesa e o Basia (Privilege 445) de bandeira Canadiana. Aqui em Bali não estão os Sun Dear americanos por alegadas questões de segurança - irão directamente para Cocos - e outros estão muito atrasados pela demora na resolução de avarias/problemas em Darwin (Jeannius e Grand Filou). Assim amanhã 13Set irão partir para Cocos apenas 15 barcos, 12 monocascos e 3 catamarans.

Uma espécie de diário da Patroa - 24

AUSTRÁLIA – 29.08.2010
Mais passeios pela cidade, algumas visitas a lojas náuticas – há sempre alguma coisa para comprar para o barco – e num dos regressos à Marina apanhámos um táxi cujo taxista era timorense, emigrado na Austrália há cerca de 40 anos. Ficou muito contente por saber que eramos portugueses, fartou-se de falar, e entre muitas outras coisas disse-nos que a comunidade timorense em Darwin é muito grande, com mais de 10.000 membros, ou seja mais de 10% da população da cidade, o que é na verdade um numero muito significativo. E fizemos mais um tour, o Jumping Crocodile Cruise, uma viagem ao Rio Adelaide para ver milhares de aves nos terrenos alagadiços junto ao rio convivendo harmoniosamente, pois como cada espécie tem uma alimentação diferente não competem entre si, seguida de uma viagem de barco no meio dos crocodilos, alguns enormes, que davam grandes saltos procurando chegar à comida que lhes era mostrada do barco, assim como também dezenas de águias, que em voos rasantes procuravam essa mesma comida. Um espectáculo impressionante!

AUSTRÁLIA – 30.08.2010
Para começar o dia o Rui foi ao dentista (e lá deixou um malar)  marcação feita pelo WARC, cujo apoio em tudo aquilo de que tenhamos necessidade tem sido sempre excelente. Como estávamos no centro da cidade começámos já a fazer compras para o reabastecimento do barco, pois há coisas muito boas aqui na Austrália que vale a pena stockar, mesmo sendo tudo muito caro, como por exemplo os lacticínios, as bolachas, as normais e as famosas Tim Tam ( as bolachas de chocolate em que se trincam as pontas e se sorve o leite ou o café quente  através delas) vinho, cerveja, já para não falar da carne, mas esta não podemos armazenar pois não temos congelador a bordo. Ao fim da tarde decorreu a habitual festinha para a entrega de prémios relativa à última etapa – o Thor ficou em 2º lugar na sua classe – e fez-se também a despedida de mais um barco que decidiu abandonar o Rally e ficar por estas paragens mais um ano para mais pausadamente as poder visitar, o Ciao, um Sweden 45 com um casal de Eslovenos muito simpáticos, o Schreko e a Olga de quem vamos sentir falta. Estão agora aqui 18 barcos, serão estes a partir para a próxima etapa, tendo ficado para trás e decidido não ir a Bali 2 barcos americanos, Ocean Jasper e Crazy Horse, com receio de represálias na Indonésia contra os americanos. Aqui em Darwin mais um barco se juntou à frota, o Drammer, um Contest 50 com um casal holandês que por aqui tem andado calmamente a navegar nos últimos 2 anos e que agora pretende regressar a casa. Esta é a grande questão que se levanta à organização e ao planeamento do WARC, será que este andamento não é rápido demais condicionando o conhecimento mais detalhado destas paragens tão distantes onde dificilmente voltaremos, mas é com certeza um compromisso e não poderá ser doutra maneira se se quiser fazer a travessia dos 2 oceoanos, Pacífico e Índico, na mesma estação. Para quem pretender um passeio mais pausado há esta alternativa de ficar por aqui durante um ano ou dois e depois retomar o caminho de regresso a casa numa outra edição do WARC, opção que alguns barcos têm tomado, mas que não creio que se ajuste ao nosso projecto de Volta ao Mundo.

AUSTRÁLIA – 31.08.2010
Dia dos preparativos de partida para a 14ª etapa que são dias sempre de grande azáfama. De manhã saída da Marina para ir atestar de combustível o que com esta questão das comportas nos tomou quase toda a manhã. Depois mais lavagens de roupa e depois fomos ao centro da cidade, onde se encontram os supermercados, fazer mais compras para a viagem, sobretudo bebidas, frutas e legumes. Seguiu-se o Skippers Briefing e depois foi ainda o homem das velas que veio entregar a genoa reparada – foi substituída a banda de UV gasta pelo uso – e houve que fazer a sua montagem. Nestes trabalhos tivemos a simpática ajuda do Stephen Coi do Skylark que já não estava habituado a fazer força “braçal” nos guinchos pois no seu Amel 54 é tudo eléctrico. Um luxo que nós não temos! À noite o jantar foi no Christo’s  Fish Café, aliás como tem acontecido todos os dias, e onde se encontra a jantar praticamente toda a frota pois este é o único restaurante aberto ao jantar e que propicia uns momentos de confraternização entre toda a gente. A temperatura continua muito elevada durante o dia, Max 34 e Min 23, com muita humidade e muitos mosquitos, mas curiosamente no supermercado havia um folheto promocional com as sugestões de compras para os últimos dias de Inverno!


OCEANO ÍNDICO – 1.09.2010 a 8.09.2010
Dia 1 de Set foi o dia da partida para a 14ª etapa, Darwin – Bali, cerca de 950 milhas com previsão de 7 dias de navegação. Apesar da partida ser só às 12h, por causa das comportas da Marina e das marés, o nosso slot de saída foi às 8h30, e tivemos que ficar tanto tempo à espera que quase adormecemos e atrasámo-nos ligeiramente na saída, nós e mais 2 barcos, coisa sem importância mas que tirou algum brilho à partida. A previsão meteorológica apontava para ventos muito fracos e efectivamente tivemos que usar mais o motor que o desejado. Ainda subimos o Parasailor em 2 dias, o Rui dizia que pelo menos servia para treinar e para tirar umas fotografias,  mas os ventos não eram os adequados para esta vela. No 3º dia pusemos a cana de pesca no mar, apeteceu-nos peixe para o jantar, e em menos de ½ hora apanhámos um atum, pequeno, mas que nos deu para 2 refeições. Até parece simples e a pedido! Uma outra nota digna de registo é o eficiente controlo que a Austrália exerce nas suas águas e durante 3 dias seguidos fomos intrepelados pela patrulha aérea e depois por um patrulha para que confirmássemos os dados do barco, de que porto vínhamos e para onde nos dirigíamos. Em termos de navegação foi sempre calma até ao fim, pouco vento, mar calmo e muito calor. As noites estiveram com uma Lua em Quarto Minguante, quase a desaparecer, mas com o céu muito estrelado e, nos últimos dias, com alguns clarões fruto das diversas trovoadas que víamos ao longe. E assim chegámos a Bali na 4ªfeira, dia 8 de Set,  pela madrugada, mas como não podiamos entrar na Marina de noite, faltou-nos  a carta electrónica desta zona, navegámos as últimas horas já em velocidade reduzida e, no final mesmo parados, aguardando que o sol nascesse e nos iluminasse o caminho até à Marina. Com esta falta de informação ainda nos enganámos na entrada da Marina e fomos pelo porto de pesca dentro, onde havia centenas de barcos de pesca fundeados, todos com um ar muito velho e mal tratados, parecia um imenso monte de sucata, aliás condizentes com a autêntica lixeira que se via no mar à sua volta. Depois lá voltámos para trás  - ainda tocámos no fundo lodoso, sem qualquer consequência e conseguimos encontrar a Marina que também tinha o mesmo ar de lixeira do porto de pesca, onde já se encontravam a maioria da frota entretanto chegada.

BALI – 8.09.2010
Chegámos à Marina de Bali no Porto de Benoa pelas 8h da manhã. Chamar a isto Marina é uma força de expressão, mas na verdade tem uns pontões velhos, com água e electricidade, muito lixo a boiar à volta dos barcos e um restaurante a que chamam Yacht Club onde existem alguns serviços de apoio, chuveiros, um “business centre” onde se compra a internet e se deixa a roupa para lavar, etc. E foi aí no restaurante onde fomos tomar o pequeno almoço que começámos a tomar contacto com as gentes de Bali, sendo a 1ª impressão que se trata de gente muito afável, muito sorridente e respeitosa, que gosta de nos tratar pelo nome próprio e de nos cumprimentar apertando a mão. Os empregados são muitos, mas não são muito eficientes. Ainda fui levantar dinheiro a uma ATM não muito longe da Marina e aí tomámos contacto com o dinheiro da Indonésia, o levantamento máximo é de 1.250.000 rupias, em notas de 50.000, ou seja 25 notas todas novinhas e com numeração sequencial, que valem pouco mais de 100 Euros. O pequeno almoço desse dia que incluiu ovos mexidos, tostas e 2 sumos de ananás custou pouco mais de 6€ o que nos dá a ideia do nível dos preços. O resto da manhã foi passada a tratar do processo de check-in, não obstante o excelente trabalho de planeamento e organização  montados  pelo WARC, com um táxi a servir de shuttle entre os serviços de Immigration, Master Harbour, Quarentine, Customs e Immigration de novo, todos em locais diferentes, com muita burocracia, lentidão e muito pouca eficiência. Mesmo assim conseguimos fazer tudo em pouco mais de 2  horas. Um feito!  Há um barco novo que se junta aqui à frota, o Tzigane, um Sun Odissey 54 DS com um casal inglês e que por ter chegado mais cedo teve que fazer este périplo do check-in sem o apoio do WARC e demorou mais de 4h e muitas mais rupias. À noite resolvemos ir jantar fora, pensámos ir até Kuta, uma cidade turística que não distava muito de onde nos encontrávamos e onde há 3 anos se deu um atentado à bomba, mas o taxista que nos apareceu, o mesmo que tinha estado a dar-nos apoio durante a manhã, depois de lhe pedirmos uma sugestão de um bom restaurante, levou-nos para outras paragens. A viagem de táxi demorou cerca de 30 minutos, mas foi uma viagem louca a toda a velocidade por meio de estradas pejadas de trânsito, de automóveis e motocicletas, toda a gente conduzindo muito depressa e com muito barulho, ultrapassando pela esquerda e pela direita, uma verdadeira loucura. Mas lá chegámos ao local que ele tinha escolhido para nós e que devido ao seu mau inglês não tínhamos percebido o que seria. Acabámos num restaurante numa praia, com as mesas em cima da areia, onde as ondas rebentavam mesmo ali ao lado e onde a especialidade da casa era marisco e peixe grelhados que escolhíamos logo à entrada. Ainda assistimos a um espectáculo de danças de Bali, a um grupo que andava de mesa em mesa cantando, a noite estava excelente e a comida também e até o preço foi muito convidativo (éramos 5 – nós , o Graham, oMike e agora o seu novo tripulante André – e pagámos 26€ por cabeça num jantar com peixe e marisco). O taxista disse que nos esperava à saída e lá estava ele dormindo no táxi, à espera para nos levar de novo à Marina. Um excelente jantar e completamente inesperado!

BALI – 9.09.2010
Tour ao Lago Kintamani e ao Monte Batur onde existe um vulcão activo, cuja última erupção na década de 70 deixou as suas marcas ainda bem vivas em mortes nas aldeias vizinhas e nos terrenos negros, queimados pela lava, onde ainda nada cresce. A partida foi às 8h30m da Marina e durante o dia visitámos uma fabricação de artesanato em prata e a loja onde tais artefactos se vendiam, uma outra de trabalhos em madeira e a respectiva loja comercial, almoçámos num restaurante com vistas para o lago e para o vulcão, visitámos 2 templos hindus, comprámos frutas tropicais que se vendiam à beira da estrada, alguma dela de espécies que eu nunca tinha visto, fizemos uma visita a uma produção de café de Bali, de chocolate e chás e da respectiva venda ao público e no final do dia ainda fizemos uma paragem na cidade de Ubud, uma cidade turística com muito bom aspecto, com lojas, cafés e restaurantes de luxo, um mundo à parte da pobreza e sujidade que tínhamos visto durante o resto do dia. Parece que há 2 mundos nesta ilha, um elegante e luxuoso, o dos resorts e pelo menos desta cidade e o outro do resto da ilha e do comum cidadão. Vimos também plantações de arroz em terraços, uma beleza.  Mas acho que vi muito pouco para poder estar a tirar conclusões! Há no entanto algumas situações que me pareceram muito curiosas e que passo a comentar. Bali é uma das 13.000 ilhas, nalguns sítios chega-se a falar de mais de 17.000 ilhas, da Indonésia, com mais de 3,5 milhões de habitantes e mais de 1,5 milhões de motocicletas, e é maioritariamente Hindu, ao contrário do resto da Indonésia que é maioritariamente Muçulmana. Pelo tipo de construções urbanas, a profusão de altares devidamente enfeitados e bem cuidados e as ofertas aos deuses espalhadas por todo o lado sente-se um ar místico no ar. Nos altares, nos passeios em frente às lojas, dentro das lojas, nos táxis, ou seja em tudo o que é sítio, vêem-se caixinhas feitas de folhas de palmeira com flores e arroz, muito coloridas e bem decoradas, diariamente mudadas, e que são as ofertas aos deuses pedindo a sua protecção e boa sorte. Este catering deve ser um bom negócio! E numa terra de grandes necessidades, estas ofertas aos deuses parecem um contra-senso. Acresce que as caixinhas substituídas são atiradas para o lado, aumentando as lixeiras enormes a céu aberto que se vêem por todo o lado. À beira das estradas as lojas de porta aberta são contínuas, parece que toda a gente tem alguma coisa para vender, mas não creio que haja tanta gente para comprar, e a sujidade e o lixo são imensos. Da paisagem fazem também parte as multidões de motocicletas, ou circulando a grande velocidade ou estacionadas em tudo o que é sítio. E se mais não digo é porque mais não vi.

BALI – 10.09.2010


Dia de mudança de tripulação no Thor. Eu regresso a Lisboa no fim do dia, voo Denpasar – Singapura – Schipol (Amesterdão) – Lisboa, com partida às 20h40m, esperando-me mais de 19 horas de voo e algumas 10 horas mais de aeroportos e o João Sá da Bandeira que deveria chegar a Denpasen às 19h30, pelo que não nos chegámos a ver. O dia foi pois passado a arrumar as bagagens e a preparar o Thor para o novo tripulante. O tempo manteve-se durante todo o dia muito quente e o grau de humidade no ar, sobretudo dentro do Thor, tornam a vida quase insuportável. Chegou ao fim esta minha aventura de mais de 4 meses, desde a Polinésia Francesa, por todo o Pacífico Sul, Austrália e a Grande Barreira de Corais até Bali. Foram alguns milhares de milhas náuticas de navegação pelos Oceanos Pacífico e Índico, uma vida a bordo desafiante e exigente, vi povos, civilizações e culturas muito diferentes que me impressionaram profundamente, vi ilhas muito belas, conheci 7 novos países e até um continente, com uma fauna terrestre e marinha diferentes, enfim, foi uma experiência única cujas sensações e olhares tenho aqui deixado registados diariamente. Para além das coisas boas e bonitas que vi e vivi, dos mundos diferentes que conheci e que certamente doutra maneira não teria as mesmas oportunidades de contactar, há também que ressaltar o espírito de comunidade que se estabeleceu entre toda a frota, as novas pessoas que conheci, gente muito variada vinda de diferentes países, as novas amizades que estabeleci, ou seja, do ponto de vista pessoal foi também uma experiência profunda e envolvente. Experiência única que terminou ... por agora!