segunda-feira, 26 de abril de 2010

Daily Log - Tahiti 02

Afinal a civilização tem preço, ele é o barulho pois estamos numa marina junto à marginal e o barulho dos carros das motas parece infernal, para quem estava habituado a outras calmas, ele é a necessidade de calçar sapatos, coisa que não acontecia há algum tempo e que deu uma valente bolha num calcanhar quase me impossibilitando de andar. Afinal a civilização (quanto baste) faz-se pagar. Os trabalhos de manutenção estão em curso, as verificações deram que a adriça do enrolador da genoa voltou a mostrar sinais de uso semelhante ao fim da travessia do Atlântico, a banda de protecção UV da genoa  também mostra algum desgaste - à atenção meus amigos da Vela Rio, o tecido e as linhas das velas são excelentes, a banda de protecção da genoa é pouco resistente - o que não é de estranhar porque é a vela mais sacrificada e o aparelho no geral não apresenta nada de anormal. A nova tripulação está a chegar, eu ando bem dormido e bem comido o Thor VI está limpinho e quase pronto a voltar para o mar. As "yellow shirts" - o Paul e a Susana, são os nossos anjos da guarda - voltaram, pois o WARC Office reabriu hoje - nós, participantes, temos andado à rédea solta - e o programa segue dentro de momentos, com passagem por Morea. Nos nossos planos está também a participação na Tahiti Pearl Regata de 12 a 16 de Maio em Bora Bora e Raiatea, numa brincadeira com corridas (!) de dia e sociais à noite e depois a partida para Cocos lá para 18 Maio, retomando o planeamento do WARC. De Papeete beijinhos e abraços.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Daily Log - Tahiti 01

13:00 horas locais (meia noite em Lisboa) e o Thor VI atracava no Quai des Yacht em plena "baixa" de Papeete depois de mais uma noite que prometia alguma calma e afinal, uma série de aguaceiros, cada um maior que o outro, deu-me "molha" sem graça nem jeito. O bom do Thor bem que estava a precisar de uma lavadela mas não era preciso tanto. E depois dos aguaceiros ficou o vento, uns bons 20 nós e um Pacífico bem arreliado que nos trouxe até ao Tahiti bem chocalhados. Mas enfim chegámos a Papeete capital e sede de todos os serviços administrativos e do governo local e que comporta, em conjunto com as comunas vizinhas, mais de metade da população da Polinésia Francesa. O Tahiti - constituído por 2 ilhas vulcânicas, uma grande a Tahiti Nui e uma pequena Tahiti Iti ligados por um istmo Taravau - faz parte do Arquipélago das Ilhas da Sociedade, nome bem bizarro e que tem origem no facto do famoso navegador capitão Cook que foi quem primeiro explorou, que não achou estas ilhas, ter sido patrocinado nas suas viagens pela sociedade científica inglesa Royal Society of London e daí o nome "Ilhas da Sociedade". Tahiti mais Morea, Maiao, Tetiaroa (atol) e Mehetia constituem o grupo de ilhas "du vent" mais a Este e as ilhas Huahine, Raiatea/Tahaa, Bora-Bora e Maupiti situadas mais a Oeste constituem o grupo "Sous le vent". Todas elas se espalham por um quadrilátero limitado pelos paralelos 16º e 18º de Latitude Sul e pelos meridianos 149º e 153º de Longitude Oeste. Têm um clima tropical marítimo, sendo os ventos dominantes  do sector Este (alízios) com uma componente de Norte de Janeiro a Junho e uma componente de Sul de Junho a Dezembro. A navegação é simples e sem perigos especiais, as correntes entre as ilhas são fracas e os "passes" e as lagoas equipadas com sistema de balizagem tornando o acesso fácil, mesmo durante a noite.
Alguns links úteis:
www.tahiti-tourisme.pf ;
www.tahitiplanet.com
www.papeeteonline.com
www.tahitiguide.com
www.tahitiwedding.com
www.perlesdetahiti.net
E pronto agora já têm com que se entreter. Eu que finalmente cheguei ao Tahiti, este era realmente um passo importante pois desde que o meu planeamento se alterou no Panamá tem sido uma dor de cabeça permanente para arranjar soluções para levar isto para a frente não só porque era uma zona inóspita difícil de cá chegar, havia pouco tempo para soluções alternativas e era uma tirada de se lhe tirar o chapéu. Afinal consegui aqui chegar com algumas soluções "fantásticas" mas eram as que havia - não arranjei tripulantes, arranjei passageiros - e agora que tudo está ultrapassado, as soluções boas foram encontradas, vêm aí as "minhas pessoas" e vou poder finalmente ter o prazer de desfrutar das coisas boas de um cruzeiro no Pacífico. Mas antes o Thor VI, que se tem portado lindamente vai sofrer umas intervenções de manutenção normal e umas verificações específicas que é para não ter razões para "asnear". Mas antes disso vou descansar de mais uma noite "fantástica". beijinhos e abraços. Thor VI em Papeete.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Daily Log - Tuamotu 05

Alvorada às 05:30, ferro em cima às 06:00 e pelas 06:45 deixámos a lagoa pelo "passe" d´Avatoru com a maré já a sair e com a corrente de 1 nó a "ajudar". Rondámos o atol de Rangiroa por W e cerca das 10:30  o "perigoso" arquipélago dos Tuamotu ficou para trás com a proa apontada a Tahiti e com cerca de 170 milhas para fazer. "Perigoso" foi uma classificação que os Tuamotu tiveram no passado, mas hoje e com as tecnologias existentes poderá ser considerado de "difícil navegação" exigindo técnicas e procedimentos adequados. Navegar à vista, de dia e com o Sol suficientemente alto e pelas costas e acima de tudo uma atenção permanente são remédio para as muitas ratoeiras que os atols da região apresentam, pois as cartas estão desactualizadas e o Gps é para ser usado com moderação. Enfim já está, já por aqui passámos, agora vamos para as Ilhas da Sociedade, para o Tahiti e concretamente para Papeete a capital, onde planeamos chegar amanhã durante a tarde. O tempo está bom, com um vento na casa dos 15 nós, o mar está um bocado "picadinho" mas com tendência para "endireitar" e temos como parceiros de viagem o Ronja (Odisseia 49DS) e o Ciao (Sweden 45). Cuidem-se.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Daily Log - Tuamotu 04

Rangiroa situado a Oeste do Arquipélago, a menos de 1 hora de voo de Tahiti é o maior o mais populoso e o mais conhecido. Aqui chegámos pelas 07:00 da manhã depois de uma noite bastante desconfortável porque o vento refrescou bastante, o mar alterou-se e aquilo que era um rápido passeio de cerca de 80 milhas, transformou-se numa noite bastante trabalhosa e cansativa. Valeu que quando chegámos ao "passe" de Tiputa a maré estava boa e entrámos de imediato tendo vindo fundear frente ao hotel Kia Ora  - que era excelente mas fechou - num local referenciado como bem protegido mas, na realidade o vento continua bastante forte e isto abana tudo. Mas pronto já está, chegámos à civilização (comparado com os sítios onde temos estado, aqui temos wifi, lojas, diesel mas o meu télélé continua sem trabalhar, a Vodafone aqui não é bem querida) agora preciso de fazer algumas compras - bom na realidade do que preciso agora é dormir - e depois pensar em partir  para Tahiti - aí sim, civilização a sério - para me ver livre deste parceiro, limpar o barco de alto a baixo porque bem precisa, fazer alguma manutenção nas coisas essenciais e receber a nova tripulação. Entretanto o jantar na "quinta do Sr. Assam" foi um "espectáculo" que primou pela qualidade - só lagosta e peixe (tipo robalo) grelhado - e pela simpatia com que nos trataram. À família Assam os nossos agradecimentos pelos magníficos dias que aí passámos. Levantámos ferro pelas 13:00, saímos do atol pelas 15:00 e o início da viagem para Rangiroa foi calmo, sereno num fim de tarde de eleição. Depois as coisas alteraram-se, mas já passou. Cuidem e divirtam-se. beijinhos e abraços. Thor VI em Rangiroa over and out  

sábado, 17 de abril de 2010

Daily Log - Tuamotu 03

Conforme tinhamos planeado levantámos ferro do motu Rua Vahine e aí fomos lagoa acima à procura da "quinta do sr Assam" referida num livrito de 2003 que comprámos em Nuku Hiva (Guide de navigation et de tourisme de la Polynésie française), como um local agradável para fundear e que o Sr. Assam  teria muito prazer em mostrar tudo sobre a cultura das pérolas. Na realidade ao chegarmos ao local encontrámos ... um estaleiro com 3 barcos. Fundeámos e aí apareceu um senhor a dizer-nos que tinhamos umas poitas um pouco mais à frente, que podiamos utilizar - imaginem a alegria do Kalliope ao saber que não precisava de lançar ferro - e "grátis". Lá arrumámos a embarcação, fomos a terra e fomos simpáticamente recebidos por um casal de jovens - netos do Sr. Assam, ele pelo menos porque ela pareceu-me demasiado "branca" - e do filho do Sr. Assam, pai do jovem. Afinal são a continuação da familia Assam, gente muito agradável, muito hospitaleira, explicaram-nos e mostraram-nos todo o processo da cultura das pérolas negras - o Sr. Assam actual produz 50.000 pérolas por ano e tem neste momento 2,5 milhões de ostras bébé em crescimento para produção de pérolas dentro de 5 anos - e o projecto do estaleiro com capacidade para invernar, pequenas ou grandes reparações e manutenção, que foi iniciado em Julho de 2009 e que ele pretende fazer conhecer dentro dos circuitos cruzeiristas, como o WARC ou o Blue Waters Rally - para quem estiver interessado www.apataki.carenage.com. É um projecto interessante numa zona onde, tirando Tahiti, não existe nada. Em conclusão da história da "quinta do Sr. Assam" vimos o estaleiro, aprendemos a cultivar pérolas e também a comprar porque no circuito também está incluído uma componente comercial traduzida na amostragem de pérolas de várias qualidades e preços - mas bem mais baratos que Tahiti ou Bora Bora, diz ele - e, digo-vos que foi um sucesso. Está tudo bem organizado, com simpatia mas com grande pragmatismo, aceita receber sacos de lixo, a 300 Francos do Pacífico cada (- de 3€), vende ovos a 1000 francos a vintena, etc. Entretanto ao fim da tarde, estava toda a gente embrenhada na observação das pérolas, quando apareceu um pequeno tubarão que habitualmente vem comer á mão da senhora que aparece na foto que enviei anteriormente. Ela tem um pequeno pedaço de peixe na mão, senta-se ali e o bichinho aparece encosta o focinho junto aos pés dela e ali está à espera que ela lhe dê de comer. Toda a gente foi tirar fotos e fazer festas no bicho até que a senhora lá lhe deu o peixe, fez-lhe umas festas e o tubarãozinho deu a volta e calmamente desapareceu nas profundezas da lagoa. Ao mesmo tempo andava por ali uma raia que, no entanto não despertou nenhum interesse. Enfim coisas da "quinta do Sr. Assam". Passámos a noite nas poitas e hoje continuámos para Norte vindo a fundear no extremo da lagoa num sítio absolutamernte sereno e desértico, mas a água não está limpida como é costume pois fundeámos com cerca de 5 metros e nem desconfiamos do fundo. A água parece que leitosa, com muitos microorganismos que lhe retiram a limpidez mas, a quietude da zona é absolutamente fantástica. Acabei de assistir a um dos mais belos pôr do sol da minha vida, um espectáculo absolutamente fantástico de cor, de suavidade de transformação da luz, não tenho palavras para vos descrever esta beleza. Vamos passar aqui a noite, amanhã regressamos às poitas do Sr. Assam - os Kalliopes encomendaram um jantar em casa do Sr. Assam - e no Domingo partimos, ao fim da tarde, para fazer as cerca de 80 milhas que nos separam de Rangiroa, o próximo atol que iremos visitar. Até lá, cuidem-se. Beijinhos e abraços.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Óh pra ele ... sem medos

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Daily Log - Tuamotu 02

Depois de uma noite espectacular pela calma,  sossego e quietude do barco - impressionante, não me lembro de nenhum sítio onde o barco estivesse tão quieto - e onde dormi bastante bem, apesar de já não conseguir dormir mais de 4 horas seguidas, pois o meu ciclo do sono anda um bocdinho baralhado. Eu adormeço em qualquer sitio, a qualquer hora ou de qualquer forma, mas não consigo dormir, seguido, mais de cerca de quatro horas. Acordo e consigo voltar a adormecer mas tudo aos bocadinhos. É o resultado, suponho, de uns hábitos adquiridos nos ultimos tempos. Na realidade desde 06Mar quando saímos das Marquesas que ainda não consegui ter uma série de noites completas para me reabituar a dormir meia duzia de horas seguidas. Mas após uma noite maginfica - com um jantar em terra organizado pelos Kalliope - resolvemos mudar de ares e procurar novos locais e decidimos sair de Ahe ao fim da tarde com a maré e navegarmos as 65 milhas necessárias para chegar ao atol de Apataki pela manhã e de forma a entrar no "passe" de Pakaka depois das 10:30 por causa da maré. Assim fizemos - e lá foi mais uma noite no poço do Thor VI, esta sem toldo de forma a poder ver um céu absolutamente fantástico de luz e de vida - e estamos fundeados no atol de Apataki, no motu (ilhéu) de Rua Vahine, com fundos de 8 metros com uma água de cor e limpidez assombrosa, com muito calor e num enquadramento de uma beleza fantástica. Este atol foi descoberto em 1722 pelo holandês Roggeveen tem 2 entradas navegáveis - o "passe" Tehere a Norte, não balizado e o "passe" Takaka a SW, balizado e de fácil utilização dando acesso à unica vila existente, Niutahi que tem cerca de 400 habitantes, uma pista de aviação, não tem diesel, tem 2 lojas e uma pensão/restaurante, mais parecido com uma "casa de pasto", vivem da pesca e, adivinhem ... da cultura vde pérolas. É mais um local tipico das ilhas do Pacífico - como se vêm nos filmes - só que este sítio, como o anterior, não é turistico, não há aquelas moçoilas de encher o olho, aqueles peixes coloridos - como também não há turistas - mas há uma beleza selvagem espantosa. Hoje vamos ficar por aqui e nos próximos dias iremos dar a volta à lagoa (são cerca de 50 milhas) visitando uma "quinta de pérolas" e um par de sítios de fundeio fantásticos (dizem!) junto com o Kalliope que já não tem guincho do ferro, tendo de fundear à mão,com um cabo e com todo o cuidado para que o cabo não fique encostado ou a passar por corais. Um problema de difícil solução por aqui, mas lá o têm conseguido com um grande espectáculo - são de Sevilha e falam todos muito depressa e muito alto, já podem imaginar o resultado. Mas são bons amigos e é um enorme prazer e um "sempre em festa" andar-mos juntos. Do atol de Apataki beijinhos e abraços.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Daily Log - Tuamotu 01

Chegámos a Ahe. Pelas 11.30 locais (quer dizer horas Tuamotu ou seja UTC menos 10 horas ou Lisboa menos 11 horas) entrámos na passagem de entrada do atol de Ahe - passe Tiareroa - com a maré a encher o que deu uma corrente a entrar de cerca de 2,5 nós. Esta entrada é das consideráveis fáceis sem perigos maiores excepto com ventos de NW. Entrámos sem problemas e depois seguimos o canal balizado que nos leva até á unica povoação - Tenukupara - onde fundeámos pelas 13:00 (ainda são 5 milhas) numa calma extraordinária mas com muito calor e só com uma muito ligeira brisa. Um paraíso para quem queira descansar, o que até é o caso depois de 3 noites mal dormidas. Ahe tem uma lagoa com 13 milhas de comprimento por 5 de largura, com 2 canais balizados um a Norte que liga o "passe" ao aeroporto e um canal a Sul que leva à unica povoação existente. Tirando isto, é um local onde não há nada (a povoação não tem nada) , ou melhor logo que cheguei tentaram vender-me umas pérolas (de várias cores, muito semelhantes a umas bolinhas de plástico, made in china - isto é má lingua) portanto há uma industria florescente de cultura de pérolas que nem deixa os clientes respirarem. Não me convenceram!!! E pronto vamos ficar por aqui mais um dia ou dois, depois vamos explorar outros locais - Fakarava e Rangiroa pelo menos - do arquipélago dos Tuamotu, o maior dos 5 arquipélagos, o sítio onde não há estação das chuvas e onde há cerca de 3000 horas de Sol por ano. Este ano, a 11 de Julho terá lugar um eclipse solar total e será aqui, nos atols de Tatakoto, Hikueru, Anaa e Hao onde este fenómeno será visível durante mais tempo, 4 (quatro) minutos. Tomem nota, este é um sítio de eleição! Entretanto as minhas comunicações com Lisboa estão difíceis, wifi não existe, o meu telemóvel (Vodafone) não funciona aqui, o satélite está com fraca cobertura e os telemóveis para onde ligo mandam-me para "voice mail". Há dias melhores, digo eu, que estou mal dormido e com muito pouca paciência. Cuidem-se.

domingo, 11 de abril de 2010

Daily Log - Marquesas/Tuamotu 03

Faltam cerca de 160 milhas para chegarmos a AHE o atol onde iremos fazer a primeira paragem neste arquipélago de Tuamotu e onde devemos chegar amanhã durante a manhã (a maré está a encher até ás 12H00). Nas ultimas 24 horas o vento refrescou ligeiramente, rondou para SE, o que deu muito geito face à mareação que levamos e fizemos 158 milhas o que é bem bom. E pronto esta viagem continua sem grande história - também são apenas cerca de 480 milhas, um Lisboa/Porto Santo - o tempo continua bom e o mar razoávelmente pacífico. Cuidem-se, tenham cuidado com o Sol e divirtam-se. Beijinhos e abraços. Thor VI over and out.

sábado, 10 de abril de 2010

Daily Log - Marquesas/Tuamotu 02

Um vento real nos 8/10 nós com um vento aparente nos 6/7 nós é o que nós temos tido nas ultimas 24 horas. Com as velas e a ajuda do Yanmar, num regime de cruzeiro bem económico, conseguimos fazer cerca de 154 milhas o que está de acordo com o planeado e que aponta para uma chegada entre as 10/12 horas locais de 2ª Feira, com o Sol bem alto para que a visão do fundo seja o melhor possível pois estas entradas e navegação em atols têm de ser com bastante cuidado e navegando à vista, não vá o diabo tecê-las. E pronto minha gente, a continuação de um óptimo fim de semana são os nossos desejos. Cuidem-se.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Daily Log - Marquesas/Tuamotu 01

Eram 06:40 da manhã (hora local, menos 10H30 que Lisboa) e o Thor levantava ferro - com todo o cuidado porque este guincho do ferro está, definitivamente, a dar o "berro", mas é o unico componente da origem do
barco - com rumo ao Arquipélago das Tuamotu, a cerca de 480 milhas de distancia. Este é um dos 5 arquipélagos que constituem a Polinésia Francesa - Marquesas, Tuamotu, Ilhas da Sociedade, Gambier e Australes - que se estendem por uma área semelhante à Europa - se colocarmos o mapa da Polinésia sobre o da Europa verificamos que este grupo de arquipélagos ocupa uma área que vai de Brest a Bucareste e de Estocolmo a Rabat - com uma zona económica exclusiva de 4.750.0000 kms2 e uma superfície terrestre de apenas 4.000 kms2 constituídos por 118 ilhas. O Arquipélago das Tuamotu é o maior dos arquipélagos é constituído por 76 ilhas e atols que cobrem uma área de 20.000 kms2 indo dos 135º aos 150º de longitude W e dos 14º aos 22º de latitude Sul sendo considerado como um local de navegação difícil. Não constando durante muito tempo dos destinos turísticos tem vindo a ressurgir com o estabelecimento de 250 locais de cultura de perolas (pearl farms), em especial da pérola negra que se tornou na segunda maior fonte de receita, depois do turismo. E pois para esta zona que nos dirigimos tendo como destino o atol de Manihi (a ilha das pérolas, com uma lagoa de 192 km2, cerca de 900 habitantes e 49 camas de hotel) e o de Ahe (ilha gémea da anterior) onde devemos chegar 2ª feira a meio da manhã e onde nos devemos encontrar com o Kalliope que vai, por agora, um par de milhas à nossa frente. O tempo está bom, praticamente sem vento - vamos em "motor sailler" - e com um mar "flat". Uma boa forma de passar o fim de semana, navegando calmamente pelos mares do Sul do Pacífico. Tenham um bom fim de semana. Cuidem-se. Thor VI over and out

terça-feira, 6 de abril de 2010

Daily Log - Marquesas 06


Depois de uma noite extremamente movimentada  (tive noites na travessia do Pacífico bem mais descansadas) pelo vento e mar que agitaram o Thor VI durante toda a santa noite, levantámos ferro e fomos à procura de outro sítio mais acolhedor. Mas os ancoradouros em Ua Huka são todos bastante desprotegidos portanto nada feito e a solução foi rumar a Nuku Hiva que era o nosso destino, mais tarde ou mais cedo, para reabastecimento antes de nos despedirmos das Marquesas. E assim pelas 14:00 locais fundeamos na baía de Taiohe, principal cidade da ilha, escoltando o Dreamcatcher (Halberg Rassy 48) que, desta vez, ficou sem leme e teve de usar o leme de emergência. Aquele barco (tem 10 meses de uso!) deve ter um mau olhado porque não há nada que não lhe aconteça, o Charles diz que é o resultado do barco ter sido montado quando cerca de 180 trabalhadores da HR já sabiam que iriam ser despedidos e portanto estes problemas serão erros propositados. Enfim o pobre do homem já não sabe o que há-de fazer mais. Por aqui o Thor continua sem problemas graves (lagarto, lagarto!!) tendo apenas um mau funcionamento na sanita da cabine da proa cuja solução "aplicada" no Equador não resultou inteiramente, mas também depende do operador e este operador é um "desastre", onde põe as mãos estraga. Vamos ficar por aqui uns dias até ter-mos tudo reposto - diesel, comes, bebes - e depois partiremos para o Arquipélago de Tuamotu (cerca de 500 milhas) e seguidamente para as Society Islands, para o Tahiti/Papeete onde deveremos chegar lá mais para o fim do mês e onde o Thor vai receber uma nova tripulação e de luxo, coisa aliás que vai passar a ser norma nas próximas tiradas, se tudo se confirmar conforme espero. Grandes e boas novidades se anunciam. Até lá cuidem-se. Thor VI over and out  

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Daily Log - Marquesas 05

Domingo de Páscoa, cinco da manhã e eis que zarpámos de Tahuata e dirigi-mo-nos para Ua Huka, cerca de 70 milhas a NW. Vento e mar de través deu uma viagem balouçante mas rapidinha pois às 14:30 já estavamos a lançar ferro na baía de Hane na Ilha de Ua Huka, uma pequena ilha a Norte do Arquipélago e próximo de Nuku Hiva (cerca de 20 milhas). Nestes dois últimos dias o grande acontecimento foi ter chovido com intensidade na noite de Sexta para Sábado - coisa rara ainda por cima tendo começado no início de Abril a estação seca ("austral winter" de Abril a Outubro) e fresca (24º a 28ª) sendo Julho e Agosto os meses mais "frios". A estação das chuvas (rainy season) começa em Novembro e termina em Março. Estas duas estações são característica do clima tropical marítimo da Polinésia Francesa em que não existe grande variação de temperatura durante todo o ano - 24º a 30º - com uma humidade elevada (cerca de 75%) e temperada por brisas mais ou menos fortes conforme a época do ano. O outro acontecimento digno de nota foi o aparecimento, junto do Thor, de um tubarão com cerca de 2 metros. Ainda que fugaz deu para nos vermos um ao outro, eu em cima do barco e ele lá em baixo e, afinal nada aconteceu! Hoje, Domingo 04Abr vamos pernoitar nesta baía, bem pouco protegida diga-se de passagem com uma "mareta" permanente bem desconfortável e amanhã depois de visitarmos a povoação que se vislumbra meio escondida pela vegetação, iremos procurar outro sítio - há mais dois ancoradouros recomendados nesta ilha - para eventualmente passar mais um dia ou dois, até rumarmos a Nuku Hiva a capital das Marquesas e a cidade (?) mais importante. Entretanto e para que não caia no esquecimento devo referir que faz amanhã, 05Abr, 6 (seis) meses que não toco num cigarro. E esta hem? E pronto meus amigos divirtam-se e cuidem-se. Beijinhos e abraços.

sábado, 3 de abril de 2010

Thor VI chega a Hiva Oa a .... Conclusão

Pois estão concluídos os trabalhos deste concurso e o grande, o enorme vencedor é ... o MESMO. Parabéns ao Zé Dias que repetiu a proeza, com fórmulas mágicas ou não e apesar da situação bem complicada conseguiu minimizar os estragos e apresentar um palpite bem adequado. Um abraço de parabéns.

Daily Log - Marquesas 04

Sexta Feira Santa acordados ainda o Sol não tinha dado sinais de vida e eis que nos decidimos ir a Fatu Iva.  A sensação de estar parado há muito tempo e o vento no local onde estavamos fundeados parecer bem calmo levou a que levantássemos ferro e aí vamos nós atrás do Eowyn que tinha saído ainda bem de madrugada. De início e até sair da influência da ilha foi o cabo dos trabalhos com o vento muito variável na direcção e na intensidade chegando aos 35 nós de rajada e depois de sairmos da sombra da ilha o vento estabilizou de SE mas com intensidades de 20/25 nós no nariz. Ao fim de um bom par de horas a levar pancada e com umas boas molhas para refrescar decidi que não nasci para sofrer e resolvi voltar para trás deixando Fatu-Hiva e a sua baía das virgens - pois, porque é que julgam que toda a gente quer ir a Fatu-Hiva - para uma próxima oportunidade. Assim estamos de volta ao nosso magnífico ancoradouro e amanhã ou domingo iremos para Ua Huka e ou Ua Pou antes de irmos a Nuku Hiva para reabastecimento. Depois deixaremos as Marquesas (Enua Enana na lingua local ou "land of men") para as ilhasTuamotu, um conjunto de ilhas e atolls em que cada ilha circunda uma lagoa com um anel de corais. Aí sim iremos encontrar as características ilhas e atolls do Pacífico, coisa que as Marquesas não são pois não são ilhas de coral. Do Pacífico profundo beijinhos e abraços. Cuidem-se.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Daily Log - Marquesas 03

Completamente reabastecidos saímos de Hiva Oa na busca de sítios mais agradáveis - a baía onde estávamos fundeados é movimentada, suja e pouco agradável - dirigimo-nos inicialmente para a ilha de Motane a cerca de 10 milhas a Sul - o projecto de ir para Fatu-Hiva ficou adiado porque o vento está muito forte e na proa - mas atentos às conversas no rádio descobrimos que toda a gente se tinha dirigido para a ilha de Tahuata, mesmo à beirinha de Hiva Oa e tinham encontrado uma baía fantástica, água limpíssima e abrigada do vento. Não teve que saber e cerca das 15:00 locais aí estávamos nós a fundear num sítio verdadeiramente agradável - estou fundeado com 10 metros e vejo o ferro - uma praia excelente, água a 29º mas dizem que há tubarões, mas como a água é limpíssima se eles vierem vemo-los ao longe. Se eu precisava de descansar é aqui sem duvida, mas como o Thor tem o casco muito sujo aproveitei para iniciar uma limpeza o que é uma forma original de descansar mas, não consigo ver o barco assim. Dependendo das condições do vento nos próximos dias iremos decidir se vamos a Fatu-Hiva - são 45 milhas de bolina cerrada - ou ficamos cá por cima. Já houve uma brincadeira com o 1º de Abril - as autoridades francesas tinham descoberto que os nossos certificados de fumigação eram falsos e andavam à nossa procura pelo que devíamos retirar as bandeiras e sinais do WARC e tentar passar incógnitos - que foi rapidamente descoberto mas, ainda houve quem fosse tirar as bandeiras. Mas o que é mais curioso é que eu tenho esse certificado passado no Panamá e já deu para o Equador/Galápagos mas ... nunca o Thor foi fumigado!!! Enfim curiosidades. E de Tahuata com os desejos renovados de uma boa Páscoa. Beijinhos e abraços. Thor VI over and out.