segunda-feira, 28 de março de 2011

Daily Log - Brs/Grn Final

Meus caros amigos e companheiros em resultado de uma opção algo arriscada mas bem pensada, o Thor VI voltou a ganhar. A decisão de fazer uma rota tão perto da costa quanto possível pagou bem a atenção e o trabalho a que nos obrigou. Fizemos menos milhas, apanhámos um vento mais estável e com melhor ângulo e uma corrente muito favorável e forte, talvez pela fase da lua, que nos "deu" singraduras, por duas vezes, superiores a 200 milhas/dia coisa que só tínhamos conseguido na costa Sul africana. Terminou em beleza o WARC 2010/11. Agora vamos "passear" até Marigot Bay (14Abr) e depois Sta. Lucia/Rodney Bay (16Abr) onde termina formalmente este  WARC. Depois disso seguimos para Antigua, para a Week Race, na ultima semana de Abril e depois para as British Virgin Islands/Nanny Cay Marina de onde parte o ARC Europe a 05 de Maio com destino a Lagos mas com passagem e paragem nas Bermudas e Açores. Cuidem-se.

domingo, 27 de março de 2011

Dayli Log - Sono Luca

Conforme é da tradição tenho aberto este forum aos meus parceiros de viagem para o que bem entenderem. Desta vez é o Luca Campana meu parceiro desde o Recife e que me vai ajudar até Portugal. É um profissional da náutica, bastante experiente, conhecedor dos princípios da arte teve uma rápida adaptação ao barco pelo que temos feito uma parelha excelente. Então diz ele:
Ciao a tutti, sono Luca e faccio parte dell’ equipaggio di Thor VI da quando abbiamo lasciato Recife per raggiungere Grenada. Che dire....tutto e’ accaduto in maniera alquanto improvvisa ed accidentale....l’infortunio del coskipper di Rui, il mio periodo sabbatico con conseguente vagabondaggio in terra brasiliana, l’incrocio con il percorso della world arc, un cartello lasciato nell’ufficio del marina e poi una mail, due chiacchiere col capitano e pronti via !! Una follia....puo’ darsi ma per ora tutto sembra procedere per il meglio e niente ci impedisce di sognare nuovi ancoraggi ed altre lunghe navigazioni ......chissa’ magari fino in Portogallo.

sábado, 26 de março de 2011

Dayli Log - Caribe 01

Pois meus caros amigos cá continuamos em tarefas domésticas tentando por o Thor em condições de receber a Sra. Armadora. E não tem sido fácil porque o tempo, com chuvadas frequentes, não tem ajudado e nós acima de tudo precisávamos de secar o interior do barco. Mas para já as coisas estão razoáveis e em condições. Entretanto ontem 25Mar chegou o Basia e os seus acompanhantes numa epopeia de mais de 1000 milhas. Houve muita emoção muito "coração" porque sempre foi um "dos nossos" que passou por um mau bocado que felizmente acabou em bem só com danos materiais e bastantes pois o barco está algo "amarrotado" com sinais evidentes da colisão e outros menos evidentes a nível da estrutura. Mas acabou em bem! De Grenada beijinhos e abraços.

quarta-feira, 23 de março de 2011

AVO 02 - Há mais marés ...

Pois é. O homem põe e Deus dispõe. Afinal acabei por ter de abandonar o meu companheiro no Recife, agora que já estava tudo a ficar afinado e as rotinas estabelecidas.Mas o esqueleto deu de si  e, para evitar piores consequências, lá voltei ao estaleiro. Felizmente apareceu um substituto, o transalpino Luca, rapaz jovem e que o Rui aprovou logo de seguida. Pareceu-me um marinheiro apto (gostei do nó de escota dobrado) e julgo que será uma óptima ajuda para o skipper. O Thor assim o exige para consumar a grande volta. A travessia do Atlântico Sul, no que me coube, foi uma boa experiência, salpicada por inúmeros episódios. Sta. Helena, a única escala, foi uma novidade. Um recuo no tempo,  para aí uma trintena de anos. Deixou-me aquela impressão do ultimo reduto de reclusão política ou albergue dos despromovidos e castigados, espécie de “tarrafal” britânico, claro que mais suave, organizado e evoluído. Contudo, nada de ATM’s ou celulares, acesso algo limitado á internet, bem como a dependência dum navio logístico que a visita mensalmente. Mesmo assim será, pela posição, uma boa escala, permitindo o repouso e o reaprovisionamento, onde só os mais perecíveis podem vir a faltar. O reabastecimento e aguada é feito no fundeadouro, mas como a mareta estava calma, não trouxe problemas. No final, até fomos bafejados pela sorte, pois a quebra do cabo da nossa poita, arrastou-nos para fora do ancoradouro e, felizmente, não abalroamos ninguém. E foi num repente. Sem o alarme de fundeio, noite luarenta e calma, o Rui veio espreitar cá fora e descobriu que “a ilha lhe parecia mais longe” e ”os barcos não estavam na mesma posição”. Largamos a bóia com o resto do cabo e fomos à procura de outra poita, agora para ficar. Sorte, também tem que haver. Como um mal nunca vem só, cerca de um dia após a largada de Sta. Helena, numa mareação folgada, ouvimos um estalo vindo do lado da proa e chamei a atenção do Rui para a posição anormal do tambor do enrolador da genoa, que tinha tombado para bombordo. Uma rápida inspecção permitiu ver que o estai real estava partido e que o conjunto estava suspenso na adriça da genoa. Esse conjunto foi arreado na manhã seguinte e depositado ao longo do convés, amarrado ao varandim de bombordo, saindo ainda pela ré aí uns bons 3 metros. Foi providencial a instalação do estai volante, permitindo assim que o mastro ficasse seguro e pudesse ser ajustado para a mareação com os alísios e o uso predominante do “parasailor”, arma que já vínhamos afinando no trajecto anterior e que tornou o nosso percurso até às costas baianas num verdadeiro cruzeiro de “plaisance”. Estabilizados, com o restaurante “Plano Inclinado” mais nivelado, conseguimos alguma regularidade no progresso das singraduras, salpicada por algumas “recolhas” inopinadas, fruto de curtas “squalls” com que os mares entretanto mais quentes nos iam presenteando. E enfim, numa grande acalmia, lá vislumbrei a costa dos coqueiros (visão algo diferente do que conheço, apesar de lá residir há uns anos) e após cruzarmos a linha de chegada, em frente ao farol da Barra, lá fomos atracar no pontão do Centro Náutico da Bahia, onde nos esperavam, alem dos incansáveis Susana e  Paul (organizadores), as indispensáveis e bem merecidas caipirinhas. E, como tinha prometido ao Rui, fomos com a Berta (minha cara-metade) ao Juarez, ali bem próximo, para comer o melhor bife de Salvador. Convém anotar. A estadia em Salvador, que já foi descrita nos relatos diários, teve o seu lado positivo – dar ao Rui a possibilidade de conhecer parte da cidade que foi a primeira capital do Brasil, dos seus arredores (Recôncavo, Itapuã, Morro de S. Paulo) e também do modo de vida baiano, da sua gente e da sua cultura multi-facetada, incluindo, entre outros aspectos, a culinária, com a sua diversidade de sabores e temperos. Penso que gostou e, como também andou por terras angolanas, pode estabelecer as fortes ligações que lá e aqui deixamos. A parte mais negativa e para a qual alertei, alimentada pela vizinhança do Carnaval, ali mesmo à porta, teve a ver com as alterações que induz no modo baiano de fazer as coisas, ou seja, um pouco lenta e ao correr do sabor. Tal foi o caso da recepção, montagem e instalação do novo conjunto estai/enrolador, cuja demora foi desgastante, com obstáculos difíceis de contornar. Na verdade, a montagem e afinação acabou por ter lugar na quinta-feira, noite dentro, e ainda bem, pois com a folia carnavalesca soteropolitana ao rubro, corríamos o risco de só poder largar depois da quarta-feira de cinzas e nunca chegaríamos ao Recife a tempo da largada para Grenada. Enfim, um pouco de sorte, no meio de tanta incúria e demora. Um ensinamento a guardar. Mas lá seguimos para o Recife. Agora, com tudo contra – vento, mar, corrente e algumas “squalls” para enfeitar e molhar. E o motor, que até então se tinha comportado brilhantemente, começou a dar das suas e parou repetidas vezes, mormente quando se alterava o regime. Falha de alimentação, sujidade, filtros, enfim uma variedade de hipóteses se apresentavam, causando alguma apreensão, particularmente na chegada ao porto do Recife durante a noite. E foi o caso, obrigando-nos a desenrolar de novo a genoa e a sair o porto, até conseguir estabelecer um regime que nos permitisse seguir até à poita de amarração no meio do canal (com os decibéis incríveis do Marco Zero, recinto ribeirinho onde o Carnaval fervia). Tudo bem, mas após várias tentativas infrutíferas, acabamos por largar o ferro e por lá pernoitamos (com musica, claro ), com vista a seguir bem cedo, na maré cheia (único processo), para o Cabanga Yacht Club do Recife. E assim foi, com os nossos amigos do Eowin e do Kalliope todos à espera, para ajudar na entrada e amarração. Havia no entanto outra coisa, que nos trazia alguma preocupação e que o Rui queria também verificar. Tratava-se do sistema de arrefecimento do motor, em que a saída de água e o aparecimento exagerado de fumo indicariam o mau funcionamento do mesmo. Durante a travessia tinha substituído o “impeller” mais do que uma vez, pois após algum período de funcionamento, apresentava-se sem palhetas, deficiência que atribuía a má circulação no circuito de arrefecimento. Assim (e nem tudo corre mal) conseguiu que o Sr. João, um excelente técnico de motores pernambucano, em plena terça-feira de Carnaval, lhe fizesse uma inspecção aos sistemas de alimentação e de arrefecimento, os quais ficaram a funcionar na perfeição, dando posteriormente lugar a um curto episódio, que não quero deixar passar. De facto, o Sr. João, com a limpeza que realizou no sistema de arrefecimento, conseguiu reunir um monte de pedaços de “impeller”que o Rui colocou numa taça e deixou no poço, tendo em vista poder mostrar aos amigos porque é que a água não corria e havia tanto fumo. Eis se não quando o nosso amigo andaluz Emílio, a pretexto duma questão referente ao reabastecimento de combustível, se aproximou da popa do Thor no seu “dinghy” e o Rui, pressuroso e atento, agarrou na taça e levou-a para ele ver. O mesmo, sem despudor, meteu a mão nas “tapas” e levou uma à boca, a qual, de imediato expeliu, com o impropério devido. O caso virou hilário e decidi intitula-lo de “O caldo de impellers”.
Pois é, mas contando com a ajuda de um amigo de longa data que tenho no Recife, lá fui fazer as ultimas compras para o completo reabastecimento do Thor, acompanhando o Rui nos últimos preparativos para a largada no dia seguinte e foi a despedida. Tive pena de o não poder acompanhar, pelo menos nesta ultima fase, como tinha previsto e supunha ser possível.
Conforme já tinha mencionado nas primeiras mil milhas e que reitero, o Thor é um bom barco, resistente, bem equipado, bem monitorado e mantido, e o Rui um bom skipper, atento, planeando e conduzindo todas as manobras com cuidado, antecipação e segurança. Penso que a experiência que obteve nesta volta e os conhecimentos que aprofundou, a que alia um conhecimento profundo do barco e das suas capacidades, permitem que agarre as situações mais complicadas com bastante destreza. Recordo aquela “magnífica” cambadela do “parasailor” e o ar de jovialidade e de satisfação. Sem espinhas!!!
Homem e nave perfeitamente integrados, perseverança e vontade de concluir o “seu projecto”
são os ingredientes necessários. Força companheiro, que Oeiras é já ali.
Foi um prazer navegar contigo e cá irei acompanhando a tua odisseia, desejando que tenhas ventos e mares de feição e chegues a bom porto, para podermos ouvir as histórias.
Voltei para o estaleiro, mas ainda não desisti. Há mais marés….
Um abração, tudo numa boa e “tanti auguri”

Tozé

Dayli Log - Brs/Grn 12

Eram 20:06 Locais/23:06 Lisboa quando o Thor VI cruzou a linha de chegada à entrada do porto de St. George, cumprindo as 2080 milhas da ultima etapa do WARC 2010/2011 em 12 dias 12 horas e 06 minutos. Devo dizer que tenho uma sensação estranha por confirmar que esta aventura (do WARC) terminou. E terminou molhada pois choveu certinho toda a santa tarde e após um ligeiro interregno aqui,à entrada da marina voltou a pegar e as manobras de atracação deram para estar completamente encharcado. Talvez seja essa a sensação estranha, ter os pés molhados. Agora vamos jantar e esperar que o tempo melhore porque prometi à Sra Armadora que chega Sábado, ter o barco limpinho e arrumadinho. Pois é, o "uma espécie de diário da patroa" vai regressar até Sta Lúcia lá para meados de Abril. Beijinhos e abraços das Caraíbas.

terça-feira, 22 de março de 2011

Dayli Log - Brs/Grn 11

Está passada a ultima noite no mar deste troço final do WARC 2010/2011 e voltaram as correrias e a chuva. Foi portanto uma noite "interessante", bem movimentada, depois de um dia calmo, tendo feito 170 milhas nas ultimas 24 horas. Assim sendo, faltarão cerca de 78 milhas para Port Louis onde prevemos chegar lá pelas 21:00 horas (24 em Lisboa). Passámos a Norte de Tobago ao nascer do Sol, tendo apanhado um mar completamente partido resultado de correntes e contra correntes típicas da navegação junto a ilhas. O tempo está meio nublado, mas agora o que nos interessa é aquela ilha que está lá mais à frente - ainda não visível - e onde iremos acabar esta tirada. Cuidem-se. Thor VI de novo no mar das Caraíbas over and out.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dayli Log - Brs/Grn 10

Vejam lá como os maus hábitos se instalam depressa, Nas ultimas 24 horas "só" fizemos cerca de 168 milhas e isto pareceu-nos de uma pasmaceira terrível porque nos últimos dias temos feito médias fantásticas indo mesmo acima das 200 milhas. Mas vamos voltar ao real porque o vento caiu assim como a corrente e está um mar de senhoras, magnifico para relaxar. Acabaram-se as correrias mas mesmo assim esperamos chegar amanhã lá para o fim do dia ou mais provavelmente no início da noite. Se não for possível entrar na marina de noite fundeamos na baía de entrada e atracamos no dia seguinte de manhã. Tudo depende do que acontecer em termos meteo nas próximas 24 horas já que nos faltam cerca de 250 milhas para 34 horas. Beijinhos e abraços.

domingo, 20 de março de 2011

Dayli Log - Brs/Grn 09

Mais uma vez o Thor VI ultrapassou o marca "mítica" das 200 milhas em 24 horas. Desta vez foi à justa pois fizemos 201. Durante o dia de ontem a corrente baixou - deve andar agora pelos 1,5 nós - mas como o vento subiu um pouco deu para manter a passada num ritmo bem elevado e que tem servido para nos manter empenhados no "puxar" pelo barco. A chegada a Grenada deverá ser a 22 durante a tarde ou principio da noite já que faltam, neste momento, menos de 415 milhas e nós continuamos a andar depressinha. O tempo está estável, sem chuva com vento na alheta nos 15/20 nós. Com o Basia não há alterações continuando a progredir para Grenada devendo chegar, mais os acompanhantes, lá para 26 Mar. Cuidem-se.

sábado, 19 de março de 2011

Dayli Log - Brs/Grn 08

Duzentas e cinco milhas foi quanto o Thor VI andou desde as 09:00L/12:00 UTC de ontem 6º feira até às 09:00L/12:00UTC de hoje Sabado, em resultado de um vento na casa dos 15/20 nós de largo e principalmente da corrente Equatorial Sul que parece estar muito activa. A verdade é que nós vamos aqui a voar baixinho - só tinhamos apanhado disto na descida da costa Este Sul Africana, mas aí com bastante mais vento - e continuamos porque as condições não se alteraram. Um final de WARC simplesmente fantástico, quando faltam cerca de 600 milhas para Grenada. O Basia e os seus escoltas continuam a progredir bem sem problemas de maior e com a moral a retomar níveis positivos.Esperamos por eles em Grenada. O tempo tem vindo a melhorar com a chuva a ser menos frequente e o Sol a aquecer. Ainda vamos chegar a Grenadsa com tudo seco. Quem diria. Entretanto a natureza continua bastante pobre, sendo que a única companhia são os peixes voadores aos milhares e é engraçado quando se levantam em bando (ou em cardume?) às dezenas. Ainda por aqui apareceram uns golfinhos mas muito pouco interessados e nada brincalhões. Apareceram e desapareceram sem deixar rasto nem graça. Sabiam que hoje é a noite de maior Lua cheia dos últimos 20 anos? Agora cuidem-se e não se esqueçam dos óculos de sol. Do Atlântico Norte a caminho do mar das Caraíbas Thor VI over and out.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Dayli Log - Brs/Grn 07

Parece, enfim que as coisas estão a melhorar. Ontem, 5º feira já ao fim da tarde saímos da massa de ar onde estavamos embrenhados há uma série de dias e finalmente vimos umas résteas do pôr do sol ainda que envergonhado. O vento acalmou e o mar também, depois rodou para SE estabilizou acima dos 10 nós e tivemos uma noite calmíssima, mas a progredir regularmente acabando por fazer acima das 150 milhas em 24 horas. Com isto faltam-nos, desde as 9 da manhã de hoje 6º feira, 817 milhas para Grenada. Está quase! Entretanto o tempo melhorou bastante, o processo de seca já começou, mas o solinho está muito envergonhado e nós continuamos com uma progressão bem certinha num largo bem estabilizado e equilibrado. Pelos lados do Basia as coisas estão a correr conforme previsto sem ter havido agravamento na situação, continuando escoltado de perto pelo Eowyn e Tucanon e com o apoio à distância do Jeannius, Destiny e Ariane. O plano continua a ser, para já, prosseguir para Grenada faltando-lhe um pouco mais de 1000 milhas. Nós devemos abandonar hoje a costa brasileira atravessando a fronteira com a Guiana Francesa,o que mostra bem quanto o Brasil é um país grande, mas é necessário algo mais para ser um grande país A moral e o conforto aqui pelo Thor melhoram a olhos vistos e esperamos um resto de World ARC bem mais agradável e descansado mas continuando bem depressinha. Beijinhos e abraços. Thor VI out.