terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Dayli Log - Lisboa enfim ...

... depois de uma "fantástica" viagem em que fui apanhado "em cheio" pelos problemas de controlo aéreo em Espanha, pois vim via Madrid. Consegui chegar 31 horas depois do previsto com muita confusão pelo meio com inúmeras horas de aeroporto num embarca, não embarca que dá cabo da cabeça a um santo. Foi sem duvida mais uma viagem "fantástica" e que exemplifica bem ao que nós "pagantes" estamos sujeitos nos dias que correm, à luz de direitos e liberdades mal explicados !!!! Agora vou aproveitar o tempo para rever os amigos e usufruir das "minhas pessoas". Regresso a Cape Town no início de Janeiro para partir para a próxima etapa a 08 Jan. com destino a Salvador com passagem por Sta Helena. Entretanto desejo-vos umas Boas e Santas Festas. Cuidem-se

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Dayli Log - RSA 09

O dia amanheceu com chuva (uma novidade, provavelmente para eu não estranhar), as malas estão feitas e eu estou a caminho. Nestes últimos dias aproveitei para fazer um  bocadinho de turismo e visitámos a Robben Island uma ilha frente a Cape Town que era uma prisão de alta segurança e por onde passaram todos os presos políticos. É hoje um monumento à luta pela liberdade seja ela qual for, independente da cor. Os guias são ex-prisioneiros sendo um sítio onde é importante ir, bem arranjado e bem apresentado onde as constantes referências à democracia e aos "nossos líderes" me tenham feito alguma confusão. Entretanto os trabalhos no barco estão indo bem encaminhados, vai ter uma nova genoa, a antiga não tem arranjo, o aparelho vai ser afinado, o bimini foi reparado e o motor, gerador e dessalinizador vão ter manutenção e no início de Janeiro irá estar tudo pronto pois o chefe do estaleiro, que fica encarregue de velar pelo barco, assim o garantiu. Agora vou de viagem. Beijinhos e abraços de Cape Town

domingo, 28 de novembro de 2010

Dayli Log - RSA 08

O tempo aqui em Cape Town continua uma miséria. Vento e frio com fartura. Na Quinta Feira houve um ligeiro intervalo que deu para tirar as velas e reposicionar o barco - contra os ventos predominantes que são bastante fortes e com cabos de amarração novos - o que era absolutamente necessário para que os trabalhos seguintes pudessem ser feitos. Assim, as velas foram medidas e Segunda Feira terei um orçamento, o aparelho foi verificado e está tudo em perfeito estado, necessitando apenas de uma afinaçäo que irá ser feita - está um bocadinho folgado. Foi importante esta verificação pois no Eowyn - que já tinha sido verificado em Reunion - foram descobertos 3 brandais do diamante desfiados e que vão ser substituidos tendo já o mastro retirado - uma avaria bem grave. No Thor tudo o que tinha previsto está bem planeado e encaminhado e estará tudo pronto a tempo e horas, podendo ir para Lisboa descansado. Durante o fim de semana ainda deu para um bocadinho de turismo com uma visita a "adegas' na região com prova de vinhos de belissima qualidade e a preços incríveis. E pronto de Cape Town é tudo. Cuidem-se. 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Dayli Log - RSA 07

Eram 12:30 de 23Nov quando o Thor entrou no porto de Cape Town, na marina do Royal Cape Yacht Club. As coisas passaram-se muito mais depressa do que o planeado face a uma boa corrente a empurrar e a um bom vento de Sudeste, tendo chegado exactamente na altura em que o vento refrescou bruscamente para intensidades acima dos 30 nós tornando a entrada na marina bastante complicada, até porque o espaço de manobra é muito apertado. Com um bocadinho de jeito e uma boa dose de sorte correu tudo bem e o Thor entrou direitinho no espaço que lhe destinaram ao lado do Eowyn que estava quase petrificado com medo que eu lhe acertasse. Pronto, já cá estamos e esta jornada está concluída e foi, sem duvida, das mais duras e difíceis desde que tudo isto começou. O Jack já foi para casa feliz e contente com um pólo do Thor e umas centenas de milhas no seu bonito Log Book. Agora vamos tratar deste barco que precisa de alguma manutenção preventiva a nível do motor, gerador, dessalinizador, hélice e de algumas pequenas reparações interiores e exteriores resultantes do uso intenso a que tem sido sujeito. A nível das velas vai levar, provavelmente uma genoa nova da North Sails, a genoa rasgada dificilmente terá arranjo de tão danificada que está, e a vela do mastro afinal também tem uma costura danificada mas é pouca coisa. O aparelho vai ser sujeito a uma inspecção completa, oferta da Admiral Marine Inssurance a todos os participantes do WARC sejam ou não clientes. Tudo isto deveria ser feito antes de ir para Lisboa, só que esta ventania, que os locais dizem ser normal - a Cidade do Cabo é conhecida por ter sempre muito vento e, talvez por isso ter tantos acontecimentos importantes no mundo da vela - e que vai durar até 6º feira o que impede até lá que o barco vá a seco, que se mexa nas velas, que alguém suba ao mastro, etc. Vamos ver como isto se vai resolver de forma a que em Janeiro esteja tudo impecável. Vou pelo menos poder descansar e talvez fazer um bocadinho de turismo. Entretanto como não há internet por aqui vai ser difícil actualizar convenientemente o blogue o que possivelmente só será feito  em Lisboa. De Cape Town beijinhos e abraços.

Dayli Log - RSA 06

Afinal a tal directa a Cape Town confirmou-se. Estamos a cerca de 70 milhas de chegada com bom tempo, bom mar e a boa disposição de mais uma jornada que está "quase" a concluir-se. Ontem 2º Feira 22 de Novembro pelas 18:15 hora local (16:15 em Lisboa) o Thor dobrou (e esta hem) o Cabo das Agulhas o ponto mais a Sul do continente africano tendo atingido o ponto de maior latitude Sul. A partir de agora é sempre a subir, e também se despediu do Oceano Indico (uff até que enfim) regressando ao Atlântico, não bem ao nosso mas aparentado. O Indico despediu-se com um swell grosso e rijo e até mesmo ao finzinho foi um osso duro de roer. Foi um dia bom com um céu azul ensolarado mas frio, muito frio, a temperatura durante o dia não ultrapassou os 19º e durante a noite vai para os 12º com a água do mar nos 14º. Um frio de rachar resultante de uma latitude muito Sul, mais de 34º. Também dentro de um par de horas passaremos pelo "nosso" Cabo da Boa Esperança - há por aqui tanta coisa que tem a vêr connosco, com a nossa saga e que não soubemos preservar - que será mais um ponto marcante nesta viagem e já são tantos. Do Thor VI de novo no Atlântico, a caminho de Cape Town over and out. Cuidem-se.

domingo, 21 de novembro de 2010

Dayli Log - RSA 05

O homem põe e a meteo dispõe! A boa previsão para irmos directamente para Cape Town alterou-se e um Sudoeste fresco aparecido no fim da tarde de 6º Feira levou-nos a entrar em Porth Elizabeth para passar a noite. Aproveitámos para retirar os restos da genoa e montar a outra mais pequena, meter combustível e pelo meio dia de Sábado saímos inicialmente com algum Sudoeste pela proa mas que rapidamente desapareceu deixando-nos no meio de uma enorme calmaria. É confortável mas andamos pouco para as nossas necessidades sendo que o nosso planeamento apontava (novamente) para uma directa a Cape Town, situação que neste momento não será muito possível pois "parece" que vai entrar um Sudoeste razoávelmente fresco, o que nos vai obrigar a "esconder" em Moossel Bay, mas a situação está muito variável. Para já estamos a cerca de 90 milhas de Moossel Bay a fazer cerca de 6 nós com alguma corrente pela frente. Entretanto julgo que o sistema automático de posição não estará a funcionar bem - estamos em vésperas da partida do ARC 2010 de las Palmas com 250 concorrentes pelo que os homens do mailasail não devem ter mãos a medir - pelo que envio a posição manualmente. E é pena que isto esteja a acontecer pois pelo meus registos no troço de Durban para Porth Elizabeth das 08:00 de 5º Feira às 08:00 de 6º Feira teremos feito mais de 220 milhas em resultado das ventanias todas e da corrente das Agulhas. É um "fantástico" valor - vi sempre dois dígitos no mostrador - que gostaria de ver confirmado por fonte exterior. Uma experiência unica!! Mas agora vamos tentar chegar tão longe e tão depressa quanto possível. Beijinhos e abraços.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dayli Log - RSA 04

Partimos de Durban na 4ª feira cerca das 14:00 num dia chuvoso e logo que o Noroeste rodou, ou parecia ter rodado dentro do porto, pois quando chegámos cá fora ainda não tinha rodado e com o mar também pela frente, começou a "porrada". E foi pancadaria até meio da noite pois tinhamos de chegar à batimétrica dos 200 metros onde deveriamos encontrar a "agulhas current". Quando a encontrámos era fraquinha, mas pelo menos abrimos do vento e do mar e as coisas acalmaram e foi assim até de manhã. Quando o sol nasceu, por pouco tempo pois as nuvens carregaram, o vento rodou para Nordeste, como previsto, e começou a refrescar. A meio do dia já andava pelos 25 nós e durante a tarde estabilizou nos 35/40 nós. Tudo isto estava previsto, talvez com menos intensidade no vento, e era uma situação para durar até meio da noite acalmando depois. E assim foi, mas aguentar este vento e o mar que ele provocou foi mais um "dia fantástico" e, como se isso não fosse bastante, a meio da tarde, no seguimento de uma "surfadela" de algumas centenas de metros, a genoa - no 3º rizo - vazou e quando encheu "explodiu" literalmente tendo-se transformado num monte de trapos. Mais de 25.000 milhas, 40 nós de vento e mar grosso devem explicar o sucedido! Arranquei o motor e, como um mal nunca vem só, o impeller "deu o berro" com o ruido caracteristico de um escape molhado a trabalhar em seco. Ou seja de um momento para o outro tenho a genoa rasgada, o motor parado sem arrefecimento, vento com 40 nós e vagas de assustar! O meu parceiro nem percebia o que se estava a passar. A grande experiência que diz ter deve ser em barcos nalguma feira popular - não sabia o que era um impeller - mas é um tipo divertido. Mas 10 minutos depois a genoa, ou que resta dela, estava enrolada, o impeller substituido, o motor a trabalhar e nós a prosseguir o nosso caminho. A calma reinstalou-se. Entretanto durante quase todo o dia fomos acompanhádos por centenas de golfinhos - nunca tinha visto tantos - e traziam com eles um "display team" que nos brindou com um espectáculo magnifico de saltos acrobáticos. Um espanto! Depois com a noite o vento foi acalmando e o mar também e hoje estamos com um sol magnífico a cerca de 30 milhas de Port Elizabeth com destino Cape Town - temos uma boa previsão meteo - onde estimamos chegar na 2º feira durante a tarde. Eu bem tinha palpitado que este troço nos iria dar água pela barba. Da costa Este da África do Sul Thor VI over and out.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Dayli Log - RSA 03

Richard Bay e o Zululand Yacht Club, onde fomos excelentemente recebidos, já ficaram para trás. Partimos a 14 Nov. ao fim da tarde de um dia chuvoso, e fizemos cerca de 100 milhas em 15 horas tendo chegado a Durban de manhã bem cedo depois de uma noite bem mexida, com o vento a andar sempre pelos 10/15 nós, mas com mareta atravessada o barco esteve sempre bastante desconfortável. Que o diga o meu novo parceiro que meia hora depois de sairmos de Richard Bay (eu bem me parecia que o gaz se lhe acabava depressa!) já estava inoperante e só recuperou já estávamos quase aqui em Durban. E aí desatou a explicar mas como ele também diz que é um excelente cozinheiro ... só não consegue ir ao interior do barco a navegar! Enfim, como é só até Cape Town, tenho um "entertainer" a bordo. Agora estamos na Durban Marina, onde fomos novamente muito bem recebidos, num local bem posicionado na cidade, a segunda cidade da África do Sul com 3 milhões de pessoas onde os gradeamentos nas portas e janelas são um indicador de como se vive por aqui. O planeamento aponta para uma saída amanhã ao fim da manhã tentando chegar a Moossel Bay lá para Sábado (são cerca de 650 milhas), descansar aí um dia ou dois e depois fazer o troço final para Cape Town no início da próxima semana. Thor VI over and out. 

sábado, 13 de novembro de 2010

Dayli Log - RSA 02

Continuamos em Richard Bay mas vamos sair amanhã para Durban num pequeno salto de cerca de 100 milhas. Devemos ficar em Durban até 3ª feira e depois seguir para mais um "salto" até East London ou Port Elizabeth. Pelo menos é isto que as previsões aconselham, agora, porque as variações são permanentes e é preciso ter cuidado. As cerca de 950 milhas até Cape Town vão-nos dar água pela barba. Entretanto o problema da balsa está resolvido e já a tenho instalada, assim como também já tenho um novo parceiro. É um inglês de 68 (!) anos, "financial controler" reformado, vivendo na África do Sul em permanência há cerca de 1 ano, fala não sei quantas línguas inclusive espanhol, tendo feito este troço num barco do último WARC. Este ano telefonou para o World Cruising Club a oferecer-se para participar e ... tocou-me a mim até Cape Town e, parece que irá fazer o troço para Salvador no Kalioppe com o Emílio. O homem tem um "gaz" tremendo, talvez até em demasia mas isto passa-lhe (!). E pronto estão as novidades actualizadas e nós estamos prontos para partir. Cuidem-se

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

JSB 04

Foram só 5.000 milhas, mas, para mim, 5.000 milhas são mesmo muitas milhas !!! Chegados à África do Sul, deixo para trás o Oceano Índico e dois meses de uma experiencia única. Pelos relatos que me foram feitos pelo Rui e pelas tripulações de outros barcos, a travessia do Índico foi a etapa mais difícil e complicada desde que começou este WordArc. Saímos das Cocos Islands sob a ameaça de “gales” e fortes depressões desviando a nossa rota para sul, navegámos oito dias seguidos com ventos constantes a rondar e a passar os 30 nós, cavalgámos ondas que faziam desaparecer o horizonte, apanhámos, na última etapa, correntes contrárias que nos fizeram andar a passo de caracol, sofremos com previsões quase catastróficas das condições que iríamos enfrentar. Para mim, contudo, e por incrível que pareça, foi uma aventura que decorreu com alguma tranquilidade. E a explicação é simples: o Thor VI é um barco bem equipado, compacto, forte e fiável e o Rui Soares é um Skipper seguro que inspira confiança. Tivémos também momentos de descanso e lazer e a oportunidade de conhecer novas terras e novas gentes com as paragens na Maurícia e na Reunião. Tenho pena de não continuar e, sendo a primeira vez que ponho os pés em África, custa-me não poder aproveitar para ver alguma coisa das tantas que esta terra tem para mostrar. Mas, a vida continua e tenho que voltar à minha actividade profissional. No entanto, saio daqui com forças renovadas, com a certeza de ter aprendido muito sobre navegação, vela e mar e ... estou pronto para outra. E até me parece que, quando chegar a Lisboa, a crise já terá passado e os impostos terão baixado.