terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Austrália está a acabar ...

É verdade, desde que entrámos em Mackay fizemos cerca de 1800 milhas subindo toda a grande Barreira de Coral até Thursday Island e depois até Darwin. Foi um "free cruising" fantástico cheio de coisa bonitas, sítios interessantes e civilizados - Cairnes, Hamilton ou Airlie Beach das Whitsunday Islands - ou menos publicitados - Bowen, Towsvile - ou quase desérticos - Night Island, Escape River - mas muito exigentes em termos de atenção e cuidado na navegação e comportamento. O controlo pelas autoridades sobre tudo o que fazemos é impressionantemente discreto. Os meios aéreos e navais controlam tudo e interrogam-nos com frequência, os "customs" e os "quarentine" são de um  profissionalismo e rigor extremo, mas com educação e simpatia. Afinal entrar e sair da Austrália foi fácil e sem história contrariando tantas "estórias" mal contadas. Foi uma experiência extraordinária que vai desde o "jantar dos McDonald" aos "crocodilos saltadores" do "primeiro mundo" das whitsundays ao terceiro das terras do Norte, da civilização  "branca" à não integração aborígene e que nos deixa um sabor a pouco mas, a vida continua e vamos ter de começar a segunda parte desta aventura e, é o sentimento de todos, vamos iniciar o regresso a casa. Vem aí o Indico, a África do Sul, o Brasil, as Caraíbas, uff afinal ainda falta "muito assunto". Mas para já a Austrália vai ficar para trás (o continente porque Cocos ainda é Austrália) partimos amanhã (01Set) Indico fora, para Bali, são mais umas 900 milhas, devendo chegar lá para 08/09 de Setembro. Meus amigos a Austrália já era, agora vamos iniciar o regresso a casa e um dia destes estamos aí. Cuidem-se.

O Pacífico já se acabou ...

Pois foi, o Pacífico já ficou para trás.Pelas 12:35 hora do Panamá/17:35 hora de Lisboa de 28/01/2010 o Thor VI entrou no Pacífico e em 18/08/2010 saímos de Thursday Island a caminho de Darwin e do Indico deixando para trás um imenso oceano, o maior de todos e do qual levamos imensas recordações. Foi o bom tempo que se fez sentir na maior parte do trajecto, a espectacularidade da fauna dos Galápagos, foram as paisagens agrestes das Marquesas, os atol dos Tuamotos, a civilização do Tahiti, Bora Bora, Huaini e restante Polinésia francesa, a singularidade do Niue e de Tana, o "fantástico" kingdom of Tonga, os contrastes de Vanuatu, enfim um mundo de recordações que teremos de digerir adequada e atempadamente. As coisas correram bastante bem, não tivemos problemas de maior, mantivemos o barco sempre a andar pelo que aguentámos sem problemas o ritmo do cruzeiro, obtendo inclusive boas prestações na componente competitiva. Os problemas de tripulação que surgiram no início desta travessia foram sendo resolvidos da melhor maneira possível e desde o Tahiti, com a chegada da "patroa" tudo normalizou permitindo-nos desfrutar desta oportunidade única de velejar pelas ilhas do Pacífico. E o Pacífico levou-nos até à Austrália. 

domingo, 29 de agosto de 2010

Uma espécie de diário da Patroa - 23

AUSTRÁLIA – 26.08.2010
Darwin é a capital do Northern Territory, o estado do nordeste australiano ( a propósito, os relógios aqui atrasaram ½ hora, ou seja, já "só" há uma diferença de 8,5 horas em relação a Portugal). A cidade tem actualmente cerca de 100.000 habitantes e depois de severamente bombardeada durante a 2ª Guerra e da devastação quase total sofrida com o ciclone de 1974, Darwin é agora uma cidade nova, moderna e em grande crescimento. O centro da cidade é muito agradável com muitos edifícios reabilitados, o comércio é elegante com bares esplanadas e restaurantes por todo o lado, todos eles com bastante movimento. Vê-se que o  turismo é uma actividade importante pela quantidade de hotéis, agências de tours e lojas de souvenirs existentes, assim como é a actividade da pesca. Mas Dawin espalha-se por uma grande área, tem grandes bairros residenciais com belas casas rodeadas de muitas árvores, sobretudo palmeiras de variadas espécies, tem parques de enormes dimensões e aproveitou bem a sua exposição ao mar (Darwin é banhada pelo Mar de Timor) com uma grande marginal. Depois parece tudo bem organizado, funcionando sem stress, talvez porque a temperatura e a humidade sejam muito elevadas todo o ano e não aconselhem grandes correrias, mas há movimento sem ser em demasia e a cidade parece tranquila. O dia esteve quentíssimo e com um elevado teor de humidade pelo que não apetece fazer muita coisa. Felizmente a temperatura à noite baixa para níveis agradáveis para se estar na rua, embora insuficientes para baixar a temperatura no interior do Thor (como não temos ar condicionado já comprámos mais uma ventoinha!!). Ao fim da tarde fomos até ao Mindil Beach Market, uma das atracções que acontecem todas as 5ªs feiras e domingos das 17h às 22h. É basicamente um mercado de rua com tendas de souvenirs e artesanato e com mais de 150 tendas e roulottes de comida, sobretudo asiática e onde as pessoas se passeiam, compram comida e se espalham pelo chão a comer e a assistir a espectáculos de música ou de artistas diversos. Ao pôr do sol toda a gente vai para a praia assistir ao espectáculo e depois a festa continua. E estavam ali milhares de pessoas! Uma das originalidades locais!!

AUSTRÁLIA – 27.08.2010
Concentração às 7h30 na entrada da Marina para o Tour ao Litchfield National Park que fica a 110 Km de Darwin. As atracções são os montes construídos pelas térmitas, pela quantidade e a enorme altura que atingem – numa determinada zona eram tantos e todos com a mesma orientação que pareciam campas num cemitério – , as quedas de água e as piscinas que formam onde se pode tomar banho (o Pepe do Kalliope chama-lhes “ uns charquitos”) e a floresta existente onde, no seu interior, a temperatura é mais baixa e, portanto, onde se está bem melhor. De animais ainda vimos um cassuar a fugir na estrada, 2 pequenos wallies e imensos morcegos para além de muitas aves. O almoço foi comprado numa roulotte e comido numa espécie de parque das merendas, ao sol e se este estava forte!! Para compensar, o jantar foram camarões no restaurante Christo’s na Marina, um restaurante grego cuja especialidade é peixe e até tem sardinhas grelhadas (3 sardinhas). 

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Uma espécie de diário da Patroa - 22

AUSTRÁLIA – 19 a 23.08.2010
A largada para a 13ª etapa foi dada ao meio dia frente a Thursday Island e esperavam-nos cerca de 750 milhas até Darwin e 5 dias de viagem. De manhã ainda fomos a terra em Horn Island fazer compras para a viagem, numa espécie de supermercado que mais parecia um armazém, mas onde encontrámos tudo o que era preciso, pão, fruta e legumes já que no dia anterior tínhamos já comprado carne num talho em Thursday Island.  À partida estavam 12 barcos - 5 (Jeannius, Brown Eyed Girl, Ocean Jasper, Crazy Horse e Wild Tigris) tinham ficado para trás e apanham-nos mais à frente e o Ariane partiu um dia antes -, soprava um vento bastante forte com rajadas que atingiam os 36 nós o que tornou a partida num momento bem complicado . Mas correu tudo bem, com Thor a partir bem, e com aqueles ventos e uma forte corrente favorável chegou a atingir uma velocidade superior a 10 nós. Depois tudo acalmou, os barcos começaram a dispersar-se, durante o 2º dia ainda conseguíamos distinguir as velas de 4, ao 3º dia só de 1 e ao 4º já não se viam velas de nenhum barco, embora pelo contacto rádio diária sabemos sempre onde cada um se encontra. O Eowyn andou sempre perto pois os 2 barcos têm velocidades muito semelhantes - aliás andam pegados, no bom sentido, há muito tempo - mas a meio da viagem rompeu a vela grande e foi ficando mais para trás, para grande desgosto do Graham que não "aguenta" ser batido pelo Thor o que tem acontecido com demasiada frequência. O nosso dia a dia em viagem é quase sempre igual, há as refeições, pequeno almoço, almoço e jantar, afinam-se velas, fazem-se vigias e descansa-se sempre que se pode, no cockpit e à noite por vezes também no salão, pois a navegação a dois é muito exigente. A maior distracção acontece quando passa por nós uma tartaruga, boiando ao sabor da corrente com a cabecinha no ar, ou uma cobra do mar, serpenteando as suas listas brancas e pretas ao de cima da água, ou quando os golfinhos vêm brincar junto do Thor, como aconteceu em cada um dos nossos dias de navegação. Já deixámos para trás a Grande Barreira de Corais com as suas águas tranquilas, pouco profundas, claras e transparentes, de um azul turquesa ou por vezes mais verde turquesa intensos, navegando sempre entre ilhas e à vista de terra. A navegação fazia-se agora no mar de Ararufa, já no Oceano Índico, com maiores profundidades, sem os perigos dos corais e sem terra à vista. A maior adversidade aqui são as correntes, sobretudo quando atravessámos o Estreito de Van Diem, já mais perto de Darwin, onde jogar com as marés é fundamental para se poder continuar a avançar. A nós correu-nos tudo muito bem, a progressão foi sempre rápida com ventos de popa na ordem dos 20 nós, até ao último dia em que o vento desapareceu por completo. Ora sem vento temos que usar o motor e as horas de motor contam como penalização para a classificação nas etapas – e anda aqui uma “guerra aberta” entre alguns barcos, Eowyn e Thor incluidos - entretanto o Rui “descobriu” um caminho mais curto, uma espécie de atalho com menos uma dúzia de milhas, mas que obrigou a uma gincana num canal apertado e a uma noite inteira de navegação e vigilância redobradas. Finalmente a linha de chegada, em Darwin, foi cortada às 4h35 do dia 24, cerca de 10 horas mais cedo do que inicialmente planeado o que nos deverá dar um excelente resultado. O único contratempo que tivémos durante a viagem foi terem-se rompido os canos da torneira da cozinha o que obrigou a desligar a bomba de água a 2 dias de chegarmos a Darwin. Felizmente que o Thor é um barco antigo que ainda tem umas bombas manuais de água doce e salgada na cozinha o que nos permitiu continuar a ter água no barco ainda que de uma forma limitada.

AUSTRÁLIA – 24.08.2010
À chegada a Darwin todos os barcos que tenham vindo de um porto exterior, mesmo que, como era o nosso caso, já tenham entrado noutro porto australiano, têm que ser obrigatoriamente sujeitos a uma inspecção do casco e a um tratamento químico nas entradas de água, para além de ser exigido o comprovativo de que foi aplicado o antifouling há menos de 6 meses. Assim, a 1ª paragem em Darwin foi em Fannie Bay, onde fundeámos à espera da inspecção marcada para o meio dia, tendo sido aproveitada a manhã para dormir pois tínhamos passado a noite em claro. O trabalho dos mergulhadores foi rápido, mas o produto aplicado obriga a uma quarentena de 14 horas sem poder ser usada a água a bordo, pelo que logo que este trabalho ficou concluído, o dinghy foi posto na água e rumámos a terra em direcção ao Sailing Yacht Club, um espaço muito agradável, com bar, restaurante e uma grande esplanada frente ao mar. A 1ª prioridade do dia foi reparar a canalização da torneira da cozinha, tivémos que comprar uma torneira nova, mas ao fim da tarde o Rui montou-a e voltámos a ter o Thor a funcionar em pleno. Também tivémos que ir aos Customs, mas não tivémos que preencher mais nenhum impresso e ao fim de 5 minutos estávamos despachados, um trabalho simples e eficiente. Em Darwin o tempo está muito quente, mais de 30º durante o dia, e a humidade também é muito elevada, condições tropicais a que já não estávamos habituados nos últimos tempos e a que temos que nos ir calmamente adaptando.

AUSTRÁLIA – 25.08.2010
Manhã cedo toda a frota rumou às Marinas que lhe haviam sido destinadas, os monocasco para a Tipperary Waters e os catamaran para o Fishermans Wharf, pois só haveria profundidade suficiente para entrar na marina até às 9h. A entrada foi barco a barco, nós fomos o penúltimo, pois ambas as marinas têm comportas por causa da enorme amplitude das marés e a entrada de cada barco demora cerca de 20 minutos – abrir a comporta exterior, entrada do barco, fecho da comporta exterior, nivelamento da água e abertura da interior, uma trabalheira. A Tipperary Waters é uma marina pequena, estarão aqui cerca de 50 barcos, mas bastante acolhedora, com casas à volta com o seu cais privativo e bons serviços de apoio, restaurantes, supermercado, lavandaria, etc. Como é habitual este primeiro dia foi destinado às limpezas, por fora e por dentro, e à lavagem da roupa - fiz 4 máquinas de roupa e outras tantas de secagem - e à noite fomos até Dinah Beach Yacht Club, ficava a 5 minutos a pé, onde havia musica ao vivo e um bar e serviço de restaurante tipo take away. Tudo muito “australian style” e às 10h regressámos ao barco pois ainda temos algumas horas de descanso por acertar.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Uma espécie de diário da Patroa - 21







AUSTRÁLIA – 13.08.2010

Saímos pelas 08:00 e 24 horas após fundeámos em Night Island, uma pequena ilha em forma de amendoim, baixa, deserta, mas que oferece boas condições de ancoragem. Nestas 24 horas percorremos 156 milhas, média de 6,5 milhas/hora, velocidade só atingida pelo Thor  quando há ventos fortes e a empurrar. Na verdade durante todo o dia o vento soprou fortíssimo, 30/35 nós e o céu esteve sempre encoberto, no fim do dia o vento abrandou um pouco mas esteve uma noite muito fria. Esta parte da Austrália por onde navegamos, ainda no estado de Queensland, é uma zona de reserva aborígene, para onde aqueles coitados foram mais ou menos empurrados, tendo-nos sido dito que não seria aconselhável ir a terra. A foz dos rios, e nesta zona há muitos, são por natureza zonas bem abrigadas dos ventos mas estão infestadas de crocodilos e portanto, também nada aconselháveis! Ainda a ter em conta as características da Barreira de Corais aqui mais estreita e com fundos ainda mais baixos. Navegamos com profundidades inferiores a 20 metros e com bastantes recifes espalhados, felizmente bem assinalados nas nossas cartas electrónicas, a que acresce o movimento dos barcos de pesca, sobretudo à noite e dos grandes navios com quem partilhamos o mesmo corredor. Por tudo isto a navegação é bastante exigente, requerendo uma atenção redobrada, o que provoca um cansaço adicional, e como os locais abrigados para ancoragem não são assim tão abundantes sendo obrigatório abordá-los ainda com luz do dia, somos obrigados a algumas tiradas grandes, de que eu não gosto nada. Mas estávamos nós e o Eowyn pacatamente fundeados em Night Island, recuperando de uma longa noite, quando uma grande lancha também ali fundeia e mais um helicóptero aterra na praia ali em frente e mais uns barcos de pesca desportiva se movimentam e uns dinghys correm dum lado para o outro. Uma azáfama que eu até pensei tratar-se de alguma organização de investigação marítima, até porque tínhamos acabado de ser chamados pelo rádio por um “Customs Aircraft” que confirmou a nossa identificação, os portos por onde tínhamos passado, num controlo de rotina feito por patrulhas aéreas. Pelas 17:00 um dinghy aproxima-se do nosso barco com dois jovens devidamente identificados como tripulantes da “Spirit of Freedom” – assim se chamava a lancha grande - e, em nome de uns senhores americanos convidam-nos para uma bebida a bordo e para jantar. A primeira impressão é de surpresa e alguma relutância pelo inesperado do convite mas depois pensamos, e porque não?, e decidimos aceitar o convite. Igual convite foi feito ao Eowyn que de imediato o aceitou. Assim, pelas 18:00 o mesmo dinghy, sempre com tripulantes devidamente uniformizados vieram buscar-nos. Somos recebidos por um grupo de americanos, em que um tal Fred, o mais velho (e bastante!) se percebe ser o líder. Afinal a tal grande lancha é o barco-mãe, tipo hotel de 5 estrelas, contratado por este grupo de americanos que vieram pescar para a Austrália e toda a restante frota, 3 barcos de pesca desportiva e um helicópetro, servem de suporte para as pescarias. Fomos recebidos principescamente, com as bebidas servidas no deck superior, onde fomos objecto de uma infinidade de perguntas, porque para aquela gente nós eramos quase uns extra-terrestres, com uns barquinhos pequeninos – e vistos do deck da lancha pareciam uns barquinhos - sem ar-condicionado, sem empregados, sem congelador, a andar tão devagarinho e a dar a volta ao mundo e um deles até tinha uma bandeira que ninguém conhecia! Eles nem acreditavam no que estavam a ouvir das nossas aventuras e desventuras, mas foram de uma simpatia inexcedível. Entretanto apareceu um tubarão que se tinha aproximado da lancha, provavelmente atraído pelas luzes e era um GRANDE TUBARÃO, teria muito mais de 2 metros e que pacatamente rondou por ali um bom bocado. O bicho metia respeito! Seguiu-se o jantar, onde estariam umas 25 pessoas, no salão principal, com menu impresso e mesas postas com todo o requinte. Já agora a ementa incluía peixe, barramundi, costeletas de porco, ragout e tarte de chocolate. Um verdadeiro luxo! Durante o jantar houve discursos enaltecendo a “empresa” e até foi apresentado um pequeno filme de uma fundação de apoio a crianças do qual um dos presentes era o “boss”. Tudo mas tudo tipicamente americano. Finalmente percebemos quem eram estes senhores com tanto despreendimento aos dólares. A empresa é a “Macdonalds” e o tal Fred Turner é, ou antes foi, porque agora parece estar já retirado, o Big Boss da empresa e os outros americanos, só homens, são amigos ou família, mas tudo gente muito importante com ligações à MacDonald. Tudo muito “american style” mas do muito rico que eu julgava que com a crise já não existiam coisas destas. O Fred já não estava em muito boas condições de saúde, só fumava e bebia, mas faz este “tour” há uns anos, 15 dias com este grupo e mais 15 dias com um outro grupo que substituirá este. Mas que grandes e ricas vidas!! As restantes pessoas a bordo eram australianas, um médico, os tripulantes dos barcos de pesca, o piloto do helicóptero e a tripulação da lancha que incluía, claro, um cozinheiro. Mas foi uma noite e um jantar completamente inesperados nestas paragens australianas e que entraram, sem dúvida, em conjunto com o jantar da dança flamenga em Tapana e o jantar no restaurante em Tana, para as recordações fantásticas desta maravilhosa aventura!

AUSTRÁLIA – 14.08.2010
Largámos de Night Island às 8h00 rumo a Portland Roads, 40 milhas mais a Norte, onde chegámos pelas 15h00. A lancha grande ainda lá ficou apesar do helicóptero ter levantado bem cedo, fico a imaginar se teria ido só buscar os jornais (?) ou apenas descobrir o melhor pesqueiro! A viagem foi tranquila e a baía onde fundeámos era abrigada ficando frente a uma praia onde se vêem 3 construções, as primeiras casas que vemos há muitas, muitas milhas. Temos navegado junto à costa sendo de assinalar o facto de não se verem casas, apenas floresta chegando por vezes quase até dentro do mar. Assim à noite, as únicas luzes que se vêem são as das estrelas, quando não estão encobertas por nuvens, e como só agora começou a lua em quarto crescente temos tido noites mesmo muito escuras. O tempo também ainda não melhorou e durante o dia tivémos sempre o céu coberto de nuvens. Já fazia falta um céu azul e um bom dia de sol e de calor! A água do mar até que nem está muito fria (cerca de 24º) mas com tubarões – e lembro-me daquele grande - e crocodilos por perto, parece gelo!

AUSTRÁLIA – 15.08.2010
A paragem seguinte foi em Margaret Bay junto ao Cabo Grennville, 40 milhas mais a norte, num ancoradouro de novo seguro e bem protegido. O sol já apareceu, a temperatura continua a aumentar e também a da água do mar, agora já acima dos 25º. O vento estava forte, da ordem dos 20 nós, o adequado para uma grande velejada, como o Rui gosta e assim a viagem foi rápida. Quando chegámos a Margaret Bay já lá estava fundeado o Voyageur e conforme tinha sido acordado no dia anterior, o Eowyn desceu o dinghy e, convidou-nos, a nós e ao Voyageur, para uma bebida a bordo. Depois foram convidados para jantar a bordo do Thor e a noite acabou cedo pois no dia seguinte esperava-nos uma grande madrugada.

AUSTRÁLIA – 16.08.2010
Partida às 4h00, ainda era e seria noite cerrada, em direcção a Escape River, 70 milhas a norte, o último ancoradouro seguro antes de Thursday Island. A madrugada ficou a dever-se ao facto de termos de chegar a Escape River com luz do dia dados os perigos que a zona apresenta. Escape River fica na foz de um rio, onde se faz a cultura de pérolas e está, portanto, cheio de bóias que são um perigo para os hélices dos barcos. Tem também grandes correntes e amplitudes de marés e está infestado de crocodilos pelo que não devemos sequer pôr de fora do barco um braço ou uma perninha. Estas indicações foram confirmadas pelo Destiny na chamada geral entre os barcos da frota que acontece todas as manhãs às 09:00 via SSB e que ali fundeara no dia anterior. Durante a viagem, de novo com um vento forte mas excelente para a vela, fomos brindados com as brincadeiras de 6 golfinhos que nos acompanharam durante algum tempo. É sempre uma excitação e um momento de grande deleite quando os golfinhos aparecem. Fundear em Escape River não foi tarefa fácil, tantas eram as bóias, mas lá arranjámos um local menos mau, com boa tensa – como eles dizem - embora não muito abrigado dos ventos que sopram forte. Mas será só para passar a noite!

AUSTRÁLIA – 17.08.2010
O despertador foi posto para as 6h00 e partimos de Escape River às 6h30, sem tocar em nenhuma bóia, inteiros, sem nos faltar nenhum bocado, mas sem vermos qualquer crocodilo – desta vez a madrugada foi devida ao facto de precisarmos de pelo menos meia maré para sair do fundeadouro, mas também precisarmos de luz do dia para ver as bóias. Partimos nós, o Eowyn e o Voyageur todos à mesma hora, mas um pedaço mais à frente o Eowyn separou-se e decidiu fazer mais uma meia dúzia de milhas contornando uma das ilhas porque teve receio de passar pela Albany Passage por causa dos ventos e das correntes. A Albany Passage mete respeito, ao longe parece um canal muito estreito cavado entre 2 ilhas onde mal cabe um barco, mas à medida que nos aproximamos as dimensões do canal tomam outras proporções e já nos sentimos mais à vontade e, no final, apesar dos ventos fortes que sopravam ainda beneficiámos de uma corrente favorável de 1 nó. Depois passámos o Cabo York, o ponto mais alto do Continente Australiano e entrámos na zona do Torres Strait que separa a Austrália da Papua Nova Guiné, com imensas ilhas, ilhotas e rochas e famoso pelas suas enormes correntes. Voltaram as nuvens, durante a viagem ainda apanhámos uns pingos de chuva, e um vento forte manteve-se até à chegada. Chegámos a Thursday Island pelas 13h com vento forte e mar muito revolto e ainda tentámos fundear na baía agarrando-nos a uma bóia que na altura estava livre embora nos tivesse sido dito que todas as bóias eram privadas e que se o dono a reclamasse teríamos que saír. Foi isso que aconteceu e ao fim da tarde rumámos a Horn Island que fica em frente de Thursday Island, a 1,5 milhas de distância, tem uma zona de fundeio mais abrigada e tem ferrys de ligação a todas as horas. A maioria dos barcos da frota que entretanto foram chegando tomaram esta mesma opção pois as condições em Thursday Island eram bastante deploráveis. Com isto tudo ainda não fui a terra e depois de 8 dias a bordo já está mesmo a apetecer!


AUSTRÁLIA – 18.08.2010
Manhã cedo tomámos o ferry para Thursday Island ( o Eowyn deu-nos boleia no dinghy até terra e assim poupámos o trabalho de descer o nosso, para além de que o local de amarração dos dinghys era pequeno e pouco seguro, avisos de crocodilos nas redondezas) e no cais de desembarque havia um autocarro, gratuito, para levar os passageiros até ao centro da cidade. Esta zona foi muito importante durante a 2ª Guerra Mundial e sofreu vários raids aéreos dos Japoneses, tendo estado aqui concentradas alguns milhares de tropas, mas desde então a civilização não passou por aqui. No entanto este é o porto de entrada mais a norte na Austrália (a propósito aquela visita dos Customs e Quarentine não se efectuou, tinha havido uma informação deficiente, mas acontecerá em Darwin), a porta de entrada para quem vem da Papua Nova Guiné e onde existem os serviços alfandegários. Tudo em Thursday Island era muito estranho, uma cidade vazia, com casas pré-fabricadas, algumas delas fechadas, outras mal cuidadas, muitas delas tendo no quintal um barco em vez de um automóvel. A população que se vê nas ruas também é diferente da que encontrámos nas outras cidades por onde andámos, tendo aqui grande peso a comunidade aborígene (muito escuros e na generalidade muito gordos). O comércio é reduzido, pobre e parece que retrocedemos no tempo pois os manequins expostos nas montras são do tempo da 2ª Guerra. Restaurantes também não havia, nem Internet Cafés e o melhor local que encontrámos para almoçar foi no Gab Titui Cultural Centre, onde havia um bar e uma galeria de arte aborígene. Aqui havia uma rede de Wifi fraquinha, mas não tínhamos levado o PC para terra e, portanto, não a pudémos usar.  Os telemóveis também ali não funcionaram, aliás já desde Cairns que não havia rede. A principal actividade que pareceu existir na ilha foi a pesca, havendo vários barcos de pesca fundeados tanto em Thursday Island como em Horn Island. Ao meio da tarde estava tudo visto e regressámos de ferry ao Thor.

Uma espécie de diário da Patroa - 20

AUSTRÁLIA – 07.08.2010
Cairns é o grande centro turístico de Queensland. A marina está cheia e à volta vêem-se grandes hotéis e grandes centros comerciais, tudo com um ambiente de um certo luxo (Louis Vuitton tem aqui uma loja). O movimento é enorme e ao fim da tarde os bares estão cheios e o barulho é imenso – há muita gente nova. Quando chegámos foi-nos dito que a Marina estava cheia, mas a simpatia do encarregado, Jo, resolveu-nos a situação e arranjou-nos um lugar onde até poderíamos ficar os dias que quizéssemos, apenas era preciso que o Rui fosse um bom marinheiro para arrumar o Thor no lugar que nos foi destinado, face à ventania que se fazia sentir. Connosco chegou também o Eowyn, que já tinha feito antecipadamente a reserva de lugar na Marina, e já ali se encontravam o Voyageur e o Destiny que de imediato nos convidou a todos para uma bebida a bordo ao fim da tarde. A tarde foi de descanso e de pôr o sono em dia depois de mais de 24 horas de navegação, mas às 18h estávamos todos reunidos no Destiny, um catamaran Privilége 43 de um casal alemão que viaja com mais um casal e uma amiga. Éramos 14 no cockpit, todos sentados, e espaço é coisa que não faltava naquele barco, para além de ter 4 cabines e 4 casas de banho. É uma forma diferente de navegar!!!

AUSTRÁLIA – 08.08.2010
Em Mackay, o Stephen do A Lady tinha-nos falado de uma viagem que, em tempo, tinha feito em Cairns num combóio antigo subindo uma montanha, espectáculo tão admirável que iria repetir. Assim, mal chegámos a Cairns fomos à procura deste Tour e fizémos logo a marcação para o dia seguinte, nós e o Eowyn, onde também encontrámos o Destiny e o Voyageur. A partida foi às 7h20 de um hotel muito perto da marina e chegámos perto das 18h. Foi um dia em cheio! Andámos no Kuranda Scenic Rail desde Cairns até Kuranda, num combóio antigo cuja linha foi construída no final do sec XIX e que se encontram ambos, combóio e linha, totalmente recuperados assim como as estações onde para. O percurso até Kuranda, cerca de 45 min. de viagem, é muito sinuoso subindo uma montanha, havendo momentos em que se conseguia ver as carruagens da frente e as detrás, com paisagens deslumbrantes sobre as plantações de cana de açúcar, ou ladeando um rio com fundas gargantas abastecido por enormes quedas de água, ou entrando na densa floresta tropical já à beira de Kuranda. Esta já foi uma aldeia aborígene, mas é agora um grande centro comercial a céu aberto, com lojas sem fim onde se vendem todos os souvenirs possíveis da Austrália e de arte aborígene e muitos restaurantes. Mas tem outras atracções como parques temáticos: o Australian Butterfly Sanctuary com mais de 1500 borboletas tropicais à solta, o Birdworld com centenas de passos tropicais exóticos também à solta onde papagaios e catatuas com penas de deslumbrantes coloridos poisavam em cima de nós apenas por brincadeira e ainda o Kuranda Koala Gardens onde se podiam ver Koalas, crocodilos de água doce, cassuárias – mais uma das estranhas aves australianas que não voam – e até se podia dar de comer aos cangurus. O regresso foi feito no Skyrail Rainforest Cableway, um telesférico que desce a montanha por cima das copas das árvores da floresta tropical e que é um espectáculo também deslumbrante pela paisagem, embora por vezes um pouco assustador pelas alturas a que se vai. Tudo isto estava muito bem montado, boa organização e tudo com um ar muito cuidado, com lojas de souvenirs e bares em qualquer lado onde se parasse, e com explicações detalhadas em folhetos ou em placards sobre cada um daqueles locais. Para nosso espanto, no telesférico havia um folheto explicativo em português! O Tour foi caro, mas valeu mesmo a pena! À noite, o jantar de despedida da Chris e da Val que se iam embora no dia seguinte, num restaurante de mariscos no Pier, sabores do mediterrâneo como se intitulavam, em que a maioria escolheu “Very, Very, Very Fresh Tiger Prawns”, ou seja, camarões tigre que diziam ter sido pescados na zona e que eram tão frescos que nem ao frigorífico tinham ido. E estavam mesmo deliciosos, acompanhados com um excelente vinho branco australiano, neste caso Chardonnay!

AUSTRÁLIA – 09.08.2010
Dia de darmos uma volta por Cairns, irmos às compras, fazer umas máquinas de roupa e preparar o Thor para partirmos no dia seguinte em direcção a Thursday Island, onde deveremos chegar por volta do dia 17, sem Marinas pelo meio. Mais uma vez é preciso planear o aprovisionamento com cuidado pois em Thursday Island, situada num outro estado australiano, seremos de novo visitados pelos Quarentine que confiscarão todas as frutas e legumes que tivermos a bordo. Quanto ao resto dos alimentos, veremos na altura! Cairns tem uma grande praia, mas na maré baixa a água do mar fica a uma distância impressionante, não se chegando lá a pé. Para fazer face a este contratempo e em substituição da praia que não podem ter, na marginal foi construída uma grande lagoa com água do mar e com margens de areia e grandes relvados que é um lugar de grande atracção. À noite fomos ao Night Market, mais um centro comercial gigante, desta vez coberto, com lojas de souvenirs e restaurantes explorado sobretudo por chineses e que está aberto todos os dias das 16h30 até à meia noite. Muitas lojas nas principais ruas fecham só às 21h e os parques da cidade, sobretudo na marginal, estavam cheios de gente, passeando, fazendo exercício, passeando os cães ou fazendo picnics nos tais barbeques – no dia seguinte de manhã, pouco passava das 8h, passei por aqueles mesmos sítios e já estava tudo limpíssimo – e os restaurantes, Cairns tem muitos e com muito bom aspecto, também estavam cheios. A cidade à noite tem imensa vida, um ambiente diferente das restantes cidades por onde temos passado. Esta é uma cidade do lazer, cara, e toda ela dedicada ao turismo.

AUSTRÁLIA – 10.08.2010
Dia de partida de Cairns rumo a Thursday Island, partida algo acidentada pois a forte corrente atirou-nos para cima de 2 outros barcos, um deles com uma grande âncora na proa tendo sido difícil tirar o Thor daquela situação. Os estragos não foram muitos, mas podia ter sido grave! O Eowyn partiu também na mesma altura e aconteceu-lhe o mesmo ao saír do pontão, valeu-lhe o bow-trust – para os menos entendidos é um hélice na proa que auxilia os movimentos laterais do barco – e que o Thor não tem. A 1ª tirada foi até Lizzard Island, 140 milhas a norte, onde chegámos às 9h30 do dia 11, 23 horas de navegação com chuva miudinha, sem vento, mar calmo, mas muito movimento de barcos de pesca e de grandes navios que nos obrigaram a uma vigília permanente durante toda a noite.

AUSTRÁLIA – 11.08.2010
Em Lizzard Island fundeámos numa grande baía muito abrigada, já lá estavam fundeados mais ½ dúzia de barcos, a água do mar era limpa e cristalina, com 5 metros de profundidade via-se distintamente o fundo do mar, e havia muito peixe e muitos pássaros pretos voando baixinho em cima da água tentando apanhar os peixes que saltavam fora de água mas que pareciam ser maiores que os seus captores. Não vimos nenhum peixe ser apanhado, mas os pássaros continuaram nesta caçada toda a tarde em bandos cerrados. Ainda vimos uma grande manta a dar um enorme salto fora de água. Depois de um merecido descanso almoçámos a bordo - naquela ilha só há um resort de luxo o resto é Parque Nacional e para irmos a terra teríamos que fazer descer o dinghy e o motor, montá-lo e depois voltar içá-los para bordo, uma trabalheira para um tempo tão reles!! – e ao atirarmos os restos para o mar num ápice apareceram mais de uma dúzia de peixes, dos grandes, a disputar o resto dos bifes e do pão – eram Pinnate Batfish, Hump-Headed Maori Wrasse (só sei os nomes em Inglês) e uns outros de que não sei o nome mas que são compridos como os tubarões e habitualmente andam agarrados a estes sugando-lhes os parasitas. Durante a manhã o tempo pareceu compôr-se, o sol ainda a pareceu, mas da parte da tarde voltou a estragar-se. A partida para a próxima etapa estava marcada para a meia-noite, mas a chuva copiosa e o vento intenso que entretanto se levantou adiaram a saída para a manhã seguinte. Quando chegámos a Lizzard Island estava a partir o Lady Ev VI, um Bavaria 47 alemão com 5 alemães a  bordo, e de manhã quando partimos estavam lá fundeados também o Voyageur e o Destiny. Pelo rádio ouvimos o Ariane que também anda perto, é um Cyclades 50 agora com 4 suiços a bordo pois a tripulação tem mudado de tempos a tempos. O Kalliope também anda por aqui pois de vez em quando aparece no rádio e toda a frota está a dirigir-se para Thursday Island onde a concentração está marcada para 18 de Agosto.

sábado, 21 de agosto de 2010

Daily Log - Darwin


Saímos de TI conforme planeado e estamos a caminho de Darwin com bom vento, bom mar e com tudo a correr normalmente. Planeamos chegar a 24 ao fim da manhã, se acertarmos com a maré senão será um par de horas mais tarde. Beijinhos e abraços do Thor VI em pleno mar de Arafura.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Daily Log - Thursday Island

Estamos fundeados na ilha em frente a Thursday Island onde chegámos a 17Ago e daqui vamos partir para Darwin amanhã 18Ago pelas 12H00 locais (mais 9 que Lisboa) para cerca de 800 milhas. Com as previsões de tempo devemos chegar a 23/24 Ago. Por aqui não há rede de telemóvel, não há wifi, as condições do ancoradouro são bastante más, está muito vento, enfim parece que voltámos ao 3º mundo. Uma surpresa desagradável. Mas todos os detalhes, impressões e "graças" no "diário da patroa" a ser publicado em Darwin quando houver net. Cuidem-se que nós vamos andar à vela !!

sábado, 14 de agosto de 2010

Daily Log - Free Cruising

Saímos de Cairns parámos em Lizard Island, Night island e hoje, 14 Ago estamos fundeados em Portland Road a caminho de Thursday Island onde devemos chegar a 17 Ago para partir a 19 com destino a Darwin. Este é um post enviado via satélite mais detalhes e "estórinhas" (muitas) da Patroa quando houver net. Cuidem-se.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Uma espécie de diário da Patroa - 19

AUSTRÁLIA – 04.08.2010
A alvorada foi às 5h45 e às 6h já estávamos de partida da Marina de Bowen, uma vez mais por causa das marés ( a amplitude das marés pode chegar aos 6 metros!). O destino era Townsville, a cerca de 110 milhas de distância, mas para não chegarmos de noite, dividimos a viagem em 2 pernadas. A 1ª foi de apenas 35 milhas por não haver outro local de fundeio adequado mais à frente. Assim, pelas 13h largámos o ferro em Upstart Bay, um local relativamente abrigado dos ventos e onde também de seguida fundeou o Eowyn. Mas depois de descansarmos durante a tarde e de jantarmos relativamente cedo, pelas 21h decidimos partir para a restante tirada por forma a podermos chegar a Townsvillle pela manhã e termos tempo de ainda dar uma volta pela cidade. Faltavam 75 milhas que a uma média de 6 milhas/hora deveríamos fazer em 12/13 horas.

AUSTRÁLIA – 05.08.2010
A chegada à Marina de Townsville fez-se pelas 10:00 e a tal amplitude das marés ía-nos pregando uma partida, sendo as 2 últimas milhas feitas a uma velocidade de quase parados, à espera de vermos quando encalhávamos, o Rui diz que o Thor deve ter deixado um sulco na lama à entrada de Townsville. Navegámos toda a noite e desta vez com vigias ainda mais a sério, isto é, quem estivesse de vigia estava proibido de passar pelas brasas, embora sem um horário fixo para os quartos, ou seja, fica acordado quem tiver menos sono e vamo-nos revesando. Claro que chegámos cansados, mas um pequeno almoço e 2 horas de sono puseram-nos como novos para partirmos à descoberta da cidade. A Marina fica mesmo junto à cidade e quando fizémos o check-in deram-nos todas as informações do que havia para ver e como nos podíamos deslocar. Townsville é uma cidade costeira, com 150.000 habitantes, mas foi-nos dito que tudo o que havia para ver ficava a uma distância que podia ser feita a pé. Andámos até ao centro da cidade e depois apanhámos um autocarro, o Redbus, onde démos uma volta completa que não chegou a demorar 1 hora. Townsville tem prédios mais elegantes e lojas e restaurantes mais requintados que por exemplo Mackay e mesmo as pessoas na rua têm um ar mais cuidado. O nosso passeio começou pelas 16h e andámos na rua até perto das 21h e uma coisa que nos impressionou foi nunca vermos grande movimento de pessoas, nem de automóveis, sentindo-se o silêncio na cidade. Townsville é atravessada por um rio onde ainda hoje fundeiam muitos barcos, mais pequenos, e na parte sul, a parte mais antiga da cidade, existe uma rua onde os prédios antigos foram reconstruídos e aí se concentram os restaurantes mais elegantes da cidade. Nesta cidade de silêncio e sem movimento, os restaurantes estavam cheios.... Nós acabámos por jantar no Yacht Club, um sítio simpático e mais informal e que tinha uma enorme esplanada sobre o rio. Ainda havia mais umas quantas coisas na cidade que mereciam ser vistas como por exemplo, um grande Aquário sobre a Grande Barreira de Recife e mais 2 museus ligados ao mar e às navegações, mas a partida tinha que ser feita de manhã bem cedo para evitarmos os problemas da entrada.

AUSTRÁLIA – 06.08.2010
A partida da Marina de Townsville foi às 7h, a maré impunha uma alvorada destas, e o destino era Cairns, 160 milhas a norte que deveríamos fazer em 26/28 horas. Mais uma viagem que decorreu de forma tranquila, mas com a tal atenção redobrada, tanto mais que tínhamos uma daquelas passagens estreitas e com fundos baixos para fazer, e um corredor de grandes navios mesmo ao lado que, embora o Rui diga que deles se ocupa o AIS, mesmo assim faz algum respeito cruzarmo-nos com navios daquelas dimensões e navegando a enormes velocidades. Durante a noite juntámo-nos ao Eowyn que também estava a fazer o mesmo percurso, mas partindo de um ponto diferente, a Magnetic Island situada em frente de Townsville. À chegada perto de Cairns levantou-se uma tremenda ventania, com rajadas a atingirem mais de 30 nós, e foi assim que entrámos na Marina Marlin de Cairns pelas 10h da manhã do dia 7 de Agosto.