Eram 17h19m30s UTC/Lisboa quando o Thor VI cruzou a longitude de 008º 39´, isto é, cruzou a longitude de Lagos que tinha sido cruzada em 03Nov09. Assim sendo, o Thor VI concluiu uma viagem de circumnavegação em cerca de 445 dias, talvez menos umas horas. Seria um facto para comemorar e estava devidamente previsto, mas cerca de 2 horas antes, estávamos a acabar de almoçar, ouviu-se um estampido e vi o enrolador da genoa folgado. O estai real tinha partido e o enrolador estava solto, só preso pela adriça. Enrolámos a vela, montei o estai largável para segurar o mastro, fixei mais umas adriças do topo do mastro, abrimos a vela do mastro e siga para Salvador, agora mais devagar, mas pelo menos em segurança. O vento anda nos 20 nós e o mar bastante desencontrado. Entretanto contactei o Jorge Rainha que me descansou sobre o que havia a fazer (quem tem amigos destes tem tudo. Obrigado Jorge) e agora há que ter paciência e esperar que encontre uma solução no Brasil. Depois disto e com o Thor a coxear íamos comemorar o quê? Mas também não deixa de ser giro ter completado uma volta ao globo que será comemorada a seu tempo e adequadamente. Assim não me falte o engenho e a arte. Devagar, devagarinho a caminho do Brasil Thor VI over and out.
1 Barco, 2 Tripulantes, 3 Oceanos é o projecto do Thor VI com a participação em 3 eventos organizados pelo World Cruising Club - ARC09 (travessia do Atlântico de Las Palmas a Sta Lúcia), World ARC 2010/11 (uma volta ao mundo com início e terminus em Sta Lúcia) e ARC Europa 2011 com início nas British Virgin Islands e terminus em Lagos. Entre a saída de Oeiras em 01Nov09 e o regresso em Junho 2011 ficará uma viagem com mais de 30.000 milhas náuticas.
sábado, 22 de janeiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Dayli Log - Atl S 14
Eram 16:05 quando a bóia vermelha que nos segurava foi largada e o Thor VI tomou rumo a Salvador deixando para trás a ilha de Sta Helena, um dos locais mais agrestes, em termos de paisagem, que visitámos nesta viagem. Ontem à noite houve um BBQ numa "espécie" de yacht club que foi bem agradável pela simpatia dos locais. Foi uma despedida bem gira. Hoje de manhã reabastecemos de combustível e água, fizemos as últimas compras (algumas bananas, maçãs, pão e pouco mais), mais umas verificações de rotina no barco e aí vamos nós com destino ao Brasil, de encantos mil, dizem. Mas até lá ainda temos 1900 milhas, provavelmente com ventos fracos, mas bom tempo e que irá aquecendo progressivamente. Novamente a navegar do Atlântico Sul Thor VI over and out.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Dayli Log - Atl S 13
Ontem, imediatamente depois do envio da mensagem anterior, subi ao poço para apanhar ar antes de me ir deitar e dei por mim a ter uma visão diferente da ilha, mais interessante e preocupante, sem barcos ao pé, eu que estava no meio deles com o Tsigané e o Ariane bem perto. POIS!! O Thor VI estava à deriva, já 1 milha fora do ancoradouro e a caminho de Salvador e, mais interessante ainda, levando consigo uma enorme bóia vermelha. Em resumo, a amarra que prendia a bóia partiu-se e o barco foi levado pela corrente e pelo vento para fora da baía, por aí fora sem tocar em nada nem em ninguém. E esta hem!!! E eu que estava descansado por não ter de usar o ferro. Depois libertámos a bóia (que deve ir a caminho de Salvador) e fomos procurar outra bóia ainda livre, amarrámos, liguei os alarmes de fundeio e fiquei à espera a ver o que acontecia.Não aconteceu nada, mas na verdade não passei uma noite muito descansado, sempre à espera de ouvir os tais "bips". É mais uma "estórinha" desta longa aventura. Agora as boas notícias: as compras estão feitas, afinal havia mais produtos do que esperávamos, o dessalinizador recomeçou a funcionar e nós estamos quase prontos para partir, embora as previsões continuem a indicar ventos muito fracos e nenhuma animação. Ou me engano muito ou vamos bater o record de utilização do parasailor - que está nas cerca de 100 horas, sem avarias - para desespero de alguns companheiros. Nós vamos dando notícias. Cuidem-se.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Dayli Log - Atl S 12
O dia amanheceu nubloso e com alguns pingos (grossos) de chuva. Mas a meio da manhã a ilha de Sta Helena surgiu no horizonte encarapuçada por um monte de nuvens. Estávamos a cerca de 25 milhas com pouco vento e o tempo a clarear. Eram 15:02 hora local (e de Lisboa) quando o Thor VI cruzou a linha de chegada em Sta Helena dirigindo-se de seguida para uma zona de bóias frente a Jameson capital de Sta Helena. Uma melhoria significativa em relação ao ultimo ARC, pois agora existem 20 poitas não sendo necessário fundear. Pelo menos para nós foi uma agradável surpresa e um descanso, pois o guincho do ferro ainda é o mesmo! Sta Helena é uma ilha vulcânica com 9 milhas de comprimento e 5 de largura, com densas florestas no interior e costas escarpadas e muito agrestes. Situa-se numa zona tropical mas tem um clima temperado face aos alísios e correntes frias que a circundam. Foram estes ventos que ainda hoje aqui trazem tantos navegadores que um português, o Almirante João da Nova em 21 de Maio de 1502 achou esta ilha e que lhe deu o nome por nessa data ser o aniversário de Sta Helena mãe do Imperador Constantino. Se até aí a ilha não era habitada, as boas condições climatéricas, a abundância de água e árvores de fruto e fundamentalmente os ventos favoráveis tornaram-na num local preferencial de passagem. Em 1659 foi aqui estabelecida uma colónia inglesa pelo Cap. John Dutton com o beneplácito de Oliver Cromwell passando a ser desde então uma colónia britânica, famosa por ter sido aqui que Napoleão acabou os seus dias mas também como prisão politica do Império Britânico tendo por aqui passado africanos Zulus e Boers. Hoje Sta Helena terá cerca de 5000 habitantes, não tem aeroporto, nem porto, não tem rede de telemóveis, não tem ATM´s e não tem quase nada de coisa nenhuma. Foi com esta sensação que ficámos numa pequena incursão que fizemos - de repente andámos 50 anos para trás - confirmando também que os preços são em libras e bastante altos. Jantámos num restaurante (ou parecido) e regressámos ao barco - o ferry boat, ou seja um pequeno outboard, que faz o transporte para o barco custa 1,5 libras/pessoa - tendo entretanto apalavrado o reabastecimento de combustível e água para 6ª feira de manhã, com preços de "ouro". E se tudo correr bem 6ª feira no início da tarde partimos rumo a Salvador e Sta Helena fica no curriculum como mais um local fantástico" por onde passei. De Sta Helena Thor VI over and out.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Dayli Log - Atl S 11
Foi uma noite e peras: com o vento cada vez mais fraco, o parasailor começou a não voar, depois um pequeno aguaceiro provocou umas brisas malucas e o parasailor enrolou-se na genoa. Após algumas manobras lá o conseguimos soltar, mas o aguaceiro seguinte enrolou-o na antena do radar de onde foi mais difícil retirá-lo. Depois disto tudo, e sem danos no parasailor, desisti e baixei-o. Eram 3 da manhã, estávamos rodeados de aguaceiros, mas lá no alto pairava uma enorme lua que nos ajudou bastante nestas azafamas. De manhã voltámos a subir o parasailor e até meio da tarde ajudou-nos um pouco, mas o vento é muito fraco. Feitas as contas fizemos cerca de 130 milhas em 24 horas, uma miséria, mas isto de tentar fazer andar um barco à vela sem vento, é obra. No momento em que vos escrevo faltam 140 milhas para Sta Helena onde devemos fundear amanhã pelas 15:30 locais (as mesmas em Lisboa). Entretanto e como retirámos a vela colorida da proa metemos a "pesca " na água, mas até agora nada. Como vêm actividade não nos falta. O tempo está magnifico, mas sem vento!!!!! Cuidem-se
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Dayli Log - Atl S 10
Devagar se vai ao longe, é um dito popular que se aplica perfeitamente ao Thor VI em mais um dia de viagem, o nono. Mas é uma pasmaceira digo-vos eu, pois nas ultimas 24 horas fizemos cerca de 145 milhas e isto pelos bons serviços do parasailor que levou 50 horas "non stop" içado no topo do mastro. Depois, hoje a meio da manhã, e aproveitando um buraco de vento em que caímos, resolvi arrear a vela e verificar todos os cabos e o estado geral do parasailor. Até anteontem só haviam 2 barcos com parasailor´s inteiros e ontem o Lady Ev VI, que era o outro, rebentou uma adriça e a vela foi parar dentro de água com, parece, alguns estragos significativos. Na ultima noite o Eowyn também partiu uma adriça e o assimétrico caiu à água, logo eu não estava descansado enquanto não verificasse tudo na minha arma secreta. Afinal estava, está, tudo "nos conformes" e se alguma coisa se partir é porque "sheet happen". Faltam pouco mais de 250 milhas pelo que devemos chegar a Sta. Helena na 4ª feira a meio do dia. Os nossos planos são reabastecer de combustível e, principalmente água. O dessalinizador está inoperante pois dá indicação de água não potável, devendo ter as membranas sujas e o sistema de auto-limpeza já não as consegue limpar convenientemente. Tentaremos também alguns frescos e fruta mas parece que as possibilidades da ilha são mínimas. Feito isto tudo mais algum turismo e descanso suficiente voltaremos ao mar porque Salvador é já, quase, ali. Beijinhos e abraços.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Dayli Log - Atl S 09
Lembram-se de uma cantiga antiga julgo que brasileira, que dizia "o que é que você vai fazer no Domingo à tarde?". Pois eu digo-vos que passei o Domingo à tarde calmamente sentado contemplando este Atlântico Sul banhado de um sol magnífico que lhe confere uma cor única. O vento está para o fraco e só o magnifico "parasailor" faz andar o barco e sem interrupções desde as 08:00 horas de ontem, ou seja está lá em cima há mais de 32 horas e vai ficar. As previsões são de ventos fracos na casa dos 10/12 nós e com estas forças só o parasailor puxa o Thor entre os 6/7 nós o que é bastante bom para as condições. Nas ultimas 24 horas fizemos cerca de 140 milhas, o que não é fantástico, mas ganhámos em tempo real ou corrigido a quase toda a frota. O Eowyn estará a mais de 30 milhas para desespero do Graham, o Tsigané esta manhã chegou-se ao pé de nós, vinha a motor, depois só com velas atrasou-se e desapareceu. Mas a tarde de Domingo teve outro acontecimento de realce, no meio desta pasmaceira toda, que foi o Thor VI ter cruzado o meridiano de Greenwich ou seja a longitude 0º pelas 11:48 horas UTC/Lisboa (13:48 hora do barco) passando para longitudes W (obrigado Zé Dias pela chamada de atenção, mas isto de estar a fazer uma coisa e a pensar noutra, dá asneira). O serviço de refeições "Plano Inclinado" continua excelente, o Tozé já não é uma esperança, é definitivamente uma certeza e a sua adaptação ao barco e ao mar está a fazer-se com toda a normalidade. Cuidem-se que nós também. Thor VI over and out.
AVO 01 - As primeiras 1000 milhas
O prometido é devido. O António Vasques Osório (AVO) tem aqui a sua primeira participação neste blog, enquadrada nas primeiras mil milhas a bordo do Thor. É meu privilégio poder contar com estas participações que, estou seguro, enriquecem as narrativas desta viagem. Espero que gostem. Diz ele:
"E enfim, o Thor VI voltou ao Atlântico. E com ele voltei eu. Primeiro, o encontro em Cape Town com o skipper, o Rui Évora Soares, companheiro e camarada de há longa data e de outras andanças, que de imediato me foi apresentando a outras tripulações e me inteirou dos preparativos em curso, envolvendo o aprontamento do Thor para a próxima tirada. A saída para Hout Bay em dia calmo e limpo, em que tive a ocasião de rever a maravilhosa paisagem da Table Mountain e dos Doze Apóstolos, curiosa sequência de montes que acompanham o litoral entre Cape Town e Hout Bay. Recordei a minha anterior passagem no WARC de 97 antes da Expo98 a bordo do Atlantis II do Luis Rangel. Em Hout Bay começou a azáfama da partida - reabastecer, ida ao supermercado local, formalidades legais e pronto, aí vamos nós. Para mim, afastado destas lides há já bastante tempo, a primeira fase destas já ultrapassadas mil milhas do Thor não foi muito fácil, pois implicou o conhecimento do barco e sobretudo da sua arrumação. O Rui dotou a nave com excelente equipamento e as manobras e actividades correntes estão sendo afinadas. Os primeiros dias, aproveitando a corrente fria de Benguela e com ventos e mar de feição, deram boas singraduras e agora, com aragens mais bonançosas, lá vamos com o "parasailor" em cima, que teve ontem a sua primeira saída nocturna. Uma beleza. Dois pontos merecem uma menção. A primeira, o forte empenho do Rui neste projecto e, porque não, aventura, em que tenho apreciado a forma detalhada como efectua todas as operações e o seu perfeito entrosamento com todos os outros participantes, dos quais merece reconhecimento e respeito. A outra, refere-se ao restaurante Plano Inclinado, se bem me entendem. No que se refere à culinária, sempre fui mais de consumir do que de confeccionar. Mas agora, "inclinado", estou a tentar fazer o meu melhor para manter a qualidade, pois que isto de andar no mar, exige estômago bem aconchegado. E pronto, lá vamos a caminho de Sta Helena,no Atlântico azul-cobalto (igual ao dos Açores), ver como é que os "bifes" deram cabo do "Corso". Depois conto. Se cuidem. Abração para todo o mundo. Tozé
sábado, 15 de janeiro de 2011
Dayli Log - Atl S 08
Uma semana de mar completou-se hoje às 12:00 locais com mais de 1100 milhas percorridas - foram as primeiras mil milhas do Tózé a bordo do Thor que ele analisará, um dia destes aqui no blog. O dia amanheceu muito nublado em continuação de uma noite calma com muito pouco vento e que nos deu 135 milhas em 24 horas. Foi muito fraco, mas sem vento isto não anda. Face a este desempenho resolvemos subir o parasailor, logo nos primeiros alvores da madrugada, as coisas não correram muito bem - esta tripulação ainda necessita de treino - mas tudo se resolveu sem problemas de maior e aí começámos a andar, Inicialmente muito bem mas depois com a diminuição do vento passámos a andar quase nos mínimos (5/6 nós) e assim nos temos mantido. Já quase toda a gente navega a motor mas nós, teimosos, ainda vamos à vela e, provavelmente vai ser assim a noite toda se houver um mínimo de vento. Mas não é má opção até porque vamos aqui calmamente a apreciar este Atlântico banhado por um sol envergonhado mas que lhe dá um azul cobalto único, com muitos peixes voadores que já não víamos há tanto tempo. Como já se aperceberam aqui pelo barco impera a calma, a alimentação continua a ser a adequada - para quem se surpreende recordo um dito popular que diz que a necessidade aguça o engenho, ora o Tózé e eu somos exemplos acabados disso mesmo, não somos nenhuns "chef", mas temos de comer. A temperatura tem vindo a subir a pouco e pouco e devemos chegar a Sta Helena lá para 4ª feira. Mas antes ainda atravessaremos - faltam 82 milhas - o meridiano de Greenwich, de longitude zero regressando às longitudes W. Mais um sinal que estamos a regressar a casa. Mas até lá beijinhos e abraços e tenham um bom fim de semana.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Dayli Log - Atl S 07
Hoje foi dia de São Parasailor. Desde o início do dia que o vento foi caindo e com mareações de popa meio da manhã o barco já quase não andava. Foi para estas situações que eles inventaram o parasailor e portanto lá foi ele fazer o seu dever e, apesar de um novo membro na tripulação as coisas não correram mal de todo, pois subimos e descemos a vela sem problemas e passámos o dia todo a andar bemzinho. Entretanto o Eowyn apareceu - ele nunca desapareceu porque eu soube sempre por onde ele andava e ele por sua vez também - mas como desistiu rapidamente de me apanhar (baixou o assimétrico e ficou lá para trás) nós decidimos, ao pôr do sol, recolher o armamento até amanhã de manhã pois as previsões não são famosas quanto a vento para os próximos dias. Mas também já só faltam pouco mais de 600 milhas para Sta Helena e amanhã completar-se-á uma semana que andamos no mar. Eu bem me parecia que isto era ano novo, vida velha! Cuidem-se
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