78 horas de viagem e cerca de 450 milhas percorridas. Depois de 2 primeiros dias calmos e serenos o vento aumentou e a animação instalou-se, um bocadinho radical mesmo. Está um mar grosso com vento nos 25 nós e que nos dá velocidades acima dos 7 nós, bem agitados mas está tudo a correr bem. Até a Patroa para quem esta tirada é a primeira acima das 1000 milhas - é obra - está na maior. As previsões são de alguma acalmia a partir da noite de hoje com o vento a ficar pelos 20 nós. Thor VI do mar da Tasmania over and out
1 Barco, 2 Tripulantes, 3 Oceanos é o projecto do Thor VI com a participação em 3 eventos organizados pelo World Cruising Club - ARC09 (travessia do Atlântico de Las Palmas a Sta Lúcia), World ARC 2010/11 (uma volta ao mundo com início e terminus em Sta Lúcia) e ARC Europa 2011 com início nas British Virgin Islands e terminus em Lagos. Entre a saída de Oeiras em 01Nov09 e o regresso em Junho 2011 ficará uma viagem com mais de 30.000 milhas náuticas.
domingo, 18 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
Uma espécie de diário da Patroa - 15
VANUATU – 11 e 12.07.2010
Estes dias passaram-se com limpezas, lavagem do barco, revisões de motor, lavandaria e alguns passeios pela cidade que cada vez nos espanta mais pelos contrastes. Tem uma certa atmosfera francesa e aqui há de tudo, embora bastante caro, com excepção dos produtos vendidos no mercado aberto. Em Vanuatu o trânsito circula pela direita, apesar da presença inglesa....No início da administração conjunta francesa e inglesa, cada país queria impor aqui as suas leis, assim, os carros ingleses circulavam pela esquerda e seriam multados se o fizessem pela outra via, e o mesmo se passava com os franceses quanto à circulação pela direita. Depois de alguns acidentes, e não tendo conseguido entender-se, resolveram que fosse a sorte a decidir: assim o 1º carro a desembarcar em Port Vila determinaria o sentido do trânsito. Acontece que foi um Bugatti para um padre francês – o carro está em exposição no museu –, razão pela qual ainda hoje se circula pela direita em Vanuatu. Uma outra curiosidade, é ser este o país de origem do Budee-Jumping, praticado por uma tribo local em árvores sobre um precipício quando os seus ramos tinham o comprimento e a flexibilidade adequada para o salto. Vejam lá onde viemos parar!! Em Port Vila há bons restaurantes, até agora fomos ao Flaming Bull Steakhouse e ao Chill onde comi ‘poulet fish’ (é o nome de um peixe) e os preços são na ordem dos €30 por pessoa bebendo a cerveja local, marca Tusker. Na outra noite fomos convidados, toda a frota WARC, para um jantar em casa do Commodore do Yacht Club, ou melhor, cada barco levaria um prato e bebidas e juntar-nos-íamos todos em casa do Commodore. A casa é mesmo em cima da baía, tem um ancoradouro privativo – fomos para lá de dinghy – e um grande jardim à volta. O Commodore é muito jovem, está cá com a mulher há 2 anos – ele é australiano e ela americana - e têm um filho de 13 meses muito branco e loirinho, como seria de esperar, que corria feliz pelo jardim e brincava na terra sem que ninguém se importasse. Chegaram de barco, gostaram do país e não pensam daqui sair. O jantar foi muito informal, mas muito agradável. VANUATU – 13.07.2010
O programa social deste dia incluía um jantar no Restaurante e Bar Waterfront – situado mesmo em cima do cais onde estão amarrados os barcos – onde seria feita a distribuição de prémios relativa à etapa Musket Cove – Vanuatu. O turismo local apoiou o evento e é de registar com tudo isto funciona bem em Vanuatu. Tivemos um grupo Kastom com as suas danças e cantares e uma excelente banda a abrilhantar o jantar, tendo tudo terminado num grande bailarico. Na distribuição de prémios também fomos receber um: o da situação mais divertida da etapa que foi termos de voltar para trás por nos termos esquecido do dinghy em Musket Cove. Ofereceram-nos um baralho de cartas, para na próxima, nos entretermos enquanto esperamos que nos venham trazer o dinghy. Esta tem sido uma situação de grande brincadeira entre toda a frota, mas o Rui tem, nestas ocasiões, um grande desportivismo e também brinca com a história!domingo, 11 de julho de 2010
Daily Log – Tana 01
Uma espécie de diário da Patroa - 14
VANUATU – 07.07.2010
Claro que de manhã fomos fazer o reconhecimento por onde tínhamos andado no dia anterior à noite. O carreiro aberto na floresta levava-nos a uma grande clareira onde se situava a aldeia, e o restaurante era apenas uma das casas da aldeia – no dia anterior apenas existia uma ténue luz no restaurante pelo que parecia ser a única construção existente. As casas rodeavam o terreiro, não eram mais de uma dúzia, e as mulheres e crianças pequenas estavam sentadas do lado de fora, em grupos, a trabalhar. Vimos também uma escola e muitos miúdos a brincarem no recreio. E uma casa pequena, chamada Mercado Comunal, onde se vendiam algumas bananas, cocos e algum artesanato, nomeadamente cestos, e, no tal carreiro, uma banca de madeira debaixo duma árvore onde estava pregado um letreiro, “Road Market”, com 3 cachos de bananas e alguns limões. E ainda vimos uma igreja que, tal como as casas, era construída de folhas de palmeira, nas paredes e cobertura, tendo as casa uma espécie de janela feita com as mesmas folhas de palmeira, mas com um entrelaçado mais largo. Tudo isto tem um ar muito primitivo, mas parece ser conservado com muito amor pelas gentes locais. As pessoas são muito afáveis e têm um riso largo e aberto quando com elas falamos. Já no regresso ao dinghy para ir preparar o tal almoço de dourado, houve 3 miúdos, de 11 anos, que nos pediram para ir ver o nosso barco. Quando lhes dissémos que eramos de Portugal, associaram-nos de imediato ao Cristiano Ronaldo e reconheceram a bandeira de Portugal. É espantoso como nesta terra do fim do mundo, com uma vida tão primitiva, sem electricidade, o futebol abre mundos – uma das palhotas tem satélite e uma televisão e, nesta altura do Mundial de Futebol, até cobra dinheiro aos vizinhos para os deixar ver os jogos. Espertos os miúdos, até diziam que eram apoiantes de Portugal no Mundial. Ao chegarem ao barco espreitaram tudo com muita atenção, mas o que mais os tocou foram as casas-de-banho e o espelho grande que existe na nossa cabine onde se miraram e soltaram algumas gargalhadas. Cada um deles dizia ter 7 ou 8 irmãos. Dei-lhes umas bolachas e retornaram ao seu mundo. Qual será o seu futuro? Pareceram-me demasiado curiosos para ficarem por aqui! À tarde houve um tour a uma aldeia Kustom e ao Monte Yasur. O transporte era feito em carrinhas de caixa aberta onde nos sentávamos, por um caminho de terra batida, aberto na floresta, mas que as chuvas de umas semanas atrás tinham cavado grandes fendas tornando a viagem uma verdadeira aventura. Na aldeia Kastom, onde as cerimónias tradicionais são parte da vida da aldeia, presentearam-nos com um espectáculo de dança desempenhado por homens e crianças usando os trajes tradicionais de todos os dias, namba (um ramo de folhas que apenas cobre o pénis). Depois do espectáculo, uma espécie de dança guerreira, tinham artesanato para vender, sobretudo figuras feitas em madeira mas alertaram-nos que as autoridades Australianas não gostam muito destas coisas. Seguiu-se, já ao anoitecer, a subida ao Monte Yasur para observarmos o vulcão que os panfletos locais dizem ser o vulcão vivo mais acessível do mundo. E o espectáculo era, na verdade, impressionante: tanto o roncar vindo das profundezas, como os fumos negros e a lava vermelha expelidos. Mais um espectáculo daqueles que não se esquecem na vida!
VANUATU – 08.07.2010
Este foi um dia muito especial! Ao meio-dia, cerimónia da troca de presentes entre as gentes da aldeia de Port Resolution e a frota de barcos do WARC. A combinação era que nos concentraríamos na praia dos dinghys e só poderíamos subir para a aldeia depois de ouvir o sinal dado pelo chefe da aldeia a dizer que estavam prontos para nos receber. Após ouvirmos o sinal subimos à aldeia e estava aí concentrada toda a população, eram mais de 100 pessoas e muitas crianças, para nos oferecerem um espectáculo de danças e cantares. Em seguida seguimos todos em procissão atrás de um grupo que tocava música até um terreno em frente ao Yacht Club que tinha sido demarcado e enfeitado com troncos de árvores e cocos para a cerimónia da troca de presentes. À entrada, a cada um de nós – eramos mais de 50 - foi oferecido um chapéu de abas feito, pelas mulheres da aldeia, em folhas de coqueiro e depois dispusémo-nos para a cerimónia, de um lado a população da aldeia, do outro as gentes do WARC. Foi rezada uma oração pelo Chefe da Aldeia, em grande silêncio, e fez um discurso na língua local e em Inglês de agradecimento pela nossa presença; as crianças da escola – eram mais de 40 – ofereceram-nos uma canção, e que bem cantavam!; houve mais discursos, pelo Commodore do Yacht Club e pelo Andrew do WARC; e seguiu-se a troca de presentes formal entre o Chefe da Aldeia e o Andrew, um grande ramo da Kava e só depois as gentes da aldeia colocaram os seus presentes, um a um, num grande monte no centro daquele terreno. Eram uns cabazes oblongos feitos de folhas de coqueiro (o coqueiro por estas paragens tem muitas utilizações!) cheios de fruta, bananas, toranjas, limões, e cestos de palha de todos os feitios tecidos pelas mulheres. Cada um dos skippers colocou também o seu presente numa outra pilha ao lado e ali havia de tudo, desde material escolar, a panelas, roupa, equipamentos (esta gente tem necessidade de tudo, talvez com excepção de comida pois a natureza é pródiga e eles são bastante frugais!). Foi uma cerimónia muito bonita, muito tocante e é espantosa esta capacidade de dar de gente que tem tão pouco. No final fiquei com a sensação que tinha dado pouco e que nos deveriam ter dado mais informação para podermos vir mais bem preparados. Durante toda a tarde a população da aldeia manteve-se muto atarefada pois esteve a preparar a festa que nos ia oferecer à noite, em frente ao Yacht Club. Foi aí montada uma grande mesa de troncos de madeira e, à hora combinada, estava coberta de pratos com a cozinha tradicional local: mandioca, taro, batata doce, banana frita, galinha, peixe, porco selvagem, a maioria deles cozinhados numa espécie de forno que fazem no chão tapado com pedras quentes e também bastante fruta. Os nossos pratos eram uma espécie de conchas feitas de folha de coqueiro e revestidos com folhas de uma outra planta e comia-se à mão. Excepcionalmente naquela noite o gerador foi ligado e havia 3 lâmpadas a iluminar todo o terreno. A comida era muito simples mas muito saborosa. Depois de todos nós nos servirmos, as gentes da aldeia, sobretudo as crianças também comeram e estiveram junto de nós o tempo todo, algumas delas já dormindo pelo chão pois estão habituadas a deitar-se com o pôr-do-sol. Esta foi mais uma cena que nos tocou profundamente: esta capacidade de dar e a alegria e o amor às suas coisas que nos transmitem!
VANUATU – 10.07.2010
Depois de uma viagem, bastante calma, de quase 24 horas chegamos a Port Vila, a capital de Vanuatu, na ilha de Efate. Port Vila fica numa grande baía em forma de ferradura e é considerada uma das cidades mais bonitas do Pacífico Sul. Estamos atracados de popa a um pontão, com água e electricidade e, com um pulo estamos em terra. A 1ª impressão que temos é de uma cidade com muito trânsito, muito movimento, muita actividade comercial, um completo contraste face ao sítio de onde viemos. Vimos um grande mercado aberto que funciona ininterruptamente de 2ª feira de manhã até sábado ao meio-dia onde as gentes das aldeias vizinhas vêm vender as suas frutas, legumes e flores (quase à hora de fechar ainda estava cheio de movimento e do colorido das bancas e dos fatos das mulheres). Visitámos um outro mercado, o Hebrida Market Place, um emaranhado de lojas onde se vende artesanato e roupa colorida e onde cada loja de roupa tem uma máquina de costura para fazer, na hora, o fato à medida do cliente. A rua principal é muito comprida e aí encontramos desde um grande hotel de 5 andares e com Casino, até uma zona de chineses onde se vende de tudo, chamada Chinatown, lojas Duty Free de bebidas, perfumes, jóias e marcas de qualidade, algumas excelentes lojas do tipo Ocidental e muitos restaurantes e bares. Ainda fomos a um Supermercado, Spar, e há muito que não via uma coisa tão bem organizada, tão limpa, com uma tão grande variedade de produtos e de congelados e sobretudo de grande qualidade. Mas uma exploração mais detalhada fica para os próximos dias! Um outro contraste, foi o dia de calor que aqui esteve, dentro do barco estão 33º e ao sol quase não se consegue estar, enquanto em Tanna esteve sempre bem fresquinho. Veremos se é para continuar!
Claro que de manhã fomos fazer o reconhecimento por onde tínhamos andado no dia anterior à noite. O carreiro aberto na floresta levava-nos a uma grande clareira onde se situava a aldeia, e o restaurante era apenas uma das casas da aldeia – no dia anterior apenas existia uma ténue luz no restaurante pelo que parecia ser a única construção existente. As casas rodeavam o terreiro, não eram mais de uma dúzia, e as mulheres e crianças pequenas estavam sentadas do lado de fora, em grupos, a trabalhar. Vimos também uma escola e muitos miúdos a brincarem no recreio. E uma casa pequena, chamada Mercado Comunal, onde se vendiam algumas bananas, cocos e algum artesanato, nomeadamente cestos, e, no tal carreiro, uma banca de madeira debaixo duma árvore onde estava pregado um letreiro, “Road Market”, com 3 cachos de bananas e alguns limões. E ainda vimos uma igreja que, tal como as casas, era construída de folhas de palmeira, nas paredes e cobertura, tendo as casa uma espécie de janela feita com as mesmas folhas de palmeira, mas com um entrelaçado mais largo. Tudo isto tem um ar muito primitivo, mas parece ser conservado com muito amor pelas gentes locais. As pessoas são muito afáveis e têm um riso largo e aberto quando com elas falamos. Já no regresso ao dinghy para ir preparar o tal almoço de dourado, houve 3 miúdos, de 11 anos, que nos pediram para ir ver o nosso barco. Quando lhes dissémos que eramos de Portugal, associaram-nos de imediato ao Cristiano Ronaldo e reconheceram a bandeira de Portugal. É espantoso como nesta terra do fim do mundo, com uma vida tão primitiva, sem electricidade, o futebol abre mundos – uma das palhotas tem satélite e uma televisão e, nesta altura do Mundial de Futebol, até cobra dinheiro aos vizinhos para os deixar ver os jogos. Espertos os miúdos, até diziam que eram apoiantes de Portugal no Mundial. Ao chegarem ao barco espreitaram tudo com muita atenção, mas o que mais os tocou foram as casas-de-banho e o espelho grande que existe na nossa cabine onde se miraram e soltaram algumas gargalhadas. Cada um deles dizia ter 7 ou 8 irmãos. Dei-lhes umas bolachas e retornaram ao seu mundo. Qual será o seu futuro? Pareceram-me demasiado curiosos para ficarem por aqui! À tarde houve um tour a uma aldeia Kustom e ao Monte Yasur. O transporte era feito em carrinhas de caixa aberta onde nos sentávamos, por um caminho de terra batida, aberto na floresta, mas que as chuvas de umas semanas atrás tinham cavado grandes fendas tornando a viagem uma verdadeira aventura. Na aldeia Kastom, onde as cerimónias tradicionais são parte da vida da aldeia, presentearam-nos com um espectáculo de dança desempenhado por homens e crianças usando os trajes tradicionais de todos os dias, namba (um ramo de folhas que apenas cobre o pénis). Depois do espectáculo, uma espécie de dança guerreira, tinham artesanato para vender, sobretudo figuras feitas em madeira mas alertaram-nos que as autoridades Australianas não gostam muito destas coisas. Seguiu-se, já ao anoitecer, a subida ao Monte Yasur para observarmos o vulcão que os panfletos locais dizem ser o vulcão vivo mais acessível do mundo. E o espectáculo era, na verdade, impressionante: tanto o roncar vindo das profundezas, como os fumos negros e a lava vermelha expelidos. Mais um espectáculo daqueles que não se esquecem na vida! VANUATU – 08.07.2010
Este foi um dia muito especial! Ao meio-dia, cerimónia da troca de presentes entre as gentes da aldeia de Port Resolution e a frota de barcos do WARC. A combinação era que nos concentraríamos na praia dos dinghys e só poderíamos subir para a aldeia depois de ouvir o sinal dado pelo chefe da aldeia a dizer que estavam prontos para nos receber. Após ouvirmos o sinal subimos à aldeia e estava aí concentrada toda a população, eram mais de 100 pessoas e muitas crianças, para nos oferecerem um espectáculo de danças e cantares. Em seguida seguimos todos em procissão atrás de um grupo que tocava música até um terreno em frente ao Yacht Club que tinha sido demarcado e enfeitado com troncos de árvores e cocos para a cerimónia da troca de presentes. À entrada, a cada um de nós – eramos mais de 50 - foi oferecido um chapéu de abas feito, pelas mulheres da aldeia, em folhas de coqueiro e depois dispusémo-nos para a cerimónia, de um lado a população da aldeia, do outro as gentes do WARC. Foi rezada uma oração pelo Chefe da Aldeia, em grande silêncio, e fez um discurso na língua local e em Inglês de agradecimento pela nossa presença; as crianças da escola – eram mais de 40 – ofereceram-nos uma canção, e que bem cantavam!; houve mais discursos, pelo Commodore do Yacht Club e pelo Andrew do WARC; e seguiu-se a troca de presentes formal entre o Chefe da Aldeia e o Andrew, um grande ramo da Kava e só depois as gentes da aldeia colocaram os seus presentes, um a um, num grande monte no centro daquele terreno. Eram uns cabazes oblongos feitos de folhas de coqueiro (o coqueiro por estas paragens tem muitas utilizações!) cheios de fruta, bananas, toranjas, limões, e cestos de palha de todos os feitios tecidos pelas mulheres. Cada um dos skippers colocou também o seu presente numa outra pilha ao lado e ali havia de tudo, desde material escolar, a panelas, roupa, equipamentos (esta gente tem necessidade de tudo, talvez com excepção de comida pois a natureza é pródiga e eles são bastante frugais!). Foi uma cerimónia muito bonita, muito tocante e é espantosa esta capacidade de dar de gente que tem tão pouco. No final fiquei com a sensação que tinha dado pouco e que nos deveriam ter dado mais informação para podermos vir mais bem preparados. Durante toda a tarde a população da aldeia manteve-se muto atarefada pois esteve a preparar a festa que nos ia oferecer à noite, em frente ao Yacht Club. Foi aí montada uma grande mesa de troncos de madeira e, à hora combinada, estava coberta de pratos com a cozinha tradicional local: mandioca, taro, batata doce, banana frita, galinha, peixe, porco selvagem, a maioria deles cozinhados numa espécie de forno que fazem no chão tapado com pedras quentes e também bastante fruta. Os nossos pratos eram uma espécie de conchas feitas de folha de coqueiro e revestidos com folhas de uma outra planta e comia-se à mão. Excepcionalmente naquela noite o gerador foi ligado e havia 3 lâmpadas a iluminar todo o terreno. A comida era muito simples mas muito saborosa. Depois de todos nós nos servirmos, as gentes da aldeia, sobretudo as crianças também comeram e estiveram junto de nós o tempo todo, algumas delas já dormindo pelo chão pois estão habituadas a deitar-se com o pôr-do-sol. Esta foi mais uma cena que nos tocou profundamente: esta capacidade de dar e a alegria e o amor às suas coisas que nos transmitem!VANUATU – 10.07.2010
Depois de uma viagem, bastante calma, de quase 24 horas chegamos a Port Vila, a capital de Vanuatu, na ilha de Efate. Port Vila fica numa grande baía em forma de ferradura e é considerada uma das cidades mais bonitas do Pacífico Sul. Estamos atracados de popa a um pontão, com água e electricidade e, com um pulo estamos em terra. A 1ª impressão que temos é de uma cidade com muito trânsito, muito movimento, muita actividade comercial, um completo contraste face ao sítio de onde viemos. Vimos um grande mercado aberto que funciona ininterruptamente de 2ª feira de manhã até sábado ao meio-dia onde as gentes das aldeias vizinhas vêm vender as suas frutas, legumes e flores (quase à hora de fechar ainda estava cheio de movimento e do colorido das bancas e dos fatos das mulheres). Visitámos um outro mercado, o Hebrida Market Place, um emaranhado de lojas onde se vende artesanato e roupa colorida e onde cada loja de roupa tem uma máquina de costura para fazer, na hora, o fato à medida do cliente. A rua principal é muito comprida e aí encontramos desde um grande hotel de 5 andares e com Casino, até uma zona de chineses onde se vende de tudo, chamada Chinatown, lojas Duty Free de bebidas, perfumes, jóias e marcas de qualidade, algumas excelentes lojas do tipo Ocidental e muitos restaurantes e bares. Ainda fomos a um Supermercado, Spar, e há muito que não via uma coisa tão bem organizada, tão limpa, com uma tão grande variedade de produtos e de congelados e sobretudo de grande qualidade. Mas uma exploração mais detalhada fica para os próximos dias! Um outro contraste, foi o dia de calor que aqui esteve, dentro do barco estão 33º e ao sol quase não se consegue estar, enquanto em Tanna esteve sempre bem fresquinho. Veremos se é para continuar!Daily Log – Musket Cove 01
Pois aquilo que parecia uma pequena etapa (cerca de 450 milhas) rapidinha e sem história veio a ser, inesperadamente um troço bem trabalhoso, incómodo em suma e numa palavra “louco”. As coisas não começaram lá muito bem pois na partida posicionamo-nos bem mas quando quisemos arrancar o cabo do enrolador da genoa (novo) não desenrolou completamente e a genoa ficou meio aberta. A área da partida era meio dificil pois era estreita e com recife de coral de um lado e outro, havendo pouco espaço para manobrar e os barcos que vinham atrás tiravam vento aos da frente e isto deu umas boas lutas. Nós com as velas a não reagirem fomos tapados imediatamente pelo Ciao e pelo Crazy horse e atacados pelo Eowyn e durante cerca de 1 hora andamos numa “luta feroz” por meia duzia de metros. Puro prazer! Eis senão quando a Ana me diz “ esquecemo-nos do dingy”!!! Eu nem queria acreditar quando olhei para a ré e o dinghy realmente não estava lá. Como estivemos atracados de popa, tirámos o dinghy, que foi posto no lado oposto do pontão e aí ficou. É verdade que não estava muito visível, que nas ultimas horas antes da partida houve muito que fazer, blábláblá. Enfim parecia estar tudo estragado e só havia que voltar atrás e recuperar o barco. Avisei o “rally control” que ia voltar para trás – e porquê, o que deu uma gozação geral e que ainda hoje é tema de conversa – e eles simpáticamente recolheram o dinghy e foram-mo levar a meio caminho, o que reduziu bastante o tempo perdido e que afinal se traduziu em mais ou menos uma hora. Quando já tinha o dinghy de volta ainda via umas velas no horizonte e a partir daí foi um “sempre a aviar”. Quando saímos do recife o vento tinha subido já para 30/35 nós e o mar estava branco de espuma e isto manteve-se até ao cair da noite tendo melhorado francamente a partir da meia noite. O Thor andava bastante depressa qual cavalo louco e que por vezes tentava tomar o freio nos dentes, a Sra. Armadora portava-se lindamente apesar de pela cara dela não achar muita graça aquela movimentação, mas eu, confesso, estava de maré e quando assim é ... O dia seguinte amanheceu numa calmaria absoluta com um mar absolutamente estanhado nem dava para acreditar e assim e a pedido expresso da cozinheira, a linha foi posta na água para apanhar “um peixe pequeno para o almoço”. Então não é que faltavam poucos minutos para o meio dia (e com cerca de 2 horas de pesca) um mahi-mahi ou seja um dourado com cerca de 7 kilos se suicidou. Meia hora depois já estava no prato nuns belos lombos à la plancha fazendo honras à habilidade da cozinheira. Nem de propósito! Depois de tão lauto almoço apareceram umas nuvens negras no horizonte, o vento começou a refrescar, apareceram uns pingos de chuva e cerca de meia hora depois tinhamos o vento nos 20/25 nós o mar a alterar-se e até à madrugada seguinte foi novamente uma correria desenfreada. Chegámos a Tana no início da manhã seguinte bastante cansados, com o barco em perfeitas condições mas um bocadinho molhado porque com aqueles saltos e com a água que lhe passava por cima, alguma dela entrou na cabine da frente fazendo algum estrago. Fizemos o check-in com as autoridades locais, muitas como é norma e fomos dormir porque toda esta loucura tinha deixado algumas marcas de cansaço. Divirtam-se.
sábado, 10 de julho de 2010
Uma espécie de diário da Patroa - 13
FIJI – 02.07.2010
A frota WARC já aqui está quase toda, 24 barcos, mas alguns vão ficar por aqui. O Dreamcatcher, um Halberg Rassy 48 – um dos barcos de sonho do Rui – com um casal suiço muito simpático, o Charles e a Marie, que por contingências resultantes de avarias contínuas no barco decidiram ficar pela Nova Zelândia e Austrália por 2 anos e depois talvez “apanhar” o próximo WARC de regresso à Europa. O Ronja, um Jeanneau 49DS com uma família norueguesa a bordo, pai mãe, 3 filhos dos 12 aos 16 anos, e agora viajando com mais um sobrinho e com a irmã do skipper, que resolveu dar por fim a sua participação no WARC pois o filho mais velho e a mãe estavam já a arrastar-se com pouca alegria e gozo pela viagem. O Neoluna, um catamaran com o casal francês e 2 filhos que vivem em Singapura e que vão rumar a casa. O Wild Tigris, um Swan 76 de um casal americano que viaja com um skipper e uma assistente para as limpezas e cozinha e que também vai ficar navegando pela Nova Zelândia e Austrália. E o J’Sea também vai desistir por problemas no barco e de saúde do skipper. O Thor cá continua, com tudo a funcionar em pleno. Apenas o guincho eléctrico do ferro precisa ser substituído, está velho e cansado, mas com um bocado de força de braços do Rui lá nos temos governado. Talvez na Austrália possa ser feito um upgrade.....PACÍFICO SUL – 03.07.2010 a 06.07.2010
VANUATU – 06.07.2010
Vanuatu é um país independente desde 1980, anteriormente chamava-se Novas Hébridas, e a cultura tradicional tem aqui um peso muito importante apesar de ter estado sob o domínio de uma coligação Francesa e Inglesa desde 1906. Assim o povo fala Bislama, Francês, Inglês e ainda um dos muitos idiomas locais. Uma curiosidade é o facto do 1º europeu a aqui chegar ter sido um Português, Pedro Fernandez de Queirós, chefiando uma expedição espanhola. Vanuatu tem mais de 80 ilhas e estamos fundeados na ilha de Tanna, uma das mais tradicionais do país, numa baía junto à aldeia de Port Resolution. Quando chegamos à baía apenas se vê a floresta densa que desce até ao mar mas, de dinghy fomos até uma praia onde estava hasteada a bandeira do WARC e depois de o deixarmos amarrado ao ramo de uma árvore subimos por um trilho escavado na floresta e chegamos a uma espécie de plataforma onde existe um barracão, era o “Tanna Yacht Club”. Aí estavam à nossa espera os Oficiais da Emigração e Alfândega para fazerem o check-in dos barcos que iam chegando. Apenas o Oficial de Quarantine foi a bordo – nesta ilha os controlos parece que são muito rigorosos, pois querem permanecer livres de infestacões perniciosas vindas de fora e poder continuar a não usar pesticidas, insecticidas ou herbicidas como ainda hoje acontece – mas ao fim e ao cabo não foi assim muito rigoroso e apenas nos levou uma tangerina e um coco, que estavam ali à mostra mesmo a pedir para serem levados. Enquanto estávamos em terra fizémos reserva para jantar a um restaurante situado na aldeia, o “Avocado Restaurant and Tanna Coffee” que apenas serve 10 pessoas de cada vez. Na altura disseram que não tinham lagosta, mas que iriam tentar apanhá-las para o jantar. O ponto de encontro foi o Yacht Club às 19H. Estava já noite cerrada e como não há iluminação, fomos guiados por um local até ao “restaurante” por um carreiro aberto na floresta – nunca me esquecerei desta caminhada e do pisar da terra fofa debaixo dos meus pés. O restaurante é uma palhota com um ar muito arranjado e asseado, onde nos esperava uma mesa comprida já posta e uma outra na cabeceira onde estavam dispostos os pratos com comida: uma bela lagosta cozida, frango bem saboroso, arroz e mais uma meia dúzia de pratos com legumes locais para acompanhamento: taro (inhame), mandioca, batata-doce e não sei o nome dos restantes. À sobremesa uma espécie de salada de frutas muito saborosa e depois ainda e para acabar foi servido café de Tanna. A refeição era acompanhada de água e para iluminação tínhamos 3 velas. Afinal éramos só 6 ao jantar, o Graham e o Mike do Eoywin, a Susan e o David do Voyageur, o Rui e eu e pagámos cerca de 6€ pelo jantar e 2,5€ pelo café. A tal guia que nos conduziu ao restaurante também se sentou à mesa e comeu o mesmo que nós. A dona da casa chama-se Sara, fala francês e também um pouco de inglês e explicava o que era cada prato rindo-se sempre muito. Contou-me que tinha 4 filhos e estava à espera do 5º. Havia um cortinado a separar a sala de jantar de um outro quarto e dava a ideia que o resto da família estava aí, pois os filhos pequenos ainda vieram ajudar a mãe. Esta foi uma experiência tocante, daquelas que nunca se esquecem na vida.sexta-feira, 2 de julho de 2010
Daily Log - Fiji 04
Hoje 03 de Julho, (aqui porque aí ainda é 02Jul.) o importante do dia é o aniversário do meu neto Tiago. Parabéns Tiago. Nós estamos de partida para Vanuatu onde aconteceu um tremor de terra de 6.4 na escala de Ritcher mas sem aviso de tsunami. Portanto não há alterações no nosso programa, esperam-nos 450 milhas com tempo bom nos 2 primeiros dias e alguma chuva no ultimo (devemos levar cerca de 3 dias) e algum vento não muito ao contrário dos últimos dias aqui em Musket Cove. Entretanto a frota sofreu umas perdas o Ronja desistiu o barco vai ser levado por um skipper para a Austrália e daí embarcado num navio para a Europa - uma surpresa pois toda a família parecia estar a levar isto com um entusiasmo fantástico, afinal - o Dreamcatcher vai ficar por aqui talvez retomando o próximo WARC e o Noeluna também termina o rally pois vai para casa, para Singapura. Somos cada vez menos. Cuidem-se. Beijinhos e abraçosUma espécie de diário da Patroa - 12
FIJI – 30.06.2010
A 1ª coisa que fiz foi telefonar para Lisboa a saber o resultado do Portugal-Espanha. Perdemos e estamos afastados do Mundial de Futebol. Temos pena! Os nossos amigos espanhois do Kalliope deverão estar mais contentes mas não estão cá. Ficaram para trás, numa Marina, à espera de peças para reparar as avarias do barco. Durante o dia mais limpezas e arrumações no Thor e ao fim da tarde Welcome Drinks e um Barbeque oferecidos pelo WARC, numa ilhota mesmo aqui ao pé do pontão dos barcos, é só atravessar uma pequena ponte de madeira. Um bar numa palhota de madeira, mesas e bancos de madeira à volta e à tardinha acendem umas grandes fogueiras para quem quizer ali fazer os seus grelhados. É mais uma forma de promover a confraternização entre as tripulações dos barcos. Claro que foi também mais uma noite de grande conversata com a Isabel e o Bob, os nossos amigos brasileiros.FIJI – 01.07.2010
Durante os últimos 2 dias tem estado um vento forte, um tanto desagradável, mas a previsão é que abrande a partir de Sábado, dia da partida para Vanuatu. Continuamos em Musket Cove, a dormir em terra num belo quarto – com ar-condicionado que afinal não se tem mostrado necessário, mas com um excelente duche!! – e a passar o dia a fazer limpezas e arrumações no Thor. Vai sair daqui num brinquinho!! Hoje foi dia das tripulações do WARC se divertirem com jogos de praia, mas que como habitualmente são levados a sério e com um espírito muito competitivo. Afinal ninguém gosta de perder! À noite, jantar na areia junto à praia, mas desta vez sentados, sob o tema: Fiji Fiest. Havia porco assado, do tipo do nosso leitão, e danças e cantares de Fiji. Mais uma noite bastante agradável!quinta-feira, 1 de julho de 2010
Daily Log - Fiji 03
Bula ou seja Viva, aqui nestas línguas. Estamos em Musket Cove onde se juntou toda a frota ou quase porque o Kalliope tem uns problemas e está em Denarau esperando algumas peças e ainda bem porque nos tínhamos prometido umas praxes por causa do futebol e assim livrei-me(!!!) - os espanhóis não brincam com coisas sérias, pois não? E foi bom voltar a encontrar-nos todos e a pôr a "escrita em dia" e bastantes coisas se passaram com alguns "toques" no fundo do Dreamcatcher - mais um problema e parece-me que já não é só azar - e o J´Sea que voltou a juntar-se à frota, ainda que por pouco tempo e que se "deitou" em cima de um recife. Acabou saindo rebocado por uma lancha e "sem danos" nas palavras do skipper. Deus é grande meus amigos. Nós temo-nos oferecido alguma qualidade de vida com umas mordomias extras bem agradáveis - já não dormia numa cama à séria desde 01 Nov 09 - mas também aproveitando para limpar e rearrumar o Thor que já estava a precisar. Entretanto resolvemos o problema da bomba do gerador que já vem a caminho desde Londres pois na Austrália um "jeitoso" pediu-me uma pequena fortuna pela bomba, apesar da Jonhson ter representante ali. Eles andam aí e se nos descuidamos toma !!!! Vamos sair no Sábado 03Jul para Tana em Vanuato onde devemos chegar a 06/07 Jul. Estamos já na parte final desta longa travessia do Pacífico e a Austrália, que é um marco importante nesta viagem, já quase que se vê ao longe. Divirtam-se. Beijinhos e abraços. Thor VI a caminho da Austrália.
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